Após 6 medalhas , 'senhor judô' do Brasil agora luta com refugiados

Jean Pereira Santos, do Rio de Janeiro (RJ)
Divulgação / Instituto Reação
'Senhor judô', Geraldo Bernardes participará de sua quinta Olimpíada, agora com os refugiados
'Senhor judô', Geraldo Bernardes participará de sua quinta Olimpíada, agora com refugiados  

"Agora é pela parte social, pela solidariedade humana!"

A frase acima é de um senhor de 73 anos pouco conhecido do público em geral, mas que já ajudou o judô do Brasil a ganhar seis medalhas olímpicas em quatro edições dos Jogos.

Não é pouca coisa!

O 'senhor judô' é Geraldo Bernardes, técnico do time nacional na modalidade de 1988 a 2000 e um dos responsáveis diretos pelas medalhas de Aurélio Miguel (ouro em Seul-1988 e bronze em Atlanta-1996), Rogério Sampaio (ouro em Barcelona-1992), Henrique Guimarães (bronze em Atlanta-1996), Tiago Camilo e Carlos Honorato (ambos prata em Sydney-2000).

Após os Jogos na Oceania, ele deixou o comando da seleção, precisou passar por uma cirurgia cardíaca e teve que colocar duas pontes de mamária e quatro de safena.

Parar? De jeito nenhum.

"Entre colocar o pijama ou ajeitar o quimono e recomeçar, escolhi a segunda opção. Conquistas esportivas são como páginas viradas, glórias passageiras... Ajudei na conquista de seis medalhas olímpicas, mas tudo ficou pequeno diante do que faço hoje, que é transformar pessoas como Rafaela, que tinha poucas perspectivas, em campeãs no esporte e na vida", disse ao site da Confederação Brasileira de Judô em janeiro deste ano.

William Lucas/Inovafoto
Rafaela Silva se recuperou e ficou com o bronze
Rafaela Silva é cria de Geraldo Bernardes

A Rafaela da qual ele fala é a Silva, dona de três medalhas em Mundiais de judô (um ouro e dois bronzes) e esperança brasileira de pódio no Rio-2016. Hoje com 24 anos, a carioca tem orientação de Geraldo Bernardes desde os 8, quando passou a treinar no projeto social tocado por ele e o ex-judoca Flávio Canto a partir de 2000 em um local bem próximo à Cidade de Deus, uma das mais conhecidas favelas do Rio de Janeiro. 

"Ela tá comigo desde pequenininha... Sou suspeito, mas é um orgulho, porque lá a guerra é diferente!", disse à reportagem do ESPN.com.br na manhã desta segunda-feira, durante uma atividade na Vila Olímpica. Outro judoca que tem orientação de Bernardes e estará na Olimpíada é Victor Penalber. 

E quando Bernardes achou que apenas assistiria a mais uma edição dos Jogos, veio o convite dos Comitês Olimpicos Internacional e Brasileiro (COI e COB, respectivamente) para ser o técnico de dois dos dez refugiados que disputarão o Rio-2016 sob a bandeira olímpica.

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Nascidos na República Democrática do Congo, Popole Misenga e Yolande Bukasa Mabika desertaram durante o Mundial de judô no Rio, em 2013, quando foram abandonados passando fome no hotel em que estavam hospedados.

"Eles começaram a treinar com a gente lá no Instituto [Reação] trazidos pelo Flávio Canto, em abril de 2015, mas no começo era só para eles matarem a saudade de lutar mesmo. Depois, quando o COI decidiu que alguns refugiados poderiam disputar a Olimpíada, aí aconteceu tudo isso", explicou Bernardes.

Divulgação
Yolande Bukasa Mabika Popole Misenga judocas refugiados
Popole Misenga e Yolande B. Mabika , judocas refugiados têm orientação do 'senhor judô'

E não dá saudades do time brasileiro? "Oficialmente, é aqui, com os refugiados, mas sempre que dá, vou lá [com a seleção brasileira]. Alguns dias atrás mesmo eu estava lá em Mangaratiba com eles, dando uma palestra."

Vencedor e com histórias de superação e exemplo de sobra, dá-se ao luxo de não focar mais em resultados apenas: "Agora é pela parte social, pela solidariedade humana!" 

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