Ex-presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio morre após luta contra câncer

Diego Garcia, do ESPN.com.br
Vitórias, títulos e polêmicas: Relembre a trajetória de Juvenal Juvêncio no São Paulo

Ex-presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio morreu na manhã desta quarta-feira. O dirigente se tratava havia anos de um câncer de próstata, mas a doença debilitou bastante sua saúde, e os últimos meses foram complicados. Ele estava internado no hospital Sírio-Libanês desde domingo.

O velório acontecerá no Salão Social do estádio tricolor a partir das 15h, e o sepultamento está marcado para as 10h desta quinta no Cemitério do Morumbi. O São Paulo decretou luto oficial de três dias em sua memória.

"A doença tinha se complicado muito, e ele não estava bem há um tempo. Infelizmente não resistiu mais", disse José Francisco Mansur, ex-assessor do dirigente, à reportagem.

Juvenal Juvêncio foi um dos maiores dirigentes da história do time tricolor. Ex-diretor de futebol e presidente em dois períodos por quatro mandatos (1988 a 1990 e 2006 a 2014), ele conquistou vários títulos, como três brasileiros consecutivos, uma Copa Sul-Americana, uma Libertadores e um Mundial de Clubes.

O ex-presidente ajudou a eleger Carlos Miguel Aidar no ano passado, mas brigou com o aliado e deixou a diretoria da base - Aidar acabou renunciando há poucos meses.

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"Muito trabalhador, vitorioso, parceiro. Sempre fala o que tem falar diretamente. Lamento muito, sofreu bastante agora no final, tomara que Deus o acolha em um bom lugar e conforte sua família. Fez muito pelo são Paulo. trabalhou demais, e a gente perde muito", disse o agora técnico do Flamengo, Muricy Ramalho, vitorioso ao lado de Juvenal Juvêncio na última década, no Bate-Bola Bom Dia.

"Acho que no futebol a gente exagera um pouco no que diz respeito a falar o que soa muito bonito, mas na prática não resolve nada, e o Juvenal era diferente: olhava na cara, falava o que o cara não ia gostar, mas quando tinha que ter gesto de carinho, tinha. Muito autêntico, e falta um pouco isso na vida e no futebol. Palavra bonita não acrescenta muito. Um estilo totalmente diferente de trabalhar o futebol".

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"Um dia muito triste. Perdemos essa figura excepcional chamada Juvenal Juvêncio. Mesmo muito doente, fez questão de me mandar mensagem na semana passada sobre minha despedida do São Paulo. Uma honra enorme para mim. Um cara fora de série, que sempre vou guardar no meu coração. Minha solidariedade a todos os familiares. Obrigado por tudo, Juvenal. Descanse em paz", postou Luis Fabiano no Instagram.

"Os jogadores gostavam muito do Juvenal", declarou Silas, que atuou no São Paulo entre 1984 e 1988 e entre 1997 e 1998, também em participação no Bate-Bola Bom Dia. "É o tipo de dirigente que a gente veja pouco hoje no futebol."

"Quanto ao São Paulo, o Juvenal descansa em paz. O legado que ele deixa é vencedor. O São Paulo é um clube muito respeitado, reconhecido mundialmente", declarou o ex-vice à época de Juvenal, João Paulo de Jesus Lopes, na rádio Bradesco Esportes FM.

"É com o mais profundo pesar e saudade que o São Paulo Futebol Clube comunica o falecimento de Juvenal Juvêncio, aos 81 anos. Benemérito e um dos presidentes mais empreendedores e vencedores da história do Tricolor, Juvenal faleceu na manhã desta quarta (9), no Hospital Sírio Libanês, onde estava internado em decorrência de sua luta contra o câncer. O Clube se solidariza com familiares, amigos e admiradores neste momento de dor", escreveu o clube tricolor em seu site oficial.

A idade do dirigente, por sinal, é um mistério: não se sabe ao certo de ele nasceu em 1932 (como diz uma reportagem da revista ESPN publicada há dois anos) ou 1934 (como afirma o São Paulo no comunicado).

"Foi por bom tempo um amante do futebol. Meus pêsames à família", disse o ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez.

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No ano passado, após a saída de Juvenal da presidência, Rogério Ceni (que se aposentou dos gramados há três dias) rasgou elogios a ele.

"Trabalhei 12 anos com ele, de 2002 até 2014. Uma pessoa empreendedora, centralizadora, mas não como defeito, e sim como qualidade. Ele fez muito pelo clube, pelo São Paulo, cresceu muito estruturalmente. Período de oscilações, de muitas conquistas e algumas derrotas, normal em administrações longínquas".

"Um cara muito bom para os atletas. Nesse último mandato não teve tanto sucesso como os demais. Poucos são os presidentes que são cantados a todo momento, lembrados, daqui 30 anos será lembrado, assim como doutor Marcelo (Portugal Gouvêa), Laudo Natel. Ele vai ser sempre lembrado com muito carinho", falou.

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Os jogadores também prestaram homenagens ao dirigente, que atuou ao lado de Marcelo Portugal Gouvêa na montagem do elenco campeão da Libertadores e do Mundial há dez anos. O sucesso fez com que Juvenal conseguisse retornar à presidência do São Paulo, por onde havia passado entre 1988 e 1990.

Com amplo apoio, ele ficou por três mandatos à frente do clube do Morumbi, mudando inclusive o estatuto, pois presidente só poderia ser reeleito uma vez.

Além dos títulos (o tri brasileiro só teve precedente nos anos 1960 com o Santos de Pelé na ainda chamada Taça Brasil), ele modernizou o CFA (Centro de Formação de Atletas) de Cotia, seu xodó, que é utilizado pelas categorias de base.

Também esteve à frente da criação do Reffis (Núcleo de Reabilitação Esportiva Fisioterápica e Fisiológica), um dos mais modernos centros de reabilitação de jogadores do mundo usado por atletas nacionais e também de clubes do exterior.

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Em seu último mandato, porém, a saúde começou a preocupar Juvenal Juvêncio. Um câncer de próstata fez com que o dirigente se afastasse aos poucos do dia-a-dia do clube, tendo iniciado tratamento de radioterapia.

Em uma de suas últimas aparições públicas, em setembro de 2014, o ex-presidente do São Paulo passou mal durante um programa do canal Fox Sports. A partir dali, praticamente não fez outra coisa que não fosse tratar da doença.

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