CGU: patrocínio da Caixa a clubes não tem a 'devida clareza e transparência'

Marcus Alves, de São Paulo (SP), para o ESPN.com.br
Divulgação
A presidenta da CAIXA, Miriam Belchior, ao lado de Bandeira de Mello, do Flamengo
A presidenta da CAIXA, Miriam Belchior, ao lado de Bandeira de Mello, do Flamengo

Em auditoria, a Controladoria Geral da União (CGU) concluiu que o investimento da Caixa Econômica Federal no futebol foi realizado sem a devida clareza e transparência de objetivos aliada à ausência de mecanismos para medir o retorno financeiro com o seu patrocínio a clubes. O órgão ainda ressaltou que o banco se expôs a potenciais danos de imagem nos acordos.

Na análise feita sobre os contratos, foi verificado que a instituição não havia exigido até o momento da investigação, no segundo semestre do ano passado, o cumprimento dos preceitos da Lei do Desporto.

Entre as irregularidades, constava a ausência de publicação de demonstrações financeiras de parte dos times em seus respectivos sites.

"Implementação de ações de marketing esportivo sem a devida clareza e transparência de objetivos no Planejamento Estratégico/Plano Executivo aliada à ausência de mecanismos que permitam mensurar e avaliar os retornos obtidos", descreve trecho do documento da CGU.

"De forma que não foi possível avaliar o efetivo retorno financeiro obtido pela Caixa Econômica Federal com esses contratos de patrocínio, não tendo sido obtidas evidências objetivas e mensuráveis de que tais ações de marketing tenham contribuído para a realização de novos negócios e o incremento do lucro do Banco", prossegue mais adiante.

A Caixa é hoje a maior patrocinadora do futebol brasileiro.

Com a inclusão dos rivais Atlético e Cruzeiro, ela anunciou no início do ano um investimento de R$ 83 milhões em patrocínio a clubes. Existem conversas em andamento para renovação com o Corinthians e, em caso de fracasso definitivo, redistribuição da verba de R$ 30 milhões entre São Paulo, Bahia e outros interessados.

"O que se disse e se reafirma é que a instituição não instituiu mecanismos de avaliação dos riscos envolvidos na concessão de patrocínios a clubes de futebol, destacadamente os aspectos da transparência da gestão desses clubes", completa a controladoria, em outro trecho.

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Procurado pelo ESPN.com.br, o banco estatal assegurou, em nota oficial, ter implementado as mudanças em seus novos acordos.

"O relatório da CGU apresentou, à época, diferentes apontamentos, cujas respostas foram encaminhadas à entidade em outubro de 2015. Os resultados financeiros alcançados pela CAIXA com o patrocínio ao futebol (exposição da marca e retorno de imagem) foram disponibilizados para a CGU, com relatório de avaliação que demonstra o retorno individualizado por time.

A CAIXA implementou mudanças em seu contrato de patrocínio, passando a exigir dos clubes patrocinados o cumprimento da Lei do Desporto e da Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte. Além disso, foram feitas alterações no normativo da Empresa, alterando as regras e procedimentos adotados nas contratações de patrocínio.

Sobre o Planejamento Estratégico da Empresa, o patrocínio ao futebol está atrelado ao objetivo "Ser o principal banco de relacionamento da Nova Classe Média". Ainda assim, a partir deste ano, a CAIXA incluirá também os patrocínios a clubes de futebol ao Plano Executivo da Empresa, detalhando as ações e os objetivos a serem alcançados com esses patrocínios".

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