Pós-7 a 1 e debandada de parceiros, receita de patrocínios da CBF cai pela 1ª vez em 10 anos

ESPN.com.br
REUTERS/Ricardo Moraes
CBF Sede Rio de Janeiro 27/05/2015
Sede da CBF, no Rio de Janeiro

O humilhante 7 a 1 na Copa do Mundo de 2014 e a debandada de patrocinadores após a explosão dos escândalos de corrupção na entidade fizeram a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) sentir dor em um local que não sentia faz tempo: no bolso.

De acordo com levantamento do ESPN.com.br, feito a partir de balanço financeiro divulgado pela organização, a receita de patrocínios da entidade caiu entre 2014 e 2015. Foi a primeira vez em 10 anos que houve regressão ao invés de aumento neste aspecto.

Ao todo, a CBF arrecadou R$ 339,6 milhões com patrocínios em 2015, contra R$ 359,4 milhões em 2014. Uma queda de pouco mais de 5%.

O mais espantoso é que, só aplicando o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), o valor de 2015 deveria ficar na casa dos R$ 400 milhões. Ou seja, aumentado muito, ao invés de decrescer.

Pior ainda. Como mostra o próprio balanço, muitos dos contratos com multinacionais são em dólar e euro, que aumentaram vertiginosamente entre 2014 e 2015: US$ 1 valia R$ 2,70 no final de 2014, e R$ 3,95 no final de 2015, enquanto 1 euro valia R$ 3,21 no final de 2014, e R$ 4,30 no final de 2015.

Isso, na teoria, puxaria os valores dos patrocínios para cima, mas a realidade foi muito diferente.

A queda no patrocínio acontece em meio à debandada de parceiros, principalmente depois da prisão de José Maria Marin, ex-presidente da CBF, no início da operação Fifagate, comandada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Além de Marin, o atual mandatário, Marco Polo Del Nero, também está sendo investigado.

Primeiro, SadiaGilette e a Seguros Unimed deixaram de patrocinar a seleção. Já em fevereiro, a fabricante de pneus Michelin abandonou o barco, rompendo o contrato de cinco anos que havia firmado com a entidade brasileira em 2014.

Segundo a CBF, isso aconteceu porque a empresa francesa "decidiu redirecionar seus investimentos em comunicação", para "temas-chave como mobilidade, segurança no trânsito, inovação, serviço ao cliente e sustentabilidade", rompendo o contrato em "comum acordo".

Foram esses vantajosos contratos que fizeram a receita de patrocínios da CBF explodir nos últimos 10 anos, passando de R$ 54 milhões em 2006 para os R$ 359 milhões de 2014 - um aumento de quase sete vezes em oito anos.

Atualmente, os parceiros da CBF são Nike, Itaú, Vivo, Guaraná Antarctica, Mastercard, Samsung, Gol Linhas Aéreas, Englishtown e Ultrafarma.

A diminuição no valor dos patrocínios também acabou puxando uma queda na receita bruta, de R$ 519,1 milhões em 2014 para R$ 518,1 milhões em 2015, já que, em outros aspectos, como Direito de Transmissão e Comerciais e Licenças e Transferências, houve aumento.

A receita líquida também caiu: de R$ 493,36 milhões em 2014 para R$ R$ 487,4 milhões em 2015.

Veja a evolução dos valores de patrocínios na última década:

2006: R$ 54 milhões
2007: R$ 65 milhões
2008: R$ 105 milhões
2009: R$ 165 milhões
2010: R$ 194 milhões
2011: R$ 209 milhões
2012: R$ 235,6 milhões
2013: R$ 278,1 milhões
2014: R$ 359,4 milhões
2015: R$ 339,6 milhões

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