Ele teve casa cercada pela torcida e vivia com medo, mas sonha com volta ao Palmeiras

Francisco De Laurentiis e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
MARCELO FERRELLI/Gazeta Press
Diego Souza Comemora Gol Palmeiras Santo Andre Copa do Brasil 12/05/2004
Diego Souza (esq) e o 'parça' Vagner Love comemoram gol pelo Palmeiras, em 2004

Diego de Souza Gama Silva definitivamente não teve muitos dias tranquilos enquanto defendeu o Palmeiras, seu time de coração. Afinal, o meia jogou no clube alviverde entre 2002 e 2007, alguns dos anos mais turbulentos da história palestrina, e passou por diversos episódios amedrontadores. Tanto tempo depois, aos 32 anos e jogando no Montedio Yamagata, da segunda divisão japonesa, ele sonha apenas com uma coisa, apesar de tudo: voltar ao Palmeiras, já que as boas memórias falam mais alto.

Revelado na base palmeirense, ele subiu para a equipe principal em 2002, a pedido do técnico Vanderlei Luxemburgo. À época, atuava ainda como lateral esquerdo, mas depois o canhoto virou meia.

"Minha estreia foi contra o Bahia [pela Copa dos Campeões, dia 3 de julho de 2002] e sabe quem eu tive que marcar? Ninguém menos que o Daniel Alves, que era o lateral direito deles. Só isso (risos)!", conta Diego Souza, em entrevista ao ESPN.com.br.

"Ele era um ano mais velho, mas fiz um gol e nós goleamos por 4 a 0. Ganhei a confiança do Luxa, mas depois ele saiu do Palmeiras, o Murtosa assumiu e toda a molecada desceu de novo para a base", recorda.

Em 2002, Diego Souza marcou Daniel Alves e fez gol em estreia pelo Palmeiras

Diego retornaria ao elenco principal para ser o camisa 10 no ano seguinte, em 2003, após o Palmeiras ser goleado por 7 a 2 pelo Vitória no Palestra Itália, pela Copa do Brasil. Na partida de volta, o armador e seus parceiros de base Vagner Love e Edmilson entrariam de vez na equipe e venceriam os baianos por 3 a 1, ganhando a confiança do técnico Jair Picerni e também o apoio dos torcedores palmeirenses.

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Diego Souza Palmeiras Deportivo Tachira Libertadores 10/03/2005
Diego Souza em ação pelo Palmeiras na Libertadores de 2005

"Eu sou da geração que foi vice da Copa São Paulo, 80% do nosso time acabou indo para o profissional. Tinha caras bons, como o Love, Edmílson, Alceu, Deola, Bruno, Gláuber... Depois daquele 7 a 2, nós entramos de vez no time e nos destacamos na Série B. Cheguei até a ser convocado pela seleção sub-20 para disputar o Pan", lembra.

Com grandes atuações na Segundona, Souza foi decisivo para dar o título ao clube paulista, até hoje o maior orgulho de sua carreira, que também teve passagens por clubes como Joinville e Portuguesa no futebol brasileiro.

"Muitos torcedores ainda lembram de mim. Nós entramos no time quando estava lá embaixo na Série B e levamos até o título. Estou na história do Palmeiras, pois eu era o camisa 10 daquela equipe. Mesmo com críticas de alguns torcedores, os fanáticos sabem o que eu fiz pelo clube. Eu ajudei a recolocar o Palmeiras no lugar do qual ele nunca deveria ter saído, e é o título mais importante da minha carreira. É meu grande orgulho", celebra.

Depois da Série B, Diego Souza viveu altos e baixos no Palmeiras, assim como o próprio clube, que demorou para se reerguer após o rebaixamento de 2002.

O meio-campista alternava momentos de bom futebol e titularidade com outros nos quais ficava encostado no banco ou acabava emprestado para o futebol japonês, defendendo times como Vissel Kobe, Kashiwa Reysol e Tokyo Verdy.

Até hoje ele se lembra dos apuros que passou em São Paulo.

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Diego Souza Comemora Trofeu Serie B Palmeiras 29/11/2003
Diego Souza comemora a conquista da Série B

"A situação mais complicada que vivi no Palmeiras foi depois que empatamos por 4 a 4 com o Santo André e fomos eliminados, nas quartas de final da Copa Do Brasil, em 2004. Eu voltei para casa, chateado pra caramba, e havia 50 torcedores na porta da minha casa para me cobrar", relata.

