Departamento de Justiça dos EUA acusa formalmente Del Nero e mais 15 por corrupção

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Del Nero e Teixeira são citados no pronunciamento das autoridades dos EUA

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos aumentou o cerco sobre os dirigentes sul-americanos. Na tarde desta quinta-feira, em pronunciamento ocorrido em Washington, a entidade acusou formalmente Marco Polo Del Nero, atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol, no Fifa Gate, investigação liderada pelo FBI contra a corrupção no futebol. Caso acusado, o mandatário mais importante do futebol nacional pode pegar até 20 anos de cadeia.

Exatamente às 17h41 (de Brasília), Marco Polo Del Nero teve o nome citado por Robert Capers, promotor distrital de Nova York, que acusou formalmente o presidente da CBF e mais 15 nomes de corrupção, formação de quadrilha e enriquecimento ilícito. O nome de Ricardo Teixeira, antigo mandatário da Confederação Brasileira de Futebol, também está no grupo.

"Os 16 acusados incluem executivos da Concacaf e da Conmebol. Também temos alguns secretários e tesoureiros da Conmebol, membros da instituição de El salvador, Guatemala, Honduras, todos parte da Concacaf, confederação da América Central; esses países tem membros acusados. Marco Polo Del Nero, da Confederação Brasileira, que recentemente abriu mão da sua posição na Fifa, mas também foi presidente; finalmente outros ex-presidentes também são acusados", disse o promotor.

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Del nero
Del Nero foi acusado de corrupção 

Desta forma, os três últimos presidentes da CBF passam a ser investigados pela Justiça dos Estados Unidos. Antes de Del Nero e Teixeira, José Maria Marin já fora preso na primeira ação do FBI, ocorrida em maio. Marin acabou detido na Suíça, onde permaneceu em cárcere até o início de novembro, quando o dirigente acabou extraditado para Nova York.

Para chegar até Del Nero e Ricardo Teixeira, a Justiça dos Estados Unidos trabalhou com oito novas delações premiadas. Nesta nova etapa das investigações, dois nomes acabaram detidos na manhã desta quinta-feira: o presidente da Conmebol, Juan Ángel Napout, e o mandatário-interino da Concacaf, Alfredo Hawit. Ambos acabaram detidos na Suíça, em nova operação conjunta com a polícia local.

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"Agora estamos trabalhando para trazer essas duas pessoas para os EUA para serem julgados. Essas acusações também aumentam os casos de corrupção que vimos em maio, do esquema que funciona desde 1991 até hoje", discursou Loretta Lynch, procuradora-geral dos Estados Unidos.

"Cartolas conspiraram para receber mais de 120 milhões de dólares. Houve o pagamento sistemáticos de propinas e subornos para favorecer algumas empresas. Algumas delas também sofreram com pagamentos de patrocínios e novos países para terem a Copa do Mundo na sua geografia", acrescentou.

Para quem ainda não teve o nome envolvido no caso Fifa, a procuradora-geral americana deu um recado bem claro. "Estamos certos do esquema de corrupção que ligam ao senhor Hawit e ao senhor Napout, sabemos que o trabalho de corrupção teve participação destes dois que foram presos hoje. A mensagem que quero mandar para vocês é que qualquer pessoa que possa ser descoberta, eu convido que se aproxime, porque sem dúvidas vamos descobrir", concluiu.

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'Ficaremos eternamente gratos se o governo brasileiro colaborar', diz procuradora

Com três presidente da CBF acusados no Fifa-Gate, os Estados Unidos procurarão apoio do governo brasileiro para chegar até a Marco Polo Del Nero. Ainda no pronunciamento desta quinta-feira, Loretta Lynch pediu suporte às autoridades nacionais para levar os acusados aos Estados Unidos, já que não há um acordo de extradição entre as duas nações para este tipo de caso.

"Ficaremos eternamente gratos se o governo brasileiro quiser colaborar", declarou Loretta Lynch, que, novamente, anunciou uma estratégia conjunta com governos estrangeiros para a continuação das investigações.

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"Não posso dizer como a Justiça brasileira vai funcionar, não sei se eles vão cooperar ou não, mas o que posso afirmar é que, quando for o momento certo, nós vamos trabalhar com vários governos. Isso de não termos um acordo de extradição não é assim tão fundamental, existem muitas outras maneiras de trazer alguém para o nosso país", explicou.