Ele encantou Felipão e foi de soldador ao Palmeiras em um ano. Hoje, joga na 2ª do Rio

Francisco De Laurentiis e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
LEO BARRILARI/Gazeta Press
Max Pardalzinho Treino Palmeiras 06/06/2011
Max Pardalzinho durante treino do Palmeiras, em 2011

Imagine que você trabalha como soldador e, um ano depois, por um desses acasos da vida, transforma-se em jogador profissional e é contratado pelo Palmeiras. Pode parecer impossível, mas foi exatamente o que aconteceu com o atacante Maximiliano Ezequiel dos Santos. Ou, como ele mesmo prefere ser chamado, Max Pardalzinho.

Nascido em Morrinhos, no interior de Goiás, ele fez de tudo um pouco antes de ganhar uma chance de ouro no futebol. Na prefeitura local, por exemplo, trabalhou como varredor e cortador de grama. Já na famosa Pousada do Rio Quente, foi operador de lava jato, lavando as inúmeras piscinas do complexo turístico. Mas seu trabalho favorito era de soldador.

"Antes de ser jogador, fui metalúrgico. Eu era auxiliar de solda, trabalhava com uns caras muito bons. A gente fazia peças metálicas de todo tipo, coisas para as fazendas e os galpões da região, portões, essas coisas. Até os 23 anos trabalhei com isso, só jogava bola no amador e em campeonatos da firma", conta Max, em entrevista ao ESPN.com.br.

O atacante havia tentado virar jogador da infância, mas desanimava a cada reprovação em peneiras. Tudo mudou em 2009, quando ele assinou seu primeiro contrato profissional no Morrinhos. Destacou-se rapidamente, e logo foi para o Vila Nova, de Goiânia. Quando ainda estava se beliscando para ver se tudo não era um sonho, estava no Palmeiras.

"Eu tinha 23 anos e jogava no amador, mas o presidente do Morrinhos resolveu apostar no pessoal da cidade. Chegou um treinador que me conhecia da várzea e gostava de mim, aí me me deu a oportunidade. Quando vi, um ano depois eu estava no Palmeiras! São coisas do futebol, nunca imaginava que algo assim poderia acontecer", lembra.

A chegada ao Palestra Itália aconteceu por indicação do técnico Luiz Felipe Scolari, que gostou do futebol veloz do canhoto do Vila Nova - foi dele o gol que salvou a equipe alvirrubra da queda para a Série C que parecia certa, em 2010.

Até hoje Pardalzinho não esquece seus dias no Palmeiras.

"Só acreditei mesmo que tudo era verdade quando pisei no campo para treinar pela primeira vez. A ficha demorou para cair, foi tudo muito rápido e eu demorei para me acostumar. Certamente não estava preparado para essa transformação", recorda.

"Eu não sabia nada de tática, por exemplo, porque só tinha jogado na várzea a vida toda, e no Vila Nova o técnico me deixava livre para eu fazer o que quisesse no campo. Tive que aprender tudo no Palmeiras. O Felipão me ensinou muita coisa, e eu não esqueço até hoje. Melhorei bastante em tudo sob o comando dele", elogia.

LUIS MOURA/Gazeta Press
Max Pardalzinho Palmeiras Ponte Preta Campeonato Paulista 17/04/2011
Pardalzinho em ação pelo Palmeiras, em 2011

A notícia de que Max Pardalzinho havia acertado com o maior vencedor de títulos brasileiros na história, inclusive, caiu como uma bomba em seu antigo emprego. Segundo o atacante, os ex-colegas de firma não acreditavam de maneira alguma que aquilo seria verdade.

"Quando eu voltava lá na firma, os caras iam todos falar comigo e perguntar se era verdade. Um amigo achou que eu estava dando trote. Pra falar a verdade, até eu achei que era mentira (risos)", sorri.

"Eu era reserva no Vila, quando chegou o interesse do Palmeiras achei que fosse brincadeira. O Palmeiras sempre contratou jogadores de nível internacional, e de repente queriam contar comigo. Meu celular quase caiu no chão (risos). Eu fiquei mudo quando meu empresário me ligou para dizer que o Felipão me queria", relata.

Segundo Max, sua mão tremia na hora de cumprimentar os "medalhões" alviverdes. Quando viu o pentacampeão do mundo Denílson de perto, então, chegou até a chorar.

Reprodução
Max Pardalzinho Denilson Band
Max chorou ao encontrar o ídolo Denílson

"Rapaz, tremia na hora que estava dando a mão ao Marcos, ao Kleber Gladiador, ao Felipão. Eu me apresentava e pensava: 'Cara, olha onde eu estou!'. Minha mão suava, tremia demais, eu estava totalmente sem graça (risos). O Valdivia era muito engraçado, brincou muito comigo e ajudou a quebrar a timidez", conta.

"Minha melhor lembrança foi quando conheci o Denílson [então já aposentado e trabalhando como apresentador da TV Bandeirantes], que sempre foi meu ídolo. Isso foi especial demais. Chorei quando vi o cara de perto, porque eles fizeram uma matéria de surpresa comigo. Um pentacampeão do mundo, mas humilde demais. Quase caí duro no chão (risos)", diverte-se.

Durante os sete meses que passou no Palestra Itália, aliás, o atacante mudou de nome: de Max Pardalzinho, passou a ser conhecido como Max Santos. Isso serviu apenas como formalidade, no entanto, já que, no elenco, ele era chamado sempre pela alcunha.

"Esse apelido veio de infância. Meu pai era o Pardal, e eu virei Pardalzinho. Raramente alguém me chama de Max. Gosto demais desse apelido, mas no Palmeiras acabei virando Max Santos, que é o meu sobrenome. Entre os jogadores, porém, todos me chamavam de Pardalzinho. É um apelido que pega, não tem como", brinca.

Divulgação
Max Pardalzinho Sampaio Correa-RJ Apresentacao 28/01/2016
Max Pardalzinho hoje joga a 2ª divisão do Rio

A passagem de Max pelo Palmeiras não durou muito. Ainda em 2011, sem chances no Parque Antárctica, foi repassado ao Goiás, depois de marcar só um gol pela equipe paulista, em uma vitória por 2 a 1 sobre a Ponte Preta, em Campinas. Apesar disso, ele é só elogios ao time palestrino e guarda apenas boas lembranças

"Esse meu gol na Ponte foi marcante demais para mim. Quando ela entrou devagarzinho, depois de passar por baixo do goleiro, todo mundo foi me abraçar. Tinham um carinho muito grande por mim, e essas coisas a gente não esquece nunca. Foi muito especial, fizeram uma darra danada comigo depois", rememora.

Depois do Palmeiras, Pardalzinho passou por Goiás, Guarani-SP, Boavista-RJ, Luziânia-GO e Caxias-RS antes de chegar ao Sampaio Corrêa-RJ, que disputa a 2ª divisão carioca. Aos 29 anos, ele diz já estar realizado no mundo da bola.

"Sou um cara realizado na vida e do futebol. Não esperava nada do que aconteceu comigo. Achei que ia ser soldador para o resto da vida, mas vivi muitas coisas especiais. Sou um cara agradecido a Deus por tudo o que ele me deu", encerra.

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