Pacto às 4 da manhã em alçapão argentino fez Atlético-MG vencer Libertadores

Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
Flickr do Atlético-MG
Victor defendeu pênalti de Maxi Rodríguez
Victor defendeu pênalti de Maxi Rodríguez na semifinal da Copa Libertadores da América

Um dos duelos mais difíceis na dramática conquista da Copa Libertadores da América de 2013 pelo Atlético-MG foi a semifinal contra o Newell's Old Boys, em Rosario, na Argentina. Sem Leonardo Silva e Réver, dupla de zaga titular, a equipe perdeu por 2 a 0 em grande atuação de Maxi Rodríguez e Scocco. O prejuízo só não foi maior porque nos minutos finais o defensor Rafael Marques salvou de cabeça o terceiro gol em cima da linha.

Derrotados e com uma desvantagem difícil de ser revertida no jogo de volta, os jogadores brasileiros não conseguiam sequer ir embora do estádio Marcelo Bielsa. A torcida argentina fazia grande festa na porta do vestiário mineiro, cantava e soltava rojões. Naquele ambiente foi feito pacto entre os jogadores para a classificação.

"A gente sentia um clima que estava tudo acabado, fomos embora do estádio mais de quatro horas da manhã. Quando finalmente entramos no ônibus nos reunimos e falamos: 'Gente, eles acham que está tudo acabado. A gente tem a obrigação de passar por esses argentinos mesmo não sendo campeões. Agora é chegar no Independência e convocar a torcida para ganhar desses caras. Se a gente vai ser campeão será outra história, mas a gente não pode parar neles'", contou o zagueiro, atualmente no Coritiba, ao ESPN.com.br.

Rafael conta que a chegada ao país vizinho já demonstrava sinais que o clube mineiro encontraria enormes dificuldades.

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Ronaldinho domina a bola, marcado por Pablo Perez (à esq.), no primeiro jogo da semi entre Newell's e Atlético-MG
1ª semi entre Newell's e Atlético-MG

"Sabíamos que em Rosario teria foguetório no hotel e não teríamos paz. Mas se só chegássemos em cima da hora era perigoso sentirmos a pressão. A comissão nos levou para o lugar do jogo para sentir logo o clima. Não conseguimos dormir, toda hora tinha foguetório, depois passava um carro de som bem na frente. A polícia não fazia nada", contou.

"Criaram aquele clima bem argentino na Libertadores. Não nos deixaram conhecer o gramado e o campo deles estava com mais do que lotação máxima, gente até aonde não poderia estar. Então, fomos recebidos daquele jeito com vaias porque lá é um alçapão mesmo. Sabíamos a dificuldade do jogo", prosseguiu.

Com a bola rolando, o Atlético-MG não foi páreo para o Newell's, que pressionou desde o começo da partida. "Até tivemos chance de fazer gols, mas não fomos bem e perdemos. Eu tirei uma bola de cabeça dentro do gol quase. Isso me marcou evitei o terceiro gol e seria muito mais complicado reverter com três gols", relembrou.

"A gente saiu da Argentina ao meio dia e fomos todos sem dormir para o Brasil. Só pegamos pedreiras naquela Libertadores. Perdíamos sempre fora, mas em casa com a torcida lotando o estádio e criando aquele caldeirão a gente revertia", afirmou.

A torcida atleticana não decepcionou e criou um cadeirão em Belo Horizonte. Com gols de Bernard no começo do jogo e outro de Guilherme nos minutos finais levou a decisão para os pênaltis. O goleiro Victor foi novamente herói defendendo última cobrança do meia Maxi Rodríguez, grande astro da equipe adversária.

Flickr do Atlético-MG
Rafael Marques e Bernard
Rafael Marques e Bernard

"Graças a Deus classificamos para final lá. Nós tínhamos prometido que iríamos fazer uma puta festa dentro do gramado para a televisão mostrar pra Argentina quem estava na final era o Atlético-MG e não o Newell's como eles estavam cantando naquele dia em Rosario", recordou.

No duelo seguinte, o clube bateu o Olimpia, do Paraguai, de forma não menos dramática. Perdeu por 2 a 0 fora de casa e retribuiu o placar no Mineirão e conquistou a competição continental nas penalidades.

"Tenho muitas fotos e tudo que você pode imaginar dessa Libertadores, foi a maior festa da minha carreira. Se você ganha uma Libertadores pelo Flamengo ou São Paulo é uma coisa porque eles já venceram outras vezes. Pelo Atlético-MG, que nunca tinha vencido, você fica para a história. Até hoje quando vou para Belo Horizonte me tratam com muito carinho. Torcedores falam que se eu não tivesse tirado aquela bola seria 3 a 0 e não seríamos campeões. Isso não tem preço", garantiu.

O zagueiro acredita que o título mudou o patamar do clube perante os adversários. "O Cuca montou aquele grupo e muitas pessoas não acreditavam na gente porque o time tinha lutado contra o rebaixamento antes de eu chegar. Depois daquele grupo hoje o Atlético-MG é visto de outra maneira, como favorito em todas as competições", finalizou.

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