Trabalhador, inteligente e 'descoordenado': Vascaínos relembram duelo histórico contra Duncan

Gustavo Faldon e Luís Araújo, para o ESPN.com.br
Reveja 10 grandes jogadas da incrível carreira de Tim Duncan na NBA

Os arremessos com a ajuda da tabela, a categoria para se virar com a bola nas mãos, a inteligência e a presença intimidadora dentro do garrafão para defender a cesta foram algumas das razões pelas quais Tim Duncan se consagrou como um dos melhores jogadores da história do basquete. Naquele 16 de outubro de 1999, essas características apareceram de maneira marcante para alguns brasileiros.

Foi nesta data que o Vasco encarou o San Antonio Spurs na decisão do extinto McDonald's Championship, que funcionava como uma espécie de campeonato mundial e que acontecia de dois em dois anos. O jogo foi em Milão, na Itália. Os então campeões da NBA levaram a melhor por 103 a 68 liderados justamente por Duncan, que somou 32 pontos e 18 rebotes na partida.

"O que mais me chamou a atenção era o foco dele", afirma o ex-ala Rogério Klafke, uma das principais peças daquele time do Vasco, ao ESPN.com.br. "Ele mudava bem pouco a fisionomia. Podia fazer algo fantástico ou uma besteira enorme que estava sempre do mesmo jeito, sempre focado e concentrado. O que ele mostrou em quadra foi o que realmente vínhamos acompanhando, que era um jogo simples e eficiente."

"Eu tentava evitar as infiltrações porque ele era grande e saltava bem", lembra Demétrius Ferracciú, que também defendia o Vasco naquela época e hoje é técnico do Bauru. "Em 1999 ele tinha acabado de ser campeão da NBA pela primeira vez e já mostrava que era uma estrela, alguém de carreira brilhante pelo potencial que tinha." 

A decisão em Milão pode ter ficado marcada para os dois ex-vascaínos como uma oportunidade de ter visto bem de perto todo o potencial de Duncan, mas não foi a primeira vez que os caminhos deles se cruzaram. Isso ocorreu em 1994, antes do Mundial masculino que foi realizado em Toronto e teve os Estados Unidos como campeões.

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O pivô venezuelano Vargas marca Tim Duncan em histórica partida do Vasco no basquete
O pivô Vargas marca Tim Duncan em histórica partida do Vasco no basquete

Antes de um dos treinos da seleção brasileira, que acabou coincidindo com o fim de uma atividade dos americanos, Rogério lembra ter visto um rapaz alto e magro em quadra. Era um jovem que nem fazia parte do time principal dos EUA, mas que estava cercado de treinadores que o ensinavam a cobrar lance livre.

"Aquilo me chamou a atenção, fiquei pensando o que será que queriam com aquele cara que parecia descoordenado para um atleta de altíssimo nível. Não sabia quem era na hora e nem me pareceu alguém de talento evidente, mas os técnicos lá já haviam identificado um grande potencial e o levavam para ter experiência ao lado de grandes jogadores, por isso também muitos técnicos estavam em volta dando dicas. Isso me marcou muito, e só depois fui descobrir que era o tal do Tim Duncan", recorda-se Rogério.

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Demétrius acabou não disputando aquele Mundial, mas fez parte da etapa de preparação da seleção brasileira antes da viagem para o Canadá e lembra de também ter visto Duncan com o time americano. "Ele estava junto, mas não ficava nem entre os 12 relacionados. Era um garoto que o pessoal lá trabalhava para o futuro", conta.

Esse trabalho deu certo. O resto da história o mundo inteiro conhece. Duncan foi a primeira escolha do Draft de 1997, sagrou-se cinco vezes campeão da NBA conquistou dois prêmios de MVP e registrou muitos outros feitos impressionantes em uma carreira que durou 19 anos.

Dois outros brasileiros tiveram a oportunidade de atuar ao lado dele durante essa trajetória. Um foi o pivô Tiago Splitter, que hoje defende o Atlanta Hawks, mas que se tornou o primeiro atleta do país campeão da NBA em 2014, quando fez parte da campanha vitoriosa dos Spurs. O outro foi o ala Alex Garcia, que passou por San Antonio entre 2003 e 2004, pouco depois de ter dado um toco nele em um duelo contra a seleção dos EUA pelo Pré-Olímpico. 

A primeira definição dele sobre Duncan explica muita coisa sobre essa história de sucesso profissional. "Era muito trabalhador, o primeiro a chegar nos treinos e o último a sair", aponta Alex.

Fora das quadras, o craque dos Spurs não era de muitas palavras. "Mas dentro de quadra ele falava tudo o que não falava fora. Até por ver as coisas de frente, ele se comunicava bastante com o resto do time e direcionava os jogadores para onde ir. Era um líder nato, incentivava todo mundo e nos orientava demais, tanto nos treinos como nos jogos", diz o brasileiro.

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O período de Alex em San Antonio coincide com o auge da carreira de Duncan. É justamente por isso que todos no elenco tinham plena confiança no camisa 21. "A gente sabia que podia dar a bola na mão dele porque ele resolveria", observa. 

O desempenho de Duncan não era mais o mesmo nos últimos anos, algo natural para qualquer atleta que se aproxima da aposentadoria. Mas isso não quer dizer que ele não vinha sendo importante para os Spurs. Longe disso. Além de ter continuado entre os titulares, foi uma das peças fundamentais para o sistema defensivo da equipe -- o mais eficiente da temporada passada, tendo sofrido em média 96,6 pontos a cada 100 posses de bola. 

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Qual o segredo para alguém tão bom ter conseguido se manter relevante por tanto tempo na NBA, ao ponto de não perder a titularidade em um time bastante competitivo e de ter sido convocado 15 vezes para o "All-Star Game"? 

Alex responde: "É claro que o talento era enorme, mas ele só fez tudo isso na NBA por tanto tempo porque trabalhava muito e era inteligente demais. Não era muito forte, mas sabia usar a força no momento certo e tinha muita categoria para desequilibrar."

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