Camisa preta! Giro d'Itália já teve briga para ser último colocado

Bianca Daga, do ESPN.com.br
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Luigi Malabrocca conquistou a camisa preta em duas edições Giro d'Itália

A camisa rosa, de líder geral por tempo, é o símbolo da vitória no Giro d'Itália e o grande desejo de todos os ciclistas que partem da linha de largada no primeiro dia da competição. Mas já houve uma época em que alguns competidores cobiçavam outra cor na segunda maior prova do ciclismo mundial. Nos anos 40 e 50, havia uma premiação que já não existe mais e é, no mínimo, curiosa: a camisa preta, dada ao último colocado ao final de todas as etapas disputadas.

Foram seis edições que contaram com a "black jersey", de 1946 a 1951. Diante das mudanças radicais pelas quais a Itália passava depois da Segunda Guerra Mundial, o ciclismo se tornou a metáfora que representava um dos lemas da nação: se você estivesse disposto a trabalhar arduamente, o sucesso de qualquer natureza colocaria comida em sua mesa, tanto para vencedores, quanto para os melhores perdedores.

Os atletas perdiam tempo deliberadamente e propositalmente com o objetivo de completar o Giro no maior tempo possível , o oposto dos que estavam lá na frente queriam. Moradores locais ofereciam ao último colocado prêmio em dinheiro, quarto para passar a noite, além de comidas e bebidas. As disputadas eram reais e foram protagonizadas principalmente pelos italianos Sante Crollo e Luigi Malabrocca.

Segundo relatos de jornais da época, os dois chegaram a se esconder em bares, celeiros e fazendas, além de terem sido flagrados furando os pneus de suas próprias bicicletas para somar minutos. Aldo Bini, que ganhou a camisa preta em 1948, levou a corrida até o fim, mesmo depois de quebrar a mão direita em um acidente e ser obrigado a descer de sua bicicleta e empurrá-la nos trechos de subida.

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Nanni Pinarello foi camisa preta em 1951

Além dele, outros quatro ciclistas conquistaram a black jersey, todos italianos: Luigi Malabrocca (1946 e 1947), Sante Carollo (1949), Mario Gestri (1950) e Giovanni Pinarello (1951).

Só para efeito de comparação, em 1946, Malabrocca foi o último a cruzar a linha de chegada tendo completado as 17 etapas - um total de 3.039,5 quilômetros - em 69 horas 41 minutos e 54 segundos, enquanto o campeão da edição, Gino Bartali, demorou quatro horas a menos (65h32min20seg).

Após seis anos, acabou a briga pela camisa preta. Os outros ciclistas protestaram, alegando que o Grand Tour estava se tornado ridicularizado e que os torcedores estavam perdendo o interesse.

Neste ano, está sendo disputada a 99ª edição do Giro d'Itália. No total, são 3.463,1 km em 21 etapas. Nove já foram realizadas. A 10ª será nesta terça-feira, entre Campi Bisenzio e Sestola, com transmissão ao vivo da ESPN e do WatchESPN a partir das 10h30 (horário de Brasília). O líder e dono da camisa rosa, no momento, é o italiano Gianluca Brambilla, da equipe Etixx.

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