'Jogo futsal para ser feliz, se fosse por dinheiro tinha voltado para casa', diz melhor do mundo

Henrique Munhos, do ESPN.com.br
Divulgação
Amandinha, de 21 anos, foi eleita a melhor do planeta nos dois últimos anos
Amandinha, de 21 anos, foi eleita a melhor do planeta nos dois últimos anos

O português Ricardinho foi eleito melhor jogador de futsal do mundo pela segunda vez consecutiva. Entre os goleiros, o brasileiro Higuita é naturalizado cazaque, enquanto os times e a seleção espanhola dominaram a premiação divulgada no fim de maio. O Brasil, contudo, tem um craque no topo da lista dos melhores do planeta.

Um não, uma craque, e o nome dela é Amanda Lyssa de Oliveira.

Mais conhecida como Amandinha, essa cearense de 21 anos foi eleita pela segunda vez a melhor jogadora de futsal do mundo. Atleta do Barateiro, de Brusque-SC, um dos clubes de maior estrutura na modalidade entre as mulheres, a jogadora revelou ao ESPN.com.br que a premiação, se foi de extrema importância no lado esportivo, não trouxe grande mudança para suas finanças.

"Financeiramente não ajudou em nada, já que a realidade é precária nesse sentido. Mas na relação esportiva, da visibilidade, ter uma responsabilidade maior, isso mudou e gosto disso. Não jogo para ganhar dinheiro, jogo para ser feliz, se fosse pensar em dinheiro já tinha ido embora para minha casa", declarou Amadinha.

Há seis anos em Santa Catarina, ela tem casa, alimentação e faculdade custeadas pela equipe, além de uma ajuda de custo que preferiu não revelar. Com propostas da Itália, Portugal e Espanha, a jogadora, que está no 9º semestre de fisioterapia, acha que ainda não é o momento de deixar o Brasil.

"Sou uma pessoa muito feliz em Santa Catarina, não pretendo sair agora, amo minha equipe, amo minhas companheiras. Com o que tenho aqui consigo construir as coisas e a ajuda da equipe faz com que eu supra todas necessidades. Quem sabe um dia vou para fora e possa conquistar outras coisas."

Como toda menina que tenta entre em um esporte majoritariamente machista, Amandinha começou jogando com meninos, para a desconfiança de todos, inclusive da família. "Até meu pai falava: ‘será que vou deixar minha filha jogar com meninos'", contou.

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Jogadora defende o Barateiro, de Blumenau
Jogadora defende o Barateiro, de Blumenau

Agora, as dificuldades dizem respeito ao esporte profissional, que, apesar do avanço, ainda sofre com a falta de uma liga nacional, como revelou a reportagem há algumas semanas. Amandinha, contudo, confia na evolução, tanto dela como do esporte.

"Sempre foi muito difícil, não são competições organizadas como as do masculino, mas aos poucos futsal feminino vai buscando essa igualdade. Gosto que as pessoas se espelhem em mim, e quero trabalhar para evoluir. Assim quero que as pessoas enxerguem a vida, que, independente das dificuldades, basta lutar para conquistar seus sonhos", finalizou.

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