Liga que desafia CBF ignora falta de apoio da Fifa e promete até ir á Justiça se preciso

Diego Garcia e Rafael Valente, do ESPN.com.br
Divulgação Liga Paulista
A advogada Gislaine Nunes discursa para os representantes dos clubes
A advogada Gislaine Nunes discursa para os representantes dos clubes

A Liga Paulista começa no mês que vem sem o aval da CBF, da FPF ou sequer da Fifa, que nesta terça informou a CBF que não reconhece o torneio. Mesmo assim, a competição deve sacudir o futebol brasileiro, com a advogada Gislaine Nunes como presidente e promessas de ir à Justiça se a entidade não contribuir com os documentos necessários à competição.

"O meu posicionamento é o mesmo, não preciso ter a CBF para me apoiar, não preciso do apoio da CBF, assim como a Fifa e a Conmebol. Apenas precisava que soubessem que existíamos", disse a advogada Gislaine Nunes, ao ESPN.com.br.

"Estou me baseando baseio na Lei Pelé, artigo 20, que me permite criar a Liga. Isso foi feito pelos clubes deixados de lado pelas entidades. Meus times têm todas as certidões (negativas de débito com a União), diferente do Brasileirão. Isso é exigência nossa, todos têm certidões, é da lei. Enquanto a CBF cuida dos clubes ricos e grandes patrocinadores, eu procuro ajudar os times pequenos e gerando 5 mil empregos. A CBF, e muito menos a Fifa, não me abalam", continuou.

Nesta quinta, a CBF divulgou comunicado oficial avisando que foi informada pelo secretário geral da Fifa, Markus Kattner, que a entidade máxima do futebol não vai reconhecer a Liga Paulista. A entidade brasileira acrescenta que o torneio está sendo organizado "à revelia".

"A Fifa não tomará qualquer medida com relação a essa organização, tampouco apoiará qualquer de suas competições ou atividades. Além do mais, queremos deixar claro que a FIFA não manterá nenhuma comunicação com a Liga Paulista de Futebol ou com qualquer outra liga recém-formada dentro de seu território sem o consentimento prévio da CBF", disse Katner, em comunicado.

Gislaine Nunes não deixou barato.

"A única que a lei exige é que eu não afronte os regulamentos da CBF, e eu não tenho feito isso, jamais faremos, pois é a entidade máxima do esporte, mas não preciso que ela me reconheça, e ela não pode impedir a nossa disputa. E também, eu estou apenas aguardando, pois veja, os nossos clubes usarão atletas emprestados dos clubes vinculados à CBF. A CBF tem o BID (Boletim Informativo Diário) dela, eu tenho o meu, e se ela não me transferir informações de atletas eu vou buscar os meus direitos, baseada na Lei Pelé e na constituição", avisou a presidente da Liga Paulista.

A advogada ainda faz promessas maiores sobre a Liga Paulista.

"Isso (o apoio da CBF, Fifa ou FPF) não me abalou em nada, os clubes todos estão do meu lado, isso não vai nos abalar em nada, aliás dentro de alguns dias você vai ver o que eu fui buscar fora do país e aí quero ver como a Fifa vai lidar com isso. Você vai ver o que vou fazer e a força dos clubes, basta querer", avisou Gislaine.

A Liga Paulista, por sua vez, não se importa com os avais das federações.

"Esse é um torneio profissional baseado na Lei Pelé. Não temos suporte da CBF, mas vão ter que engolir, pois é fora da constituição impedir atletas de trabalhar, e a CBF vai ter que assumir essa responsabilidade. Trouxemos jogadores de outros estados para jogar, eles têm que entender e padronizar", avisou George Leonardo Adriano dos Santos, um dos responsáveis pelo Talentos 10, equipe que vai participar da competição.

Procurada pela reportagem, a FPF limitou-se a dizer: "A Federação Paulista respeita a vontade dos clubes (em disputar uma outra Liga)".

Contudo, segundo apuração da ESPN, a FPF não vai auxiliar em nada: arbitragem, TJD, inscrições de atletas. A entidade, aliás, nem sequer foi consultada pela Liga.

"A Gislaine anunciou no final do ano passado a Liga pelas redes sociais. Achamos interessante ingressar para não ficarmos parados. Estamos licenciados desde o ano passado porque as obras de adequação do estádio municipal não foram concluídas. Precisamos aumentar a capacidade para 5.000 para jogar nele. O futuro na Liga ainda é uma incógnita. Não sabemos como será a recepção ao torneio. Tem muitos times novos. Mas é uma oportunidade para recomeçar", disse João Batista Vieira, diretor comunicação do Guariba, outro participante.

A Liga Paulista terá a participação de 25 clubes divididos em três grupos, com início em 3 de junho e término em 3 de dezembro. Os times podem inscrever jogadores com até 23 anos de idade, com a permissão de seis mais velhos, sendo um deles goleiro.

Conforme apuração da reportagem, a faixa salarial das equipes será em média de R$ 20 mil, com alguns times conseguindo alcançar R$ 30 mil.

A competição promete uma premiação generosa ainda não divulgada, mais excursão para o exterior aos quatro melhores classificados. Além disso, a Liga Paulista negocia transmissão televisiva com o Esporte Interativo para a segunda fase da competição.

Uma curiosidade é que apenas quatro dos 25 participantes são filiados à FPF: União Suzano, Ranchariense, Guariba e Jaboticabal. As equipes estavam licenciadas e não jogariam nada neste ano. Outro time tradicional é o Corinthians de Presidente Prudente, que está inativo há alguns anos.

Divulgação Liga Paulista
Bolas que serão usadas nos jogos da Liga Paulista
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