Dez anos após bater River na Libertadores, time paulista tenta evitar falência

Leonardo Ferreira, do ESPN.com.br
Getty
Jaílson Paulista Comemora Gol Futebol Libertadores 04/05/06
Paulista de Jundiaí venceu o River na Libertadores em 2006; hoje, tenta se reerguer

No dia 5 de abril de 2006, o Paulista surpreendia toda a América do Sul ao bater o poderoso River Plate, da Argentina, por 2 a 1, no Estádio Jayme Cintra, em Jundiaí. Aquele time, comandado por Vágner Mancini, ainda tinha como destaques o goleiro Victor (hoje no Atlético-MG), o zagueiro Réver (hoje no Internacional), além do ex-atacante colombiano Muñoz, que ficou conhecido no Palmeiras.

O placar até não ajudou muito, já que o time do interior paulista parou na primeira fase, mas serviu para colocar mais uma "estrelinha dourada" na história do clube, campeão da Copa do Brasil, um ano antes, sobre o Fluminense.

Dez anos depois, a situação é completamente diferente daquela.

Atolado em dívidas, fora das divisões de elite do Campeonato Brasileiro e atualmente na Série A2 do Estadual, o Paulista busca o reerguimento debruçando-se no patrimônio mais importante de qualquer clube: o torcedor.

Gazeta Press
Paulista de Jundiaí Torcida Pacaembu Campeonato Paulista 2004 Gazeta Press
Clube quer a volta da torcida ao Jayme Cintra

O time tricolor jundiaiense criou o movimento chamado "Novo Paulista", modelo de captação de receitas que envolve também empresas patrocinadoras. Toda a gerência de marketing foi reformulada e o clube já começa a bombar seu programa de sócios.

"A torcida tá voltada para o Paulista aqui em Jundiaí, porque é o único clube da cidade, então tem uma rejeição mínima, todo mundo é torcedor. Mas, pelas últimas gestões, ele ficou abandonado e, agora, com esse projeto, a gente tá trazendo o torcedor de volta pro estádio", contou o gerente executivo do Novo Paulista, Douglas Stephens, em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br.

O modelo é parecido com o do PSV. A equipe holandesa se tornou gigante no país ao voltar as atenções ao torcedor da cidade, Eindhoven. Hoje, são 22 títulos da Eredivise, divisão de elite nacional.

"A gente já tem uma receita vindo do programa de sócios, vindo de comércio. Isso contribui no investimento mensal no clube. Nosso público vem aumentando gradativamente: até o final do ano passado, tínhamos prejuízo; agora, deu lucro. Os produtos oficiais e os patrocinadores voltaram a se interessar por nós", disse.

Gustavo Amorim/Paulista
Paulista de Jundiaí Rafael Fefo Bragantino Lincom Paulista Série A2 30/01/2016
Paulista de Rafael Fefo, contra o Bragantino, de Lincom

O lucro é comprovado se olhada a súmula da estreia do Paulista na Série A2, no último sábado. Contra o Bragantino, na derrota por 4 a 1 em casa, estiveram presentes 1.181 torcedores, público pouco menor, por exemplo, que o do Botafogo, na última terça-feira, diante da Portuguesa-RJ, pelo Campeonato Carioca (1.273). O saldo foi positivo, já que a receita líquida da partida contra o clube de Bragança apresentou um superávit de R$ 4.753 aos cofres jundiaienses.

Há a possibilidade do Paulista, com o sucesso do aumento do número de associados, adentre ao programa "Movimento por um Futebol Melhor", que já abrange outros 68 times de todo o Brasil e ajuda no desenvolvimento do esporte no país.

"A gente estava negociando com a Ambev (principal patrocinadora do movimento), mas optou por fazer a nossa própria rede de benefícios. A gente tem uma negociação com os estabelecimentos daqui, então nosso sócio-torcedcor tem descontos maiores em supermercados e outras lojas da cidade que no Movimento por um Futebol Melhor", ponderou Stephens.

Uma das ideias de iniciar o reerguimento do Paulista foi fazer uma parceria com uma empresa portuguesa, que traria reforços e o técnico Paulo Fernandes juntamente com sua comissão técnica. Ela arcaria com todas as despesas salariais do treinador luso, porém o acordo foi rapidamente desfeito, e o "professor" dispensado.

Divulgação/Facebook
Banner do programa de sócios do Paulista no Facebook
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"Essa foi uma parceria meio furada. Através dessas receitas de marketing e patrocínio, elas custeiam salário dos funcionários, luz, estádio, manutenção e faltava o orçamento do futebol. Foi proposta então a parceria com os portugueses e eles trariam alguns jogadores. Veio tudo, menos o dinheiro. A comissão foi toda desfeita", lamentou o gerente executivo, que não perde as esperanças.

"Juntos, faremos um Paulista mais forte. Todo mundo está abraçando o projeto e vai dar muito certo", completou.

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