Zagallo previu que Baggio erraria pênalti na final da Copa de 94

Leonardo Ferreira e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
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1994 - Baggio: chegou na final e isolou o pênalti mais importante da vida
1994 - Baggio: chegou na final e isolou o pênalti mais importante da vida

Poucas pessoas - ou nenhuma - foram tão importantes para a história da seleção brasileira quanto Mário Jorge Lobo Zagallo. Aniversariante do dia, ele completa, neste 9 de agosto, 85 anos, com nada menos do que sete Copas do Mundo no currículo e quatro títulos.

Em 1994, o "Velho Lobo", como ficou conhecido, era auxiliar técnico de Parreira na conquista do Mundial depois de 24 anos de jejum. 

Depois de uma campanha cheia de sofrimento, o Brasil chegou até a final contra a Itália. Após o 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, a taça só seria decidida nos tiros de 11 metros pela primeira vez na história.

A disputa de penalidades estava 3 a 2 para o Brasil. O último cobrador italiano seria Roberto Baggio. Melhor jogador do mundo no anterior e um dos melhores batedores da história.

Todos estavam aflitos, menos Zagallo...

Zagallo, 85 anos: uma pequena homenagem ao 'Velho Lobo' 

"Na hora dos pênaltis, o Parreira estava tão nervoso que não queria nem ver as cobranças. Daí, quando o Baggio foi caminhando para bater o dele, meu pai pegou no braço dele e disse: 'nós vamos ser tetracampeões agora, no chute dele, você vai ver, ele vai perder'", lembra Paulo Zagallo, filho do "Velho Lobo" e que hoje tenta sua caminhada como técnico de futebol como seu progenitor.

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Roberto Baggio reage após perder o pênalti decisivo na final da Copa de 1994; Brasil vence a Itália e fica com o título
Baggio ficou decepcionado com pênalti

Tamanha convicção, em meio ao nervosismo da decisão nas penalidades, fez o treinador brasileiro estranhar a situação e perguntar o por quê.

"Porque Roberto Baggio tem 13 letras (risos)", gargalha Paulo, recordando da superstição infálivel do pai.

"Imagina... naquela adrenalina, ele foi lá e contou o nome da camisa para dar a conta certa. Porra, um cara daquela categoria isolou o pênalti (risos). O Parreira foi lá e deu um abraço no meu pai (risos)", comenta.

O começo do 13 

A superstição de Mário Zagallo com o número 13, que correu todo o mundo consigo, começou com dois de seus grandes amores na vida: sua esposa, Alcina de Castro Zagallo, com que ficou junto por 57 anos, e o Botafogo de Futebol e Regatas.

"Começou na vida dele quando ele se casou com a minha mãe, que era devota de Santo Antônio e gostava do número. Dai, foi campeão em 58: 5+8=13. Começou em 67 no Botafogo como treinador e foi campeão: 6+7=13. Depois foi campeão como auxiliar em 94: 9+4=13 (risos)", prova Paulo, com a matemática perfeita e exata como ela é.

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Zagallo Futebol Divulgação
Paulo e seu pai  Mário Zagallo 

Nem mesmo os patrocinadores da seleção brasileira escapavam de sua conta.

"Meu pai e o Parreira sempre trabalharam juntos e sempre se deram muito bem. Ele garantia que o Brasil seria campeão e começou com as coisas dele. Os patrocinadores da seleção eram Umbro e Coca-Cola, as duas juntas têm 13 letras. 'Tetracampeões' tem 13 letras também", lembra.

Carinho nos times do Rio de Janeiro

Não foi só no Botafogo que Zagallo teve grandes lembranças, No grande rival alvinegro, o Flamengo, o "Velho Lobo" conquistou sete títulos, sendo dois Campeonatos Cariocas, quatro Taças Guanabara e uma Copa dos Campeões.

"Meu pai tem carinho por Flamengo e Botafogo. Ganhou muitos títulos nos dois clubes", conta Paulo.

Mas é, realmente, o Botafogo que ficou no seu coração por tudo que ganhou.

Ele começou a carreira de treinador no Botafogo e venceu muito. Os times do Botafogo de 67 e 68 era quase todo do time juvenil antes. Chamaram ele para assumir e ele subiu oito jogadores para o profissional, O Botafogo ganhou tudo. As pessoas iam para saber só de quanto seria a vitória. Ele, em sete anos ,venceu muitos títulos", recorda.

"Eu acho que ele foi reconhecido por tudo que fez no futebol, mas o Parreira e Admildo Chirol (preparador físico) falaram que, se fosse da Europa, ele teria um busto em cada praça pública em homenagem por tudo que fez no futebol (risos)", brinca Paulo, sobre o reconhecimento do pai no futebol brasileiro.

Aniversário no hospital, saúde debilitada e a tocha olímpica

Em cadeira de rodas, Zagallo carrega tocha ao lado de Parreira

Mário Jorge Lobo Zagallo emocionou a muitos quando apareceu no Rio de Janeiro para levar e desfilar com a tão estimada tocha olímpica ás vésperas da Olimpíada na cidade, que é nada mais, nada menos, que a primeira em solo sul-americano na história.

De cadeiras de rodas, ele recebeu o objeto flamenjante das mãos de Carlos Alberto Parreira, com quem trabalhou por muitos anos. Sua nítida saúde debilitada estava estampada em todos os jornais e canais de televisão brasileiros. Nada, porém, que não o fizessem sorrir no inesquecível momento. Veja o vídeo acima!

"A ansiedade é muito grande, a expectativa começou na Grécia e eu em casa, mas estava acompanhando tudo. A tocha está voltada para o mundo. O mundo é o Brasil. Essa tocha para mim é um símbolo", disse Zagallo em entrevista ao SporTV.

O fato levou muitos às lágrimas, inclusive Zé Elias, ex-jogador de futebol e hoje comentarista dos canais ESPN. No Bate Bola, ele se emocionou ao ver o ex-treinador. Veja abaixo!

Zé Elias se emociona com imagem de Zagallo carregando tocha olímpica

Apenas quatro dias depois, no entanto, o ídolo do futebol brasileiro acabou internado em um hospital na zona oeste do Rio de Janeiro. Sem dar muitos detalhes, o centro médico confirmou a presença de Zagallo no local, em estado de observação.

"A direção do Hospital Barra D'Or informa que Mário Jorge Lobo Zagallo encontra-se internado, recebendo assistência médica", informa um comunicado emitido pelo hospital.

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