Ex-beque 'rock 'n roll' de Palmeiras e Grêmio fatura com fazenda e estúdio de tatuagem

Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
Arquivo Pessoal
Rodrigo Costa fazendo mais uma tatuagem em seu estúdio no Rio de Janeiro
Rodrigo Costa fazendo mais uma tatuagem em seu estúdio no Rio de Janeiro

Depois que penduram as chuteiras, muitos jogadores viram treinadores, auxiliares, gestores ou cartolas. Outros resolvem investir o dinheiro que ganharam nos gramados em negócios completamente diferentes, como foi o caso de Rodrigo Costa, ex-zagueiro de Palmeiras e Grêmio dos anos 90.

Assim que encerrou sua carreira no futebol, ele resolveu fixar residência no Rio de Janeiro. Com uma situação financeira tranquila com as fazendas no interior de São Paulo que o dava tranquilidade financeira, veio a dúvida: o que fazer agora?

"Depois que parei de jogar eu fiquei amigo de um tatuador aqui do Rio, que me deu a ideia de entrara de sócio em um estúdio. Eu achei legal, tinha visto um pub na Alemanha que funcionava embaixo com o andar de cima para o pessoal fazer tatuagem", contou, ao ESPN.com.br.

A paixão pela arte surgiu ainda na adolescência. "Fiz minha primeira aos 13 anos quando nem era uma coisa bem vista e tive que esconder da minha mãe. Tatuei um cavalo alado que significava liberdade por ter saído de casa. Meu pai, que é muito sarrista, disse: 'O cara fez uma égua prenha de tão barriguda que ficou isso aí' (risos). Anos depois eu refiz o desenho", prosseguiu.

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Rodrigo Costa ao lado de Paulo Nunes
Rodrigo Costa ao lado de Paulo Nunes

Fã de bandas heavy metal como AC/DC, Iron Maiden e Slipknot, ele resolveu apostar em um novo conceito de bar. "No Brasil não tinha isso, busquei referência de Munique [Alemanha] e ficou lindo e maravilhoso. O problema é que eu não entendo nada de bar. Era outro mundo, eu era atleta e não combinava comigo (risos). Eu gostava de tatuagem e rock and roll".

O ex-defensor ficou com o estabelecimento por cerca de oito meses. "Era complicado porque chegava todo dia às 6h em casa. Essa rotina estava ferrando minha faculdade de publicidade, Além disso, não conseguia nem jogar minhas peladas".

"Vendemos o bar e levamos o estúdio de tatuagem para outro endereço próximo. Hoje, isso é um negócio que eu faço mais por gosto, dou uma força para o meu amigo, que administra tudo, e vou lá e faço alguma tatuagem de vez em quando."

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Rodrigo levou Maikon Leite para o Al Shaaab-EMI
Rodrigo levou Maikon Leite para o Al Shaab

Casado com uma carioca que conheceu nos tempos em que atuou na Alemanha, ele também faz faculdade.

"Eu comecei administração nos tempos de Palmeiras, mas depois que vieram as viagens e jogos ficou impossível. Agora estou cursando publicidade. Meus pais até hoje me cobram pelos estudos, dizem que nunca faz mal", afirmou.

Não bastasse tudo isso, Rodrigo ainda encontra tempo para outras atividades, mas no mundo da bola.

"Por causa de todos os contatos que fiz nesse tempo todo pelo futebol, achei que viraria um bom empresário. Sou diferente, não um faço o tipo empresário de terno e gravata, sou mais meu estilo mesmo."

"Falei com os amigos que fiz na bola e me ajudaram demais. Gosto do atleta que foi como eu, que se dedica muito aos treinos e jogos. Ajudei a levar o [atacante ex-Palmeiras] Maikon Leite para o Al Shaab, dos Emirados Árabes, e o [centroavante] Marcão, do Figueirense, também para fora. Tenho parceria com vários empresários grandes", relatou .

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DE LARANJAL PAULISTA PARA ALEMANHA

Nascido em Laranjal Paulista, Rodrigo Costa começou como atacante na base do XV de Piracicaba, mas o olhar cirúrgico do técnico Guto Ferreira, atualmente na Chapecoense, o fez mudar completamente de posição.

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Rodrigo Costa nos tempos de Palmeiras
Rodrigo Costa nos tempos de Palmeiras

"Eu dava carrinho, marcava muito e brigava. Eu era louco (risos). Ele viu esse perfil e me mandou para zagueiro e por ali fiquei", contou.

Ainda bem jovem foi ao Marítimo-POR e depois Palmeiras, clube no qual ficou três anos. Pelo time Sub-20 viveu um dos piores momentos da carreira: estava em campo em uma briga generalizada de torcedores, que terminou com uma morte, na final da Supercopa São Paulo de futebol júnior de 1995 contra o São Paulo, no Pacaembu.

"Fiquei preso no banco de reservas. Tiramos a camisa para não verem que éramos jogadores e nem comemoramos o título, infelizmente", lamentou.

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Rodrigo Costa
Rodrigo Costa com a camisa do Grêmio

Ele fez apenas uma partida pelo time principal, mas integrou o elenco campeão paulista do ano seguinte. "Eu era o sexto zagueiro do elenco profissional (risos). Só tinha as feras lá, era difícil. Depois fui emprestado ao Juventude e cheguei ao Grêmio de contrapeso na negociação do Arce ao Palmeiras."

Em Porto Alegre, o esforçado zagueiro foi campeão gaúcho e da Copa Sul-Minas. Seu melhor momento foi na final do Estadual de 1999, quando marcou o atacante Cristian, do Internacional.

Depois de perder espaço com a chegada do técnico Tite, ele teve uma rápida passagem pelo Santos, no Paulista de 2001, até chegar ao Munique 1860, da Alemanha, no qual ficou por quatro temporadas e virou ídolo.

"Estava sem contrato e cheguei em caráter de teste. Acabei me esforçando muito e passei. Fui muito feliz por ter ficado várias temporadas e ser o capitão da equipe".

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Depois rodou por Standard Liège-BEL, Cerro Porteño-PAR, Hoffenheim-ALE, Boavista-RJ, Marília-SP e Resende-RJ, até encerrar a carreira no Comercial-SP, em 2012.

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