Contra nariz empinado, ex-Palmeiras foi parar no interior e hoje brilha na Alemanha

Antônio Strini e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
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Roger Bernardo em ação pelo Palmeiras no clássico contra o Corinthians em 2015
Roger Bernardo em ação pelo Palmeiras no clássico contra o Corinthians em 2005

Que jogador não fica deslumbrado quando, ainda jovem, consegue ser titular de um grande clube? Pois foi o que aconteceu com Roger Bernardo, há dez anos, quando despontou no Palmeiras então comandado por Emerson Leão.

O volante ganhou um lugar entre os 11 iniciais e um novo contrato. Mas aí a nova vida atrapalhou o meio-campista, que levou bronca do técnico linha-dura e acabou sendo punido. Um castigo duro, de quase 450 quilômetros.

"Sou filho de um ex-jogador de futebol (Ari Bernardo). Ele jogou por Rio Claro, Independente de Limeira e Rio Branco. Comecei numa escolinha e fui ao União São Joao de Araras com 14 anos. Com 18 fui ao Palmeiras emprestado por um ano. Foi uma passagem muito boa por lá. Comecei com o Jair Picerni e depois com (Emerson) Leão, que foi um pai pra mim, ele renovou meu contrato por três anos", contou ao ESPN.com.br.

"Joguei como titular por 25 jogos no Palmeiras, e o Leão - depois que renovou meu contrato - me falou, para me dar uma lição e me colocar de castigo, para eu não ficar com nariz empinado, que eu já estava vindo treinar de bermudinha, chinelo e camiseta cavada (risos). Ele me emprestou ao América de São José Rio Preto, fiquei lá no Paulista de 2006", lembra Roger Bernardo.

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Ovada no aniversariante no CT do Palmeiras
Ovada no aniversariante no CT do Palmeiras

"Ele fez isso para eu não perder minhas origens: tinha 18 anos e, por estar em um clube grande, foi normal ficar assim. Eu comecei a entender mais como era a realidade do futebol e valorizar tudo o que eu tinha. Ele me ajudou e ensinou muito, agradeço demais ao Leão por tudo isso".

Após pagar o castigo, porém, ele já não tinha mais seu "paizão" no comando do time alviverde: "Leão, infelizmente, foi demitido em 2006. Joguei com o Tite também, mas depois das trocas de treinadores perdi espaço".

"Fui emprestado para Santo André, Guarani, Juventude e fiquei sem contrato. Ia para Alemanha, rescindi com o Palmeiras, mas não deu certo, e fiquei quatro meses desempregado. Tive que usar o dinheiro que tinha guardado. Tive ajuda da família e do empresário. Foi a situação mais complicada da minha carreira", revela.

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No Figueirense, Roger Bernardo retomou a carreira
No Figueirense, Roger retomou a carreira

Aos 23 anos e após um início meteórico, Roger estava sem emprego.

"Daí veio o Figueirense, que abriu as portas para mim", recorda-se, com satisfação. "Eu estava parado e acima do peso, demorei a entrar no ritmo, em 2008 não joguei quase nada. Em 2009 fiz pré-temporada e fui jogando, melhorando. Era o capitão do time no Brasileiro, mas com sete jogos fui vendido ao Energie Cottbus".

"Foi especial essa passagem, porque foi o recomeço da minha carreira. Devo muito a essa cidade e a esse clube, minha esposa e eu gostamos demais de morar em Florianópolis. Vi o (Roberto) Firmino surgir no futebol, ele já era muito bom na base e conversava bastante com ele", afirmou.

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No Energie Cottbus, o volante iniciou sua carreira na Alemanha
No Energie Cottbus, ele iniciou vida alemã

Hoje, aos 30 anos, Roger Bernardo está mais do que consolidado na Europa: é um dos líderes do Ingolstadt, time que tem a Audi como acionista e disputou a Bundesliga pela primeira vez na última temporada, terminando em uma honrosa 11ª colocação.

"Eu estou na Alemanha há quase oito anos, fui para o Energie Cottbus, na parte oriental de Berlim. A adaptação foi muito difícil, uma cidade antiga e muito diferente do resto da Europa, pessoas mais velhas e mais mal humoradas. Munique é mais jovem, simpática. Mas foi uma experiência muito boa, em termos de futebol na segunda divisão", admite.

"Vivo meu melhor momento na carreira. Com 30 anos, estou com a cabeça mais tranquila. mais focado. Com a experiência a gente erra menos e corta mais os caminhos. Tudo isso é fruto do nosso trabalho, e a forma como o treinador (Ralph Hasenhüttl) trabalha comigo facilita muito pelo meu estilo de jogo - com dois jovens ao meu lado que correm muito, consegui me destacar".

Roger Bernardo ficou com seu primeiro jogo na primeira divisão da Alemanha guardado na memória.

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Ídolo da torcida e um dos capitães do Ingolstadt: Roger Bernardo
Ídolo da torcida e um dos capitães do Ingolstadt: Roger Bernardo quer ficar

"A estreia na Bundesliga foi marcante: cheguei aqui com 23 anos e só fui jogar a primeiro divisão com 30 anos, contra o Mainz. Vencemos e fui eleito o melhor em campo, foi marcante. Tenho mais um ano de contrato e estou esperando para ver se assino um contrato mais longo", falou.

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