15 anos depois, Roth revela comentário de juiz que 'garfou' Palmeiras: 'Ficou bom pra todos'

Francisco De Laurentiis e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
Relembre Boca 2 x 2 Palmeiras pela Libertadores de 2001, com erros da arbitragem

Há 15 anos, o Palmeiras sofreu uma das maiores "garfadas" de arbitragem de sua centenária história. Jogando em La Bombonera contra o Boca Juniors, pela Libertadores, o time paulista conseguiu empatar por 2 a 2 com os argentinos, apesar de erros grosseiros do paraguaio Ubaldo Aquino - que, daquele dia em diante, passou a ser ironicamente chamado pelos torcedores alviverdes de "Roubaldo" Aquino.

Tanto tempo depois, o técnico Celso Roth, que à época comandava o Palmeiras, ainda se lembra bem do que o juiz, à época considerado um dos melhores do mundo e que era figurinha carimbada em partidas de eliminatórias sul-americanas e torneios Fifa, lhe disse após a partida.

"Aquele jogo na Bombonera eles só conseguiram empatar porque o Ubaldo Aquino marcou uma penalidade absurda para eles, e depois deixou de dar uma clara do (goleiro) Córdoba no Fernando, nosso volante, que ainda foi expulso", recorda Roth, atualmente desempregado, em entrevista ao ESPN.com.br.

"Depois do jogo, nos encontramos por acaso no estacionamento, ele indo para o carro dele e eu para o ônibus do Palmeiras. Ele me olhou e fez um comentário interessante: (imita o sotaque) 'Profe, profe, o resultado foi bom para todos nós... Agora estamos todos bien. Como é que íamos sair daqui (se o Palmeiras vencesse)?' (risos). Só quem conhece o ambiente da Bombonera sabe o que ele quis dizer", conta o treinador.

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Ubaldo Aquino Arbitro Egito Arabia Saudita Copa das Confederações 29/07/1999
Ubaldo Aquino em ação, em 1999

"Muitas pessoas acham que os profissionais depois de um jogo em que discutem e brigam nem se olhar, mas no futebol não é assim. O pós-jogo é mais solto, light. Dentro do campo, é cada um defendendo seu trabalho, mas depois tem o lado lúdico, que é muito importante", revela Roth.

A família Aquino, aliás, não dá mesmo sorte aos brasileiros: na Libertadores de 2013, quando o Corinthians foi prejudicado pela arbitragem contra o próprio time xeneize, o bandeirinha da partida era Rodney Aquino, ninguém menos do que o filho de "Roubaldo" Aquino, que parou em 2003.

Naquele 7 de junho, na capital argentina, o clube alviverde fez grande partida e ficou duas vezes à frente do placar na casa do rival, com gols de Alex e Fábio Júnior. No entanto, Schelotto, cobrando o pênalti mal marcado por Aquino, e Barijho empataram para o Boca. Mais de uma década depois, o comandante gaúcho garante que o Palmeiras merecia vencer em Buenos Aires.

"Fizemos uma partida excepcional, e certamente merecíamos a vitória, mas, por muitas coisas, acabamos empatando. Foi um jogo de alta categoria, contra aquele super-time do Boca que venceu três Libertadores em poucos anos. Carlos Bianchi como técnico, e jogadores como Riquelme, Córdoba, Ibarra, Bermúdez, Schelotto...", relembra.

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Celso Roth Felipe Treino Palmeiras 23/03/2001
Celso Roth e o lateral/meia Felipe durante treino do Palmeiras, em 2001

"Depois do jogo, o Argel era um do mais revoltados, mas o grupo todo ficou nervoso, porque sentimos que tínhamos a possibilidade e merecíamo ganhar, e pela maneira que aconteceram os erros de arbitragem, foi um pouco além do limite...", lembra.

No jogo de volta, o Palmeiras não teve a mesma atitude do jogo na Bombonera e começou muito mal, vendo o Boca abrir 2 a 0 na primeira etapa. Na base da raça, contudo, a equipe palestrina buscou o 2 a 2 no Parque Antarctica lotado.

Na hora dos pênaltis, porém, brilhou a estrela do goleiro Córdoba...

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Arce Galeano Lamentam Penalti Perdido Palmeiras Boca Juniors Libertadores 13/06/2016
Arce lamenta após perder pênalti em 2001

"O que nos prejudicou na segunda partida foi a expulsão do (zagueiro) Alexandre, logo aos 15 minutos. Jogamos com 10 e o Boca abriu 2 a 0 no primeiro tempo. Corremos atrás e empatamos, mas perdemos nos pênaltis. Tivemos muito azar, porque nossos dois melhores batedores erraram: o Arce e o Alex. Essas coisas acontecem, mas não diminuem em nada a importância deles para o time, pois são dois craques e jogadores fantásticos, além de ídolos da torcida", relata.

"Até hoje, o Palmeiras é um dos trabalhos que mais guardo com carinho em toda a minha carreira", acrescenta Roth, que teve o Vasco como último time, em 2015.

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Riquelme Boca Juniors Alexandre Palmeiras Libertadores 13/06/2001
Alexandre (dir) marca Riquelme: zagueiro foi expulso no jogo de volta

"Lopes poderia ter sido o novo Riquelme"

Durante sua passagem pelo Palmeiras em 2001, em meio ao desmanche do grande time da "era Parmalat", Roth se lembra bem do meia Lopes, que teve um primeiro semestre espetacular naquele ano e acabou como artilheiro da Libertadores, com nove gols.

Gazeta Press
Celso Roth Treino Palmeiras 18/07/2001
Celso Roth durante os tempos de Palmeiras

Segundo o treinador, o "Tigrão", como Lopes era conhecido, tinha potencial para ser um "novo Riquelme".

"Eu não me lembro do Lopes jogar tanta bola igual jogou naquele período. Ele é um daqueles meias que hoje em dia não temos mais. Ele não tinha muita experiência e maturidade, mas concluía de maneira espetacular para o gol. Tinha características diferentes, mas poderia ter sido um novo Riquelme, sim", cita Roth.

"O Riquelme administrava o time, mas o Lopes era incisivo, agudo, partida muito mais para o gol. Fisicamente, era mais rápido, além de mais jovem, que o Riquelme", completa.

Nada disso aconteceu com Lopes, porém. Após começar a brilhar, a carreira do meia degringolou, em meio a problemas com drogas. Ele ainda teve chances em grandes times, como Santos, Atlético-MG, Cruzeiro e Fluminense, mas nunca mais foi o mesmo. Hoje, aos 37 anos, é apenas uma sombra daquele jogador de 2001.

"O futebol brasileiro, infelizmente, é assim. Muitos se perdem pelo caminho. Nós formamos apenas atletas, e não cidadãos. Ele era um talento fantástico, e é triste ver o caminho que as coisas tomaram", emociona-se o comandante, aos 58 anos.

UK/ALLSPORT/GETTY IMAGES
Lopes Palmeiras Sao Caetano Libertadores 16/05/2001
Lopes em ação pelo Palmeiras em 2001: artilheiro da Libertadores, com nove gols

"O Lopes estava em um momento tão bom em 2001 que o Felipão chegou até cogitar chamá-lo para a seleção. A partir disso, porém, ele teve uma queda brusca. Não estava preparado para todo o deslumbre que o futebol proporciona", continua.

"Ele era um caso muito delicado. No meu período com ele, também tive que administrar algumas situações adversas. Felizmente, à época nos conseguimos contornar. Depois do Palmeiras, no entanto, a carreira dele não foi tão bem quanto eu imaginava", finaliza.

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