Interminável, lenda do Barça quis dar número favorito e nome na camisa para xará brasileiro

Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
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Rafa Marquez abriu o placar o México
Rafa Márquez fez um dos gols do México diante do Uruguai na estreia da Copa América

Mesmo aos 37 anos, Rafa Márquez ainda tem fôlego de sobra para mostrar por que já foi considerado um dos melhores zagueiros do mundo. Autor de um dos gols na vitória do México por 3 a 1 no Uruguai na estreia da Copa América do Centenário, nos EUA, ele é conhecido entre os colegas como um dos caras mais humildes do futebol.

O defensor, que marcou época no Barcelona na década passada, chegou até mesmo a ceder seu número favorito e o nome na camisa para um xará brasileiro que foi seu colega de posição no Hellas Verona, na Itália, em 2013.

"Na hora de jogar eu sempre coloquei 'R. Marques' na camisa e usei o número 4. Ele também gostava do mesmo número e a grafava R. Márquez. O pessoal do clube nos chamou e disse que tínhamos que resolver isso. Queriam colocar 'Rafael M.' na minha camisa. Pelo fato de ser mais novo e o respeitar demais por toda história eu iria abrir mão com certeza disso", contou Rafael Marques, zagueiro do Coritiba, ao ESPN.com.br.

"Falei na hora que ele poderia usar. Ele respondeu: 'Não, não, não. Os dois serão escritos iguais, não tem essa'. Daí antes que ele me oferecesse o número 4 eu fiz questão de dar pra ele. Fiquei com a [camisa] 25 que é a data do aniversário do meu filho", relatou o ex-companheiro.

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Rafael Marques é apresentado pelo Hellas Verona
Rafael Marques jogou pelo Hellas Verona

Durante um ano e meio, os xarás foram colegas de defesa na equipe que contava com o atacante italiano Luca Toni, campeão do mundo em 2006, e os brasileiros Rômulo (ex-Cruzeiro) e Gustavo Campanharo.

"Ele sempre falava para mim que o diferencial na carreira dele não era nem a questão de técnica ou tática, mas era o caráter. Independentemente se estava jogando ou não ele sempre estava do mesmo jeito, trabalhava igual e com o mesmo bom humor", recordou.

"Ele dizia: ‘Quando comecei tinha um defeito porque queria sempre jogar. Depois que amadureci vi que um atleta de futebol tem que ser a mesma pessoa jogando ou não. Não existe dois 'Rafael Márquez', se vou jogar ou não é uma decisão do treinador. Claro que você tem que ser bom jogador, mas se tiver caráter, as oportunidades irão parecer muito mais'", relembrou.

O brasileiro analisa que o momento dentro de campo acaba influenciando o comportamento dos colegas de profissão. "Tem muito jogador que quando joga está tudo bem, faz piada e chega alegre ao treino. Mas quando vai para o banco fecha a cara, não respeita ninguém."

"Era um prazer jogar ao lado dele, gente boa e humilde demais e algumas vezes nos falamos por telefone".

DO MÉXICO PARA O MUNDO

Rafael Márquez Álvarez foi revelado no meio dos anos 90 pelo Atlas, do México, antes de chegar ao Monaco. Na equipe do Principado se destacou com a conquista do Campeonato Francês (2000) e o vice-campeonato da Uefa Champions League (2003).

As grandes atuações chamaram atenção do Barcelona, que o contratou no final da temporada. Na Catalunha atuava ao lado de Carles Puyol e Edmílson, se revezando entre zagueiro e volante na equipe dirigida por Frank Rijkaard.

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Rafa Márquez marcou época no Barcelona
Rafa Márquez marcou época no Barcelona

"Ele me contou que quando chegou ao Barcelona não acreditava aonde estava. Logo depois da apresentação, ele desceu ao vestiário e um dos caras estava com fone de ouvido fazendo embaixadinha. Daí jogou a bola para ele, que pegou com a mão e ficou sem saber como reagir. Ele ficou sem graça e todo mundo riu. O Rafa disse que viu como tinha sido bem recebido e pensou que tinha escolhido o lugar certo", relatou o brasileiro.

No Camp Nou, o mexicano conquistou todos os títulos possíveis, entre os quais quatro Ligas Espanholas, duas Uefa Champions League e um Mundial de Clubes. Com a chegada de Pep Guardiola e Gerard Piqué, ele perdeu espaço e foi se aventurar no New York Red Bulls, da Major League Soocer, em 2010. Ainda passou por León-MEX, Hellas Verona-ITA até voltar ao Atlas, neste ano.

Na seleção mexicana, ele disputou quatro Copas do Mundo (2002, 2006, 2010 e 2014) e venceu duas Copas Ouro (2003 e 2010) e Copa das Confederações (1999). A Copa América pode ser um dos capítulos finais da história do zagueiro "gente boa".