Após 'quebrar a cara' no Santos, campeão mundial com a seleção vira ídolo na Europa

Leonardo Ferreira e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
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Bruno Uvini Santos Máscara Futebol Instagram 2014
Bruno Uvini teve fratura na face quando atuava pelo Santos, seu último clube no Brasil

Se há um jogador no mundo que pode dizer que "quebrou a cara" - literalmente - no Santos, este alguém é Bruno Uvini Bortolança.

Então emprestado pelo Napoli, em 2014, o zagueiro revelado nas categorias de base do São Paulo e que foi campeão mundial Sub-20 pela seleção brasileira, em 2011, passou por um grande "perrengue" mesmo no pouco tempo em que atuou na Vila Belmiro.

Contra o Cruzeiro, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro daquele ano, ele se envolveu em uma jogada ríspida com o atacante Marcelo Moreno e teve de sair de campo no intervalo. Mais tarde, após passar por uma tomografia computadorizada, foi constatada uma fratura na face, que o deixou de fora dos gramados por seis semanas.

Uvini lembra até hoje da dor e do susto que passou com a conversa com os médicos do clube praiano.

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Bruno Uvini vertical Holandês
Bruno Uvini é reverenciado no Twente-HOL

"Quando me falaram que ia ter que abrir o rosto e colocar placas e pinos eu me assustei. Eu estava muito preocupado porque você não vê isso acontecer, mas o médico foi fantástico. Fez a cirurgia e você nem vê as cicatrizes. Estava cagando de medo (risos)", gargalhou, em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.

"Ele teve que abrir a parte direita do meu rosto e moldar tudo de novo porque os ossos estavam todos quebrados. Ele teve que colocar placas e tinha me dito tudo isso. Depois que acordei e estava tudo bem. Tenho oito parafusos no rosto e quatro placas de metal e mais uma tela de metal pra moldar", detalhou.

Apesar das dificuldades pelas quais passou, Bruno Uvini não perde o bom humor.
"Pelo meos não apita quando passa em detector de metal, senão ia ser complicado explicar cada vez (risos). Chega de operação, daqui a pouco vou ficar com mais metal que osso no corpo, tá louco. Vai ficar que nem o Exterminador do Futuro ou o Robocop (risos)", comentou, comparando-se a dois dos grandes sucessos do cinema.

E foi muito por conta das consecutivas lesões que o defensor não conseguiu o sucesso esperado quando em Cotia, na base são-paulina.

"Foram os momentos mais difíceis para mim, porque jogar mal acontece com todo mundo e da pra recuperar no próximo jogo. Mas tive uma fratura na perna e a no rosto, que interromperam ótimos momentos da minha vida. Nunca me senti pior, porque você não pode fazer o que mais gosta e não pode fazer nada e apenas esperar", lamentou.

Reconhecimento na Europa

Apesar da pouca sequência de jogo nos times em que passou, Uvini finalmente pode dizer que é ídolo. Atualmente no Twente-HOL, 13º colocado do Campeonato Holandês, ele é titular absoluto da defesa e conquistou a torcida.

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Bruno Uvini Twente Futebol Divulgação
Zagueiro recebeu flores do clube holandês

"No começo, eu precisei de um certo tempo de adaptação ao país. Futebol e língua completamente diferentes do Brasil e da Itália. O time começou mal a primeira metade até a pausa de Natal e não estávamos encaixados, estave bem difícil. Agora, em sete jogos ganhamos cinco, com quatro vitórias seguidas. Bom momento do time, posso ajudar e tudo indo bem. O destaque veio naturalmente com a minha função, tudo se ajuda em um momento maravilhoso", comemorou.

"Depois do último jogo em casa, fui eleito o melhor em campo pelo clube. Foram flores, bola do jogo dentro de uma caixa de vidro... Fomos saudar a torcida, que nos aplaude ganhando ou perdendo, uma coisa que nunca vi na minha vida. Quando chegamos na frente da organizada, a tocida começou a cantar uma música feita pra mim. Tipo 'ai ai ai, Bruno Uvini!'. Pra mim foi muito legal. Você vem de outro país e, em pouco tempo, eles te abraçarem é bem legal, emocionante. Não é todo dia que acontece isso na carreira de um jogador profissional", completou.

Agora, tudo que o zagueiro quer é desfrutar desse reconhecimento.

"Sempre foi minha maior dificuldade ter uma sequência. Não tive nem no Napoli, nem no São Paulo por ter vindo da base. A grande sequência que tive foi na seleção de base. Agora são 24 jogos seguidos aqui na temporada e só perdi um jogo. Melhor forma que estou é agora. Jogar na Europa era uma vontade de muito tempo", concluiu.

Começo no interior

Bruno Uvini é da cidade de Capivari, interior de São Paulo. Após chamar atenção em uma peneira, foi para o Pão de Açúcar Esporte Clube fazer uma semana de testes e passou.

Bruno Uvini é um dos jogadores mais queridos pelos fãs do Twente-HOL

"Com 14 anos, me mudei de vez e sozinho para jogar lá. Uma das maiores diificildes que o moleque enfrenta é essa. Você conhece todo mundo no interior, não tem violência na rua e ir para a capital é complicado", recordou.

"Pegava metrô e 'busão' sozinho, me virava. O clube era estruturado demais, mas não tinha mordomia. Amadureci demais, foi uma escola de vida", comemorou.

Após se destacar em uma competição de base, Bruno foi para o São Paulo com 16 anos. "Nosso time era ótimo, Lucas, Casemiro, Henrique Almeida, Wellington, entre outros. Com o Oscar eu tinha jogado em Campinas quando éramos crianças numa competição, bem antes de sonhar em chegar ao São Paulo", relembrou.

Na equipe do Morumbi, o defensor venceu a Copa São Paulo de Futebol Júnior.

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