"Cheguei, conversei e disse que a culpa não era só minha. Quando estávamos ganhando de 4 a 2, o Jair Picerni me tirou para colocar um zagueiro e segurar o resultado, mas não deu certo. No final, consegui falar com os caras e resolvemos, mas fiquei preocupado porque sabiam aonde era minha casa", ressalta.

Segundo Diego, jogar em clube grande tem o ônus e o bônus.

"A pressão é enorme, e você precisa estar ligado todo os dias. Para você ter uma noção, quando o Palmeiras perdia um jogo, eu não podia sair nem para ir ao shopping. Só ia quando vencia (risos). Eu ia com meus pais comer uma pizza, mas quando perdia eu tinha que pedir em casa. E olha que corria o risco até do motoboy ser palmeirense e me cobrar (risos). Agora, com as rede sociais, deve estar uma pressão ainda maior", analisa.

Já em 2005, o armador também se envolveu em uma grande polêmica ao discutir de maneira forte com o técnico Estevam Soares, depois de ser colocado em campo pelo treinador e substituído apenas sete minutos depois no empate por 2 a 2 com o União São João, pelo Campeonato Paulista.

Eles bateram boca no banco de reservas, e o caso repercutiu em todo o país. Depois, Soares ainda bateu forte, dizendo que Souza havia entrado mal na partida por ter caído na noite antes da partida. O meio-campista terminaria afastado do elenco e emprestado ao Vissel Kobe, do Japão, enquanto o treinador acabaria demitido dias depois pela diretoria alviverde.

11 anos após isso, Diego garante que está tudo certo entre os dois.

"O caso com o Estevam foi uma fatalidade. É uma coisa que ganhei muita experiência e nunca mais faria na minha carreira. Com toda a vivência que tenho hoje, se acontecer com algum colega, eu falaria para ele que não vale a pena", discursa.

Em 2005, Diego Souza xingou Estevam Soares após ser substituído e acabou afastado do Palmeiras

O meia lembra até hoje os detalhes do ocorrido.

"O Estevam era um cara que eu gostava, porque me dava muitas oportunidades. Naquele dia, ele me colocou e depois de 7 minutos me substituiu pelo Thiago Gentil, que me falou: 'Diego, calma'. Eu respondi: 'Estou calmo'. Eu lembro que saí de boa. Quando estava vindo para o banco, olhei para cara do Estevam, que não olhou para mim, daí o sangue subiu e eu explodi. Se ele tivesse falado qualquer coisa não teria tido problema, mas me senti na hora desrespeitado e achei que ele tinha feito pouco caso. Mas me arrependo muito desta atitude até hoje", assegura o meio-campista.

Divulgação
Diego Souza Montedio Yamagata Japão
Diego Souza hoje joga no Japão, aos 32 anos

"Depois desse caso, falei com ele e pedi desculpa pessoalmente. Depois, fui enfrentá-lo contra a Ponte Preta, no Moisés Lucarelli, dei um abraço e pedi desculpas de novo. Hoje, está tudo certo entre nós, graças a Deus", completa.

Após o epísódio, o atleta conta que passou a aconselhar companheiros de equipe mais jovens, impedindo que eles tomassem atitudes parecidas, e, por consequência, prejudicassem suas carreiras, ficando marcados por episódios semelhantes.

"No fim, isso foi muito bom para minha vida, porque aprendi muito. Já pude aconselhar muitos jogadores que estavam nervosos a não terem esse tipo de atitude. Só traz coisas ruins, eu lembro disso até hoje e as pessoas lembram disso sempre. O treinador é quem manda, se quiser me tirar com 3 minutos eu vou respeitar. Você vai fazer o que? Nada. Você precisa estar sempre bem e disposto e respeitar", brada o veterano.

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Palmeiras Posado Santos Campeonato Paulista 01/02/2004
Palmeiras posado em 2004: Diego Souza é o 3º agachado da direita para a esquerda

Aos 32 anos, Diego Souza diz que quer jogar pelo menos mais cinco ou seis, se possível vestindo mais uma vez a camisa palmeirense antes de pendurar as chuteiras.

"Eu fui da base, vesti muitos anos a camisa, ganhei título, e meu sonho profissional é voltar um dia ao Palmeiras, que é minha casa. Eu entrei no clube com 15 anos, e as saudades que eu tenho do Palestra Itália são gigantes", encerra o meia.

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