Euro vê ressurreição de esquema que Felipão usou na Copa-2002 e estava 'fora de moda'

Francisco De Laurentiis, de Paris (FRA), para o ESPN.com.br
Claudio Villa/Getty Images
Barzagli Bonucci Chiellini Italia Espanha Euro-2016 27/06/2016
Itália fez sucesso com o 3-5-2 centrado em Barzagli (15), Bonucci (19) e Chiellini

O esquema 3-5-2 está, definitivamente, de volta à moda na Europa.

Utilizada por Luiz Felipe Scolari na conquista do penta com a seleção brasileira, em 2002, mas em desuso desde então, a formação tática foi empregada com sucesso por Itália e País de Gales na Eurocopa, além de ter sido "emprestada" pela Alemanha durante a competição.

O maior exemplo de sucesso é o italiano. Com um time bastante limitado na quesito talento, como os próprios jogadores e o técnico Antonio Conte (fã confesso da formação) admitiram, a Azzurra mostrou-se forte e capaz de enfrentar adversários de ótimo nível, como Espanha, Alemanha e Bélgica, de igual para igual.

Tudo por causa do esquema 3-5-2, centrado no trio de zagueiros da Juventus (também treinada por Antonio Conte, que também usava a formação na "Velha Senhora"): Barzagli, Bonucci e Chiellini, além de um meio-campo dinâmico e uma dupla de ataque entrosada.

Com País de Gales, a mesma coisa. Para aproveitar a criatividade de Ramsey, a velocidade de Bale e o faro goleador de Robson-Kanu, o treinador Chris Coleman (adepto do esquema durante toda a carreira) primeiro montou uma retaguarda sólida, na qual se destacam James Chester, Ashley Williams e Ben Davies, além dos meias Allen e Ledley e os alas Gunter e Taylor. Bale tem liberdade, e Robson-Kanu é o "matador".

A própria Alemanha fez uso do 3-5-2 durante a Euro, apesar de, desde a Copa do Mundo de 2014, ter se celebrizado pelo sucesso de seu 4-5-1, ou com centroavante fixo (o agora lesionado Mario Gomez), ou com "falso 9" (Mario Gotze, herói do tetra).

No jogo contra a Itália, porém, o técnico Joachim Low fez seu time atacar no 3-5-2, com Howedes, Boateng e Hummels ficando na zaga, Kimmich virando ala pela direita e Hector pela esquerda; Khedira (depois Schweinsteiger), Kroos e Ozil fazendo o meio; Thomas Muller e Mario Gomez na frente. Na hora de se defender, volta ao 4-5-1, com Howedes de novo na lateral direita, Hector na esquerda e Kimmich no meio.

"Você pode ver o quanto a Alemanha nos respeitou, a partir do momento em que eles mudaram o esquema tático deles só para jogar contra a gente", destacou Conte, logo após a derrota da Azzurra para os alemães, nos pênaltis, no último sábado.

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Hazard Belgica Pais de Gales Euro-2016 02/07/2016
Os três zagueiros da Gales em ação contra a Bélgica: Williams (6), Davies (4) e Chester (5)

"No geral, os sistemas foram 5-3-2 durante a Euro, já que os laterais fechavam até a primeira linha, que é a dos zagueiros. Tanto Itália quantos Gales conseguiram defender bem suas áreas e também a entrada no último terço do campo. Os adversários tiveram muita dificuldade para fazer infiltrações por conta disso", ressalta Renato Rodrigues, Coordenador e Analista de Desempenho do DataESPN, da ESPN Brasil.

"No momento ofensivo, cabia aos laterais dar amplitude (conceito de abrir o jogo se posicionando rente à linha lateral). Talvez seja na questão ofensiva que os times mais perdiam neste sistema. As equipes atacavam sempre com seis jogadores, já que zagueiros e um dos volantes faziam a organização por trás. Com isso, ficou difícil gerar superioridade numérica no momento ofensivo", acrescenta Rodrigues.

Gazeta Press
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Felipão usou 3-5-2 na conquista do Penta

O treinador considerado responsável pela ressurreição do 3-5-2 no futebol de seleções da Europa, além de Conte e Coleman, foi o holandês Louis van Gaal, com seu time no Mundial-2014, que chegou ao bronze apostando nesta formação na hora de atacar.

Na ofensiva, a Holanda de Van Gaal jogava no 3-5-2: Vlaar, De Vrij e Martins Indi na retaguarda, Jaanmat e Blind nas alas, De Jong, De Guzman e Sneijder no meio, Robben e Van Persie no ataque. Na hora de se defender, Jaanmat e Blind recuavam, formando uma linha de cinco atrás, que fez muito sucesso: a Oranje levou só quatro gols.

Após a Euro, ainda não se sabe se o esquema vai continuar sobrevivendo, mas é provável que sim.

Muito provavelmente será mantido por Gales, já que Chris Coleman está de contrato renovado até a Copa do Mundo de 2018 e deve seguir usando exatamente a mesma equipe nas eliminatórias. Já a Itália perderá Antonio Conte, que vai assumir o Chelsea, e passará a ser dirigida por Giampiero Ventura, que também deve continuar com a formação atual, já que o Torino, sua última equipe antes de chegar à seleção, também atuava desta maneira e fez sucesso no último Campeonato Italiano.

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Na semifinal da Eurocopa, o 3-5-2 galês vai combater o 4-4-2 de Portugal, que por vezes vira um 4-3-3 com a entrada de Quaresma na frente para formar o trio com Nani e Cristiano Ronaldo. Já o 4-5-1 alemão, que agora varia para um 3-5-2 durante o jogo, encara o 4-3-3 da França, que se destaca pelo forte trio de meio-campistas (Sissoko, Matuidi e Pogba) e ataque poderoso (Griezmann, Payet e Giroud).

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