Sufoco e 'São Prass': Palmeiras quebra jejum, bate Rosario e alivia pressão

José Edgar de Matos, de São Paulo (SP), para o ESPN.com.br
SERGIO BARZAGHI/Gazeta Press
Cristaldo vibra após marcar para o Palmeiras sobre o Rosario Central
Cristaldo vibra após marcar para o Palmeiras sobre o Rosario Central 

"A Taça Libertadores é obsessão".

A quebra do jejum caseiro em 2016 só poderia vir no torneio mais prestigiado do futebol sul-americano. Na chuvosa noite desta quinta-feira no Allianz Parque, o Palmeiras derrotou o Rosario Central, da Argentina, pelo placar de 2 a 0, somou o primeiro resultado positivo diante do seu torcedor e assumiu a liderança do grupo 2 da Copa Libertadores.

De quebra, a primeira vitória como mandante em 2016 - antes desta noite eram dois empates e duas derrotas - alivia a pressão sobre o treinador Marcelo Oliveira, criticado pelo rendimento irregular do time nesta temporada. Rendimento, este, repetido diante da equipe argentina.

Um primeiro tempo bom e um segundo tempo péssimo. Quando precisou de ajuda, o Palmeiras dependeu das individualidades. O coletivo novamente sumiu, e a torcida reclamou em meio à tensão vivida pela pressão do Rosario Central.

Fernando Prass até precisou reviver o ‘Santo' e pegar um pênalti para segurar os três pontos, que deixam o Palmeiras na liderança da chave, com quatro pontos. O River Plate-URU e o Nacional-URU somam dois, enquanto o adversário palmeirense desta noite permanece com apenas um após duas rodadas.

Para alguém desavisado, o Palmeiras, em um primeiro momento, não demonstrou a instabilidade de quem vive uma crise. Nos primeiros 45 minutos, a equipe alviverde, escalada com apenas Thiago Santos na proteção da zaga - Jean e Robinho tiveram liberdade -, dominou o líder do Campeonato Argentino.

Liderado por Cristaldo, que ganhou uma chance entre os titulares e deu uma maior movimentação ao setor ofensivo, o time de Marcelo Oliveira foi para os vestiários com a vantagem no marcador. O próprio centroavante argentino, aos 24min, abriu o marcador, mostrando oportunismo, raça e calma.

O técnico time do Rosario Central, em desvantagem, procurou ditar o ritmo da segunda etapa no Allianz Parque. Para buscar o resultado, o ex-atacante corintiano Germán Herrera entrou na vaga do zagueiro Esteban Burgos. Os argentinos, a partir de então, se sentiram em casa.

Com posse de bola, jogo coletivo e movimentação constante dos homens de frente - principalmente do descansado Herrera -, o Rosario acuou o Palmeiras no início da segunda etapa. A equipe de Marcelo Oliveira limitou-se a se fechar e aguardar o melhor momento para contra-atacar.

O sufoco se ensaiava. O Rosario Central dominou completamente a etapa complementar, enquanto o Palmeiras se retraiu e errou demasiadamente na parte final do jogo. Na hora do aperto, novamente Fernando Prass apareceu para salvar o clube de Palestra Itália.

Assim como na Copa do Brasil e Campeonato Paulista, o goleiro tratou de parar o adversário de maneira espetacular. Um pênalti defendido dos pés de Marco Ruben, autor de cinco gols desta forma no Argentino do ano passado, fez o Palmeiras respirar aliviado pela primeira vez.

Sim, primeira. Porque o Rosario ainda pressionou mais, ficou perto perto de empatar algumas vezes e só saiu derrotado quando Allione, no último lance do jogo, fechou o placar em contra-ataque. 

'É hoje', pensou Thiago Martins após saber que seria titular

Apoio a Marcelo Oliveira

O pressionado treinador palmeirense ganhou um alento das arquibancadas. Ciente da instabilidade do comandante no cargo, a torcida entoou o nome de Marcelo Oliveira antes de a bola rolar no Allianz Parque.

