5 anos após chute em Belfort, Anderson ainda brinca: 'Luta do século só contra o meu clone'

Guilherme Dorini e Igor Resende, do ESPN.com.br

Você pode não saber com precisão o que aconteceu no dia 5 de fevereiro de 2011, mas a data foi fundamental para o esporte brasileiro. Diante dos holofotes do mundo inteiro, os dois nomes mais importantes do MMA nacional estiveram frente a frente para o maior duelo de todos os tempos. E ele não poderia acabar de outra forma se não com muita genialidade, com um chute no rosto que gerou um dos nocautes mais espetaculares da história da modalidade.

É claro que você já sabe do que estamos falando. Mas, cinco anos depois, Anderson Silva ainda acha que aquele duelo com Vitor Belfort não foi a ‘Luta do Século', como foi denominada.

"As pessoas sempre me perguntam isso. Eu costumo brincar, e, às vezes, até sou mal interpretado por isso, dizendo que a luta do século seria eu contra o meu clone (risos). Isso seria engraçado, mas claro que não é possível. Não, não considero a luta do século não. Seria muita pretensão achar isso", disse o brasileiro com exclusividade ao ESPN.com.br.

O discurso é bem parecido com o que ele dizia já naquela época. Fato é, porém, que aquele duelo mudou completamente os rumos do MMA no Brasil. O nocaute foi reprisado inúmeras vezes em todos os canais de televisão, fez o UFC atingir um público que jamais havia conseguido por aqui e acabou originando o ‘boom' da modalidade.

Seis meses depois, o UFC desembarcou pela primeira vez em terras brasileiras sob nova direção - o Brasil havia recebido um evento no longínquo ano de 1996. Desde então, o país recebeu nada menos que mais 22 eventos, se tornando a segunda casa do Ultimate, atrás apenas dos Estados Unidos.

E, mais que isso, o MMA se tornou conhecido, chegou à principal televisão aberta do país.

"Era uma luta muito esperada por todos os fãs do esporte. Dois grandes atletas, dois grandes nomes, e tomou a devida proporção em decorrência da divulgação e de todo o trabalho de mídia que o UFC fez. Isso levou muita gente a assistir. E creio que gostaram tanto que a comentam até hoje", diz Anderson Silva.

O DUELO

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Nocaute de Anderson em Belfort já completou 5 anos
Nocaute de Anderson em Belfort já completou 5 anos

O encontro de Anderson e Vitor foi ainda mais aguardado pelo público por conta de toda a ‘novela' que ele teve em torno dele.

A começar por Anderson.

O então campeão não queria de jeito nenhum enfrentar Vitor Belfort. Os dois treinaram juntos por muito tempo, tanto na Team Nogueira quanto na Black House. E lutar contra companheiros de academia era - e ainda é - algo que Anderson abominava.

Mas Belfort insistiu tanto - e fez por merecer, claro - que o combate foi marcado. Mas o tão esperado duelo ainda teve que ser desmarcado duas vezes, uma por uma lesão de Anderson e outra por uma contusão de Vitor.

Reprodução
Anderson Silva x Vitor Belfort, os números antes da transmissão da luta
Anderson x Belfort, os números antes da luta

Quando chegou, porém, o combate justificou toda a expectativa. Principalmente antes de o gongo soar.

A semana da luta foi espetacular. Anderson estava com muita vontade de dar espetáculo. Logo nos treinos abertos, resolveu fazer sparring com o filho Kalyl, que então tinha 12 anos. Depois, o mesmo menino acabou gerando a encarada mais espetacular do UFC.

Tudo começou com uma declaração de Belfort. "Acho que o Anderson tem muitos pontos fortes, mais pontos fortes do que fracos. Mas ele veste uma máscara daquilo que ele não é. Essa insegurança dele o leva a fazer coisas assim", disse, na ocasião.

Kalyl, então, sugeriu que Anderson fosse para a encarada com uma máscara, inspirado em uma peça de teatro que eles haviam assistido no dia anterior à encarada. E acabou gerando um enfrentamento épico com xingamentos dos dois lados.

A luta em si, teve pouca movimentação. Os dois se estudaram sem trocar golpes por um minuto e meio. Depois, Belfort até parecia tomar mais às rédeas do combate e chegou a acertar um bom golpe. Anderson, porém, tirou o coelho da cartola. Do nada, chutou frontal e acertou em cheio o rosto do rival, levando ao chão praticamente nocauteado.

"Confesso que antes da luta eu não pensei muito. Era uma luta como outra qualquer e eu treinei muito para lutar, como sempre treino para as outras. Durante uma luta, o que passa pela sua cabeça é simplesmente o que você treinou para chegar no octógono e executar. Depois da luta é aquela sensação de vitória, de alegria, de dever cumprido. E graças a Deus a gente conseguiu a vitória com qualidade técnica", completou Anderson.

"Foi uma vitória com uma qualidade técnica muito grande e eu acho que aquela foi uma das lutas que colocou todo o nosso treinamento à prova, tudo o que a gente treinou, tudo o que a gente desenvolveu como técnica pra essa luta", finalizou.

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