Com apenas um candidato, eleição hoje na Portuguesa ainda é incerta

Rafael Valente, de São Paulo (SP), para o ESPN.com.br
DJALMA VASSÃO/Gazeta Press
Torcedores da Portuguesa, no Canindé
Torcedores da Portuguesa, no Canindé

Até meia-noite de quarta-feira ninguém assegurava no Canindé a realização da eleição para presidência da Portuguesa na noite desta quinta-feira, como havia anunciado o clube no último dia 12. Há somente um candidato, o advogado José Luiz Ferreira de Almeida, que já foi vice jurídico na gestão de Ilídio Lico, mas alguns conselheiros questionam a inscrição dele, que tem projetos ousados para resgatar a Lusa.

O motivo de contestação é que Almeida inscreveu-se como candidato apesar de não estar em dia com o clube em 31 de março passado - o estatuto exige que o candidato e os conselheiros que votam estejam em dia até o último dia do mês anterior a eleição.

"Ocorre que em 31 de março ninguém imaginava que uma nova eleição ocorreria. O presidente [Jorge Manuel Gonçalves] e o vice dele [Manuel Tomé] renunciaram no dia 30. Fomos pegos de surpresa. Portanto, essa eleição é extraordinária. Não há sentido para tamanho rigor. Eu já estou em dia e a Portuguesa precisa definir seu futuro, sem perda de tempo. O clube está ameaçado", disse Almeida à ESPN.

Desde a saída de Gonçalves, a presidência está nas mãos de Leandro Teixeira Duarte, que era presidente do Conselho Deliberativo e é neto de Oswaldo Teixeira Duarte, histórico dirigente da Lusa e nome oficial do estádio do Canindé. O dirigente, no entanto, já havia dito que não pretendia se candidatar, algo que Almeida quer.

"Ninguém quer assumir a Portuguesa. Eu decidi me candidatar. A Portuguesa precisa de soluções para ontem. A Série C começa no próximo dia 22. Precisamos qualificar o time e conseguir o acesso. A situação financeira é muito complicada. Não temos receitas, a dívida é grande. Por isso ninguém quer pegar. Eu tive coragem e me lancei. Acredito que a eleição vai ocorrer nesta quinta-feira", explicou ele.

Hoje a Portuguesa acumula dívidas de cerca de R$ 200 milhões. Para não atrasar o pagamento aos jogadores, a diretoria utilizou a premiação recebida da CBF por avançar de fase na Copa do Brasil - na terça, derrotou o Parnahyba-PI por 1 a 0.

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Bruno Nunes comemora gol da Portuguesa na vitória sobre o Parnahyba
Bruno Nunes comemora gol da Portuguesa na vitória sobre o Parnahyba

A VOLTA DA BARCELUSA?

Candidato pela chapa "Renascimento - Novos Rumos", Almeida vê como maior problema da Portuguesa a falta de credibilidade no mercado.

Almeida tem planos ousados para resgatar a credibilidade da Portuguesa e recolocar o time como protagonista. Mesmo sem certeza da eleição, ele já fez contatos e procura pessoas interessadas em aliar-se à Lusa para ajudar a equipe neste momento.

"O futuro do Portuguesa depende de investidores. Eu tenho conversado com pessoas do mercado, investidores de peso, para que eles virem parceiros da Portuguesa. Empresas de marketing de renome internacional. Sem isso vai ser difícil sobreviver. A Portuguesa não tem um tostão em caixa. Não dá para fazer nada", explicou ele.

O plano do candidato é ousado porque envolve a busca de investidores no futebol e na formação de uma nova Barcelusa - apelido que a equipe de 2011 ganhou ao se destacar no acesso à Série A do Brasileiro, sendo campeã e perdendo só três dos 38 jogos.

"A gestão será diferente. Aquele time foi bancado pelo Banco Banif. Havia receitas de TV. Para fortalecer a equipe na Série C temos de ser rápidos para tratar com investidores e empresários. Vamos mostrar que o clube pode ser uma boa vitrine para jogadores que têm qualidade, não estão podendo mostrar isso e querem uma oportunidade de aparecer. Os investidores podem nos ajudar a contrata, mas o time tem de ser custo zero para a Portuguesa. Não temos recursos para pagar nada nos próximos quatro meses", disse.

NOVO CANINDÉ?

A ideia mais ousada de Almeida é em relação ao estádio do Canindé.

Segundo ele contou para a reportagem, a ideia é acertar com um fundo do investimento a compra da área do Canindé que pertence à prefeitura e firmar uma parceria. Um novo estádio no lugar do atual seria construído, seguindo o conceito das arenas. E parte do terreno seria utilizada pelo fundo de investimento para erguer prédios comerciais.

"Seria uma forma dos investidores também lucrarem com o investimento. Pelo que tenho conversado com um grupo que tem interesse, eles poderiam construir nove torres de 20 andares dada uma. A Portuguesa teria uma nova arena, um prédio para hotel, centro confenções e um clube na vertical, como é o Esperia, numa área em que ficaram as piscinas, as quadras e até um shopping. Uma modernização completa", disse Almeida.

Ale Vianna/Agência Eleven/Gazeta Press
A torcida da Portuguesa aguarda o novo presidente do clube
A torcida da Portuguesa aguarda o novo presidente do clube

O projeto, no entanto, não seria executado rapidamente. Por envolver patrimônio do clube teria de passar pelo conselho e pela assembléia dos sócios.

Aliás, o tempo é algo que Almeida terá de lidar com habildiade. Caso seja confirmado como o presidente, o mandato dele terminará em 31 de dezembro deste ano - é um mandato tampão. Depois ele teria de tentar uma nova candidatura.

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