Todo o estádio esqueceu a fase ruim deste início de 2016 - nenhuma vitória em casa antes da partida - e gritou o nome do treinador, que deixou o banco de reservas em meio à forte chuva para saudar os palmeirenses

Palmeiras argentino

SERGIO BARZAGHI/Gazeta Press
Cristaldo é abraçado por companheiros de Palmeiras após marcar sobre o Rosario
Cristaldo é abraçado por companheiros de Palmeiras após marcar sobre o Rosario 

O velho clichê da raça argentina jogou a favor do Palmeiras na noite desta quinta-feira. Alçado ao posto de titular durante os treinos secretos comandados por Marcelo Oliveira, Cristaldo correspondeu à confiança depositada pelo treinador palmeirense.

Diferentemente de Alecsandro e Barrios, o centroavante argentino apresentou uma movimentação maior, abriu espaços, criou jogadas ofensivas e ainda foi o responsável por abrir o placar diante do Rosario Central.

Aos 24min, a vontade do camisa 9 falou mais alto. Dudu descolou ótimo passe para Gabriel Jesus, que caiu na área. Atento, Cristaldo pressionou, roubou a bola de Salazar, passou pelo goleiro Sosa e abriu o marcador.

Justiça para o destaque do primeiro tempo.

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Ah, seu juiz

Dono da etapa de abertura da partida, o Palmeiras poderia ir aos vestiários com uma vantagem ainda maior. O trio de arbitragem comandado pelo paraguaio Enrique Cáceres parou, por impedimento, a jogada que possivelmente resultaria no segundo tento do clube alviverde.

Com liberdade, Robinho descolou ótimo lançamento para Gabriel Jesus, que arrancou sozinho em direção à área argentina. O assistente anotou impedimento, para protesto do público no Allianz Parque.

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Causa e efeito

Um velho conhecido entrou em campo pelo Rosario Central na segunda etapa. Trata-se do atacante Germán Herrera, com passagens por Corinthians, Grêmio, Vasco e Botafogo. O camisa 17 substituiu o zagueiro Esteban Burgos e deu uma maior mobilidade para os visitantes.

Desde o apito do árbitro, o clube argentino controlou o ritmo de jogo e acuou o Palmeiras. Não demorou para a equipe ter a chance do empate em uma cobrança de penalidade máxima. Mas...

...Fernando Prass

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Logo aos 14min, Robinho derrubou Cervi dentro da área e a arbitragem marcou pênalti. Marco Rubén cobrou forte, no canto, mas parou em um monstruoso Fernando Prass.

O grande ídolo do atual elenco palmeirense buscou a bola no canto direito e reiniciou a festa no Allianz Parque. O público, tenso e anestesiado pela melhora dos argentinos, voltou a explodir e se transformar no 12º jogador.

Foi necessário. O Rosario pressionou por mais 30 minutos e deixou toda a torcida palmeirense tensa.  Mas, no fim, um contra-ataque convertido por Allione fez os torcedores, enfim, explodirem de alegria. E alívio. 

Próximo desafio

Depois de estrear em casa pela Libertadores, o Palmeiras volta a se concentrar no Campeonato Paulista. No domingo, a partir das 16 (de Brasília), o time alviverde encara o Capivariano.

Pelo torneio continental, o próximo desafio palmeirense está marcado para a próxima quarta-feira, quando, a partir das 21h45, o clube alviverde encarará o Nacional-URU, no Estádio Parque Central.

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FICHA TÉCNICA:
PALMEIRAS 2 X 0 ROSARIO CENTRAL

Local: Allianz Parque, em São Paulo (SP)
Data: 3 de março de 2016, quinta-feira
Horário: 21h45 (de Brasília)
Público: 36.100 pagantes
Renda: R$ 2.450.240,54
Árbitro: Enrique Caceres (Paraguai)
Assistentes: Carlos Caceres e Milciades Saldivar (ambos do Paraguai)
Cartões amarelos: Thiago Santos, Robinho, Allione e Gabriel Jesus (Palmeiras); Burgos (Rosario)
Gols: PALMEIRAS: Cristaldo, aos 24 minutos do primeiro tempo; Allione, aos 48 minutos do segundo tempo

PALMEIRAS: Fernando Prass; Lucas, Thiago Martins, Vitor Hugo e Zé Roberto; Thiago Santos (Arouca), Jean, Robinho (Allione) e Dudu; Gabriel Jesus e Cristaldo (Rafael Marques). Técnico: Marcelo Oliveira

ROSARIO CENTRAL: Sosa; Salazar, Burgos (Herrera), Pinola e Alvarez; Musto, Colman (Protti), Da Campo (Lo Celso) e Cervi; Aguirre e Ruben. Técnico: Eduardo Coudet

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