Última taça do Grêmio veio graças a 'aposta maluca' de Renato Gaúcho em rachão

Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
Gazeta Press
Renato Gaúcho no 'rachão': dono da bola, do time e do juiz
Renato Gaúcho no 'rachão': dono da bola, do time e do juiz

A última vez em que o Grêmio deu uma volta olímpica foi na Taça Piratini, 1º turno do Campeonato Gaúcho de 2011, quando venceu o Caxias nos pênaltis, no Estádio Olímpico. A equipe tricolor saiu perdendo por 2 a 0, arrancou o empate aos 50 minutos do segundo tempo e superou o rival nas cobranças de pênalti por 4 a 1, com duas defesas do goleiro Victor, atualmente no Atlético-MG.

Cinco anos depois, o zagueiro Rafael Marques, autor do gol salvador dos gremistas nos acréscimos da partida, revela que o "culpado" disso foi o técnico Renato Gaúcho, que não queria perder as apostas feitas nos treinos com seus comandados.

"Eu sempre jogava no ataque com no time dos rachões. Neste jogo ele gritou: 'Rafael, vai pro ataque, faz igual no treino e fica lá dentro da área'. Eu fui daí a bola sobrou pra mim e empatei a partida. Na hora da comemoração ele falou: 'Dentro da área eu conheço tudo, porra! Fica lá dentro que é caixa'", contou o atleta , hoje no Coritiba, em entrevista ao ESPN.com.br.

Um dos maiores ídolos da história gremista usava os treinos para mostrar que ainda estava em plena forma, mesmo aos 49 anos. "O Renato queria que eu desse a bola pra ele o tempo todo. Caso não passasse, ele falava: 'Você não vai jogar no meu time amanhã (risos)'. Daí não tinha como não tocar a bola", relatou.

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Renato: artilheiro dos 'rachões'
Renato foi ídolo nos gramados e treinador

"Ele e o [meia] Douglas apostavam no rachão que o perdedor ia doar cestas básica pras instituições de caridade, mas não era uma, eram 100 cestas. O Renato montou o time dele e falava: 'Eu apostei com o Douglas, mas se perder não vou pagar sozinho. Cada um aqui dá 10' (risos). Daí a gente respondia: 'Mas foi você quem apostou, Renato' (risos)'. Era engraçado demais", recordou.

Depois disso, o inocente "rachão" virou um jogo de verdade, já que ninguém queria pagar a aposta.

"O Renato sempre ganhava porque o juiz era ele, a bola era dele e o time também (risos). Ele só acabava o jogo quando estávamos ganhando ou quando conseguíamos virar o placar. Dai ele mandava terminar tudo (risos)", completou.

Os duelos nos treinamentos fizeram os jogadores do time gaúcho ficarem mais competitivos, mas sem esquecerem as brincadeiras.

"O Douglas percebeu que estava sendo roubado e disse que só ia pagar se mudasse o juiz (risos). Renato é um cara muito alto astral. Nossos treinamentos eram sempre com muita alegria e não tinha tempo ruim", relembrou.

Rafael acredita que aquele campeonato era uma realização pessoal e uma questão de honra para o eterno camisa 7. "Para o Renato, era muito importante ser campeão como treinador pelo fato de ter sido ídolo como jogador. O grupo abraçou muito essa ideia pelo caráter dele", garantiu.

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Renato Gaúcho e Rafael Marques
Renato e Rafael Marques comemoram gol

Apesar da vitória do primeiro turno, o Grêmio acabou derrotado nos pênaltis pelo Internacional na final do Campeonato Gaúcho, ficando sem o título estadual.

Mesmo assim, zagueiro guarda ótimas recordações do tempo em que passou no Estádio Olímpico.

"Foram três anos muito bons pra mim, joguei mais de 150 jogos e marquei muitos gols para um defensor. Tenho um carinho muito grande pelo clube por tudo isso. Foi uma passagem muito marcante pra mim mesmo com alguns altos e baixos", finalizou.