Empolgado com a bola oval, Adhemar crava: 'Tem muito mais emoção que o futebol'

Rafael Belattini, para o ESPN.com.br
Arquivo Pessoal
Adhemar converte o field goal que deu os únicos três pontos da história dos Blue Birds
Adhemar converte o field goal que deu os únicos três pontos da história dos Blue Birds

Na noite de domingo Adhemar entrará no gramado do Canindé para a despedida do São Caetano no Paulista. A notícia seria comum no final dos anos 1990, ou no começo dos anos 2000, mas é mais do que atual e vai acontecer neste final de semana.

Aos 44 anos, o ex-atacante agora defende o Blue Birds São Caetano, time que fará sua despedida da São Paulo Football League, a nova liga paulista de futebol americano.

Usando a camisa 18 - que, segundo ele, foi copiada por Peyton Manning - Adhemar resolveu apostar na nova carreira e é o responsável pelos primeiros, e únicos três pontos da história da jovem equipe. Apesar de já ter jogado em uma final de Campeonato Brasileiro, ele faz questão de destacar a emoção que é jogar com a bola oval.

"Vou ser sincero com você. Até a hora que foi entrar, que teve aquela pressão de vestiário, um pessoal gritando ‘Corinthians' de um lado, nosso time gritando de outro, já deu uma adrenalina. Mas, na hora que eu fui pro chute, os Blue Birds não tinham nenhum ponto na história, aí todo mundo naquela pressão e os caras do Corinthians gritando ‘erra, erra". Tudo bem, eram 200, 300 pessoas, ou bem menos", contou.

"Mas a pressão é muito maior em cima do kicker do que do batedor de falta. A falta você vai bater tem o goleiro, se você acertar é mérito seu, já no futebol americano é sua obrigação, praticamente", completou o jogador que, em 2006, chegou a receber uma proposta do Tampa Bay Buccaneers.

Arquivo Pessoal
Com a bola oval, Adhemar é 'A.Camargo'
Com a bola oval, Adhemar é 'A.Camargo'

O field goal contra o Corinthians Steamrollers foi certeiro, mas não veio sem uma prova da dureza que é o esporte. "Eu tomei um tranco daquele cara do Corinthians no sábado retrasado que eu falei para ele ‘vou te dar um carrinho para você aprender, mesmo que eu tome 10 jardas'. Que tranco, viu?", contou com bom humor.

A primeira experiência em um jogo de futebol americano fez Adhemar ter uma opinião um tanto quanto polêmica: o futebol americano é mais emocionante que o nosso futebol.

"O futebol americano, se você analisar, ele tem muito mais emoção que o futebol de campo. O futebol de campo hoje é muito monótono, infelizmente. É a minha praia, mas jogo de time truncado é zero a zero, um a zero. Aí você fica lá 90 minutos pra não ver um lance de perigo, ou coisa parecida. E o futebol americano é praticamente toda bola você tem chance de fazer um touchdown, uma interceptação, um field goal, e aí são muitas emoções", explicou o "convertido" jogador.

O relacionamento com a bola oval, ao que tudo indica, não será um "amor passageiro". Apesar da eliminação prematura dos Blue Birds na competição, Adhemar não pensa em abandonar o futebol americano. Muito pelo contrário.

"Termina a liga no domingo para os Blue Birds, mas eu sigo firme. Eu vou me dedicar mais aos treinamentos, procurar aprender mais sobre a batida na bola, toda a biomecânica de um kicker. Vou fazer um pouco de força nas pernas, não preciso correr, só entro para chutar. Então minha carreira está iniciando. É o inicio de um trabalho. Eu era o segundo jogador mais bem pago da liga, por que em primeiro eram todos os outros. Quem sabe eu possa ser um dos mais bem pagos. Acho que ficaria legal! Mas, por enquanto, a gente sabe que o futebol americano no Brasil é bem amador, mas está se profissionalizando", brincou.

A profissionalização do futebol americano é uma aposta de Adhemar, que prevê, no entanto, uma dificuldade da modalidade em rivalizar com o futebol tradicional.

"Então, particularmente, o futebol americano tende a crescer, agora vamos ver. Ele está crescendo bastante no Brasil, mas vamos ver se cai no gosto do brasileiro, pois nós somos fanáticos pelo futebol de campo, isso não tem como discutir", comentou.

Começando na função de kicker, Adhemar não perdeu a oportunidade de elogiar Cairo Santos, kicker brasileiro do Kansas City Chiefs.

"Eu tenho muito mais dicas para receber. Na oval a praia é dele. Não tem jeito. Tenho que ser humilde e reconhecer que, como dizia o Romário, ‘ele é o cara'. Ele, para mim, é um top. Acho ele o máximo. Apesar de ser jovem, eu acho ele muito bom, muito bom chutador", disse o ex-atacante, que aproveitou para propor um desafio.

"A gente pode lançar um desafio, não? Eu ponho uma barreira lá, um goleiro e a gente bate na 'redonda', e depois batemos a 'oval'. Aí a gente está na igualdade, porque eu chutei a 'redonda' por 40 anos, agora eu tô um pouco de tempo chutando a 'oval', mas ele chuta o dia inteiro. Eu estou em desvantagem, não? Apesar de minha perna já não ser aquela musculatura mas, desafio lançado", disse.

E aí, Cairo Santos, vai aceitar?

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