Ele recusou emprego na CBF e adora futsal: conheça o novo interino do Flamengo

Lucas Borges, para o ESPN.com.br
Gazeta Press
Zé Ricardo no comando do sub-20 do Flamengo durante a Copa São Paulo
Zé Ricardo no comando do sub-20 do Flamengo durante a Copa São Paulo

Fluminense 7 x 0 Flamengo. O jogo valia pela categoria sub-20 do Campeonato Carioca, mas o resultado avassalador causou estragos na Gávea. Foi depois da goleada que Zé Ricardo recebeu convite para trocar o sub-15 rubro-negro pelos garotos mais velhos. Sua missão era dar vida à terra arrasada e ele não fracassou. No ano seguinte, o treinador arrumou a casa e levou o sub-20 ao primeiro título estadual do clube em oito anos.

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A partir do feito, Zé Ricardo possivelmente começou a atrair de verdade a atenção do departamento profissional do Fla. No início de 2016, ele venceu invicto o maior troféu das categorias de base - a Copa São Paulo de juniores -, recuperando-se de um revés de 2 a 0 para o Corinthians ao final do primeiro tempo da decisão no Pacaembu lotado, 2 x 2. A conquista veio nos pênaltis.

E agora o homem egresso do futsal ganha uma chance como técnico interino da equipe principal do Flamengo. Zé Ricardo é originalmente um esportista das quadras. Em entrevista de fevereiro deste ano ao site Futebol Latino, ele falou sobre a paixão pelo futebol de salão.

"Olha, sou completamente fã e apaixonado pelo futsal, esporte que pratiquei por muito tempo e tenho toda a minha origem como treinador, trazendo princípios e comportamentos que utilizo até hoje. Afinal, foram 22 anos nas quadras. Sempre que posso, vejo e vou a jogos, acompanho de perto novas variações de jogo e novos atletas para possíveis migrações pros gramados. Mas atualmente me encontro bem satisfeito no campo e pretendo dar seguimento a minha carreira por aqui."

No futsal e no campo, Zé Ricardo tem prazer em formar jovens talentos. "Gosto de ensinar e ver o resultado de todo esse trabalho. É fascinante ver meninos chegando com 11, 12 anos e vê-los posteriormente jogando em níveis altos nos juniores e no profissional", afirmou na mesma entrevista.

Não foi fácil, portanto, recusar um convite da CBF para assumir a seleção brasileira sub-15, no ano passado. "Foi, sem dúvida, o momento mais difícil na minha carreira. Havia acabado de receber a promoção no clube, dirigir o Sub-20 do Flamengo é, além de um prazer, uma grande honra. E senti, pelo meu coração, que deveria seguir no Flamengo. Senti-me lisonjeado em poder estar numa lista de possíveis candidatos com tanta gente boa. Um sonho que ainda espero realizar, mas que naquele momento não foi possível."

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A decisão foi recompensada. Ou pode ser recompensada. Zé Ricardo chega ao profissional rubro-negro para apagar um fogo que o interino de longa data Jayme de Almeida não teve muito tempo para controlar e sob a sombra de Abel Braga e outros nomes cogitado pela diretoria.

Muricy Ramalho se afastou em 17 de maio de um time bombardeado por críticas para cuidar de problemas de saúde. Jayme não reagiu diante do Fortaleza na Copa do Brasil e acabou eliminado. Venceu na estreia do Brasileiro contra o Sport, perdeu para o Grêmio e nessa quarta-feira empatou com a Chapecoense em casa. Um dia depois, a diretoria flamenguista anunciou a saída definitiva de Muricy e a troca de Jayme por Zé Ricardo.

Novamente ao Futebol Latino, Zé Ricardo já havia confessado ter trocado informações com Muricy desde a chegada do vitorioso técnico à Gávea, no começo de 2016. "Realmente a ideia é alinharmos uma filosofia de jogo e de treino que entendemos ser a melhor para o Flamengo e não apenas pra o treinador A ou B. Dessa forma, todas as transições de categorias estariam facilitadas", disse, então.

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Ditando as regras, o promissor treinador deve adotar uma linha diferente do antecessor. Zé Ricardo é descrito como uma pessoa ponderada, que prefere conversas a broncas, controla os ânimos nos sucessos e anima os espíritos nos fracassos. "Equilíbrio sempre!" é seu lema. Na base, o 4-1-4-1 era o esquema preferido.

Uma animadora carta de apresentação tem em mãos o novo comandante rubro-negro. Seu sucesso na empreitada, contudo, o próprio já disse do que depende: "Só acredito num trabalho de longo prazo, aonde você conhece e reconhece o seu jogador. E eles a você... Chamo isso de lealdade e fidelidade ao trabalho."

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