Lenda do United saía 'arrebentado' dos jogos e parou porque 'não aguentava mais'

Leonardo Ferreira e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
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Vidic Dente manchester United Inglaterra InglÊs Getty
Nemanja Vidic era símbolo de raça na metade final da Era Ferguson no United

"É o último ano do meu contrato, eu tive oito anos incríveis aqui e meu período nesse clube sempre será o melhor da minha carreira. Eu nunca poderia imaginar que viria a ganhar 15 troféus. Contudo, eu decidi que é hora de seguir em frente, por isso vou embora no fim da temporada. Eu quero me desafiar novamente, tentar meu melhor nos próximos anos. Não estou considerando ficar na Inglaterra, pois o único clube que eu queria defender era o próprio Manchester United, fui sortudo o bastante por ser parte deste clube por tantos anos".

O pronunciamento acima, feito pelo zagueiro sérvio Nemanja Vidic, no meio da temporada de 2013/14, emocionou até os torcedores menos fanáticos do Manchester United ao redor do mundo. Lenda dos "Diabos Vermelhos", o defensor colocou um ponto final em sua passagem por Old Trafford, que iniciou-se em 2006, após ser contratado do Estrela Vermelha, e findou em 2014 com sua ida à Internazionale de Milão.

Símbolo de raça dentro do campo na metade final do período de Sir Alex Ferguson no comando do clube, Vidic colecionou atuações, gols, títulos e, além de tudo isso, lesões e mais lesões. Não era raro vê-lo "arrebentado" e sendo carregado do gramado pelos médicos.

Segundo o zagueiro brasileiro Juan Jesus, companheiro do sérvio na Inter de Milão - seu último clube antes de se aposentar, em janeiro de 2016 -, a sequência de lesões foi um dos motivos para Vidic pendurar as chuteiras aos 34 anos.

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Seja o dente, seja o nariz: Vidic 'suava sangue'

"Ele sofreu muito com contusões, ainda mais na coluna, estava se recuperando de cirurgia e é complicado por causa da idade. Ele queria voltar a jogar, é um cara muito profissional, sempre lutou pelo time e a gente via o Vidic treinar todo dia e se esforçando, mas ele decidiu parar porque não aguentava mais. Na despedida ele agradeceu a todos no clube", contou, em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.

"Jogar na Premier League era guerra sempre. Ele estava sempre machucado, com cortes ou marcas roxas porque o juiz deixava o jogo correr. Eles não paravam os jogos, deixavam tudo mais atrativo para o torcedor", completou.

Amigo do sérvio, Juan diz que ele era um excelente conselheiro e, mesmo falando pouco, era certeiro em suas palavras. Sua liderança, outro ponto que marcou sua carreira, era visível a todos também na equipe italiana.

"Foi uma experiência muito boa, a gente aprende muito com ele. Sempre via ele na TV quando era menor pelo Manchester, tem uma qualidade incrível. Só acrescentou no meu trabalho. Ele me pedia pra aproveitar cada momento, porque a carreira no futebol passa muito rápido. Dizia para viver tudo o que pudesse da forma mais intensa. Se quisesse crescer como jogador, teria que buscar isso no momento, porque depois poderia ser tarde demais. Isso me marcou demais, por ouvir de um cara que fez tanto e estava no final da carreira", lembrou.

Champions League: da felicidade à tristeza

Campeão de tudo no Manchester United, Vidic levantou seu troféu mais importante da carreira, em 2007/08. Os "Diabos Vermelhos" bateram o Chelsea nos pênaltis e se sagraram campeões da Uefa Champions League e depois do Mundial de Clubes daquela temporada.

Mas um ano depois, o zagueiro teve a grande tristeza de seus 16 anos de futebol profissional.

"Ele falou que um dos momentos mais tristes foi a perda da Champions de 2009, porque era a segunda final consecutiva e faz muito tempo que uma equipe não vence a Champions duas vezes seguidas. Foi um desgosto porque ele queria ganhar de qualquer forma", revelou Juan Jesus.

Um dos maiores desafios de Vidic foi marcar Lionel Messi. Eleito o melhor do mundo cinco vezes pela Fifa, o argentino do Barcelona torna quase impossível a missão de roubar a bola de seus pés.

"Ele contava que marcar o Messi era a coisa mais difícil que tinha, porque era o jogador mais complicado. O Messi era o cara mais difícil de marcar porque é imprevisível, nunca se sabe exatamente o que ele vai fazer. Além disso ele é pequeno, mas muito forte e mesmo quando você dá uma chegada nele, o cara não cai (risos)", disse.

Agora, tranquilo e longe das cotoveladas, cabeçadas e pernadas dos adversários, Vidic deve finalmente descansar em sua casa.

"Eu ainda não falei com ele sobre o que ele vai fazer agora que aposentou. Na pré-temporada eu concentrava com ele, sempre gente boa. Mas acho que ele vai tirar férias ele quer curtir a família", completou Juan.

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