Amigos de infância precisaram quebrar canoa de propósito para competir e foram campeões

Bianca Daga, do ESPN.com.br
Aquivo pessoal
Charles Corrêa e Anderson Oliveira canoagem slalom arquivo pessoal
Charles Corrêa e Anderson Oliveira vão disputar os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro

Quem nunca teve problemas com excesso de bagagem na hora de viajar ou se preocupou antes mesmo em não exagerar na hora de arrumar as malas? Imagina, então, como seria precisar viajar com uma canoa.

Foi assim que Charles Corrêa e Anderson Oliveira passaram apuros certa vez. Mas o episódio terminou com a medalha de ouro, um dos resultados expressivos conquistados pela dupla de canoagem slalom antes de chegar aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

A confusão se deu em 2013, durante o Campeonato Pan-Americano de Tula, no México. Mas com o famoso jeitinho brasileiro, tudo se resolveu.

"Nossa embarcação era um pouco grande. Aí, na hora do check in (em São Paulo), disseram que não podíamos despachar a canoa. Eu perguntei se, cortando uma parte, estaria resolvido. Então peguei uma serra da nossa mochila de materiais e serrei 30 centímetros na traseira. Chegando lá, demoramos umas duas horas para consertar e usamos no dia seguinte. Na hora de voltar ao Brasil, precisamos fazer a mesma coisa", contou Charles ao ESPN.com.br.

E no fim, tudo deu mais do que certo. A canoa que eles levavam para a viagem tinha 4,10m e pesava 15kg. Para consertá-la, os materiais usados foram fibra de carbono e resina. A embarcação remendada se tornou o amuleto da sorte. Charles e Anderson, que na época competiam juntos há apenas um ano, foram campeões na categoria C2, canoa em dupla.

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"Como a embarcação é maciça, era fácil cortar um pedaço e depois arrumar também. Não fez diferença nenhuma na hora de competirmos. Essa viagem ficou mesmo marcada para nós. Também porque, na ida, fizemos escala de umas três horas nos Estados Unidos e conhecemos a neve. E ainda conquistamos o título. Foi perfeito"

Experiência de vida interessante de dividir com alguém de quem se é amigo há tampo tempo. Com eles, é assim. Charles e Anderson são da mesma cidade, Piraju (SP) - aproximadamente 320 km de São Paulo - e se conhecem desde que começaram a estudar juntos, na quarta-série.

Mais tarde, quando tinham 13 e 14 anos, respectivamente, conheceram o mundo da canoagem. Foi no projeto "Navega São Paulo", na cidade natal deles. No entanto, enquanto Charles foi para a categoria C1 (canoa individual), Anderson seguiu na k1 (caiaque).

Então, em 2012, os amigos de infância decidiram se unir em busca do sonho olímpico. Para isso, passaram a competir juntos na C2, categoria de canoa em dupla. Os resultados logo começaram a aparecer: tricampeões brasileiros (2012 a 2014), bicampeões pan-americanos (aquele da canoa remendada e outro, em 2014) e conquistaram prata nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no ano passado.

Neste ano, ficaram na nona colocação na primeira etapa da Copa do Mundo, na Itália. Além das seletivas nacionais, realizadas em março, foi esse o resultado decisivo para que Charles e Anderson assegurassem vaga nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. As disputas de canoagem slalom começam neste domingo, a partir de 12h30 (de Brasília).

"A comissão técnica gostou bastante da nossa parceria. Foi a melhor escolha que fizemos porque o fato de sermos amigos ajuda muito na sintonia para competir. Já sabemos quando o outro está estressado e tudo mais. Estamos muito felizes e, agora, o objetivo é chegar à final para brigar por uma medalha inédita para o Brasil."

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