Ouro olímpico não vai 'salvar' futebol feminino no Brasil, diz técnico da seleção

Igor Resende, do Rio de Janeiro (RJ), para o ESPN.com.br
Getty
Vadão não acha que medalha olímpica vá ajudar o futebol feminino a crescer
Vadão não acha que medalha olímpica vá ajudar o futebol feminino a crescer

Em 2004, o Brasil driblou toda a falta de investimento e chegou a uma surpreendente final olimpíada do futebol feminino. Acabou derrotado só na prorrogação pelo potente Estados Unidos e deu a esperança de mudanças na forma de encarar o esporte por aqui. Doze anos depois, agora em casa, o país está prestes a estrear mais uma Olimpíada. Mas nada mudou! O investimento não veio, o crescimento ficou para depois. E desanimou até os mais próximos de tudo isso.

A dois dias da estreia, o técnico Oswaldo Alvarez, o Vadão, não mostrou nenhuma empolgação com a chance de gerar mudanças. Para ele, nem o ouro olímpico vai ‘salvar' o futebol feminino por aqui.

"Vamos supor que a gente ganhe a medalha de ouro para dar um grande impulso à modalidade. No dia seguinte, vai ter futebol feminino nas escolas? No dia seguinte, as prefeituras vão decidir fazer uma escolinha de futebol feminino? O que nos falta é isso. O incentivo social. Eu não acredito nessa responsabilidade da medalha para salvar o futebol feminino. Ele só será salvo quando todo mundo pegar e falar: ‘Vamos desenvolver realmente a modalidade do futebol feminino no Brasil", disse o comandante da seleção.

"Nós não podemos não jogar futebol feminino no Brasil. Temos poucas equipes que jogam, mas não temos foco. Se cada prefeitura pegasse o mesmo professor que dá aula no masculino e colocasse no feminino nós teríamos hoje um Brasil muito mais forte", completou, em outra parte da resposta.

Em coletiva, Marta comenta ansiedade de jogar no Brasil e busca por novo ciclo na seleção

Desde aquela final olímpica de 2004, o futebol feminino não conseguiu deslanchar de fato. Marta surgiu e foi eleita a melhor do mundo por cinco anos consecutivos, mas construiu - e ainda constrói - boa parte de sua carreira fora do país. Por aqui, o Santos até formou uma forte equipe, mas a desmontou por falta de investimentos.

O país até conta com um campeonato atualmente, mas com poucas equipes e com repercussão mínima. Tanto é que a CBF criou uma seleção fixa para ajudar as jogadoras a se manterem empregadas e em atividade durante todo o ano - dessa equipe, por exemplo, saíram as duas goleiras convocadas para a Olimpíada.

Em termos de desempenho, a seleção até repetiu a prata na Olimpíada de Pequim, em 2008, mas caiu ainda nas oitavas de final quatro anos depois, em Londres. Em Copas do Mundo, a performance também despencou: do vice em 2007, para a queda nas quartas em 2011 e nas oitavas em 2015.

No Rio de Janeiro, a seleção de Vadão caiu em um grupo com China, Suécia e África do Sul. A estreia é na quarta-feira, diante das chinesas, na capital carioca.

"A China evoluiu muito e os resultados são convincentes, um futebol moderno e competitivo. Temos que estar tranquilos e muito cientes do que estamos trabalhando", analisou o treinador.

Neste ano, são 12 seleções classificadas divididas em três grupos. As duas melhores de cada chave avançam direto para as quartas de final, que serão completadas pelas outras duas melhores terceiras colocadas.

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