Marcelo Oliveira supera o estigma do vice e faz história com o Palmeiras

José Edgar de Matos com Data ESPN
Marcelo Oliveira: 'Achavam que o Santos ia humilhar a gente; futebol não é assim'

O momento era ruim, as críticas tornaram-se constantes e o clima pesou. No entanto, uma vitória, um jogo, mudou tudo. Marcelo Oliveira, enfim, pôde sorrir. De uma vez, o treinador derrubou duas pressões: tanto no profissional quanto no pessoal. Com a Copa do Brasil, o comandante quebrou um jejum e derrubou (pelo resultado) os questionamentos do futebol palmeirense.

Pessoalmente, a vitória acaba com o estigma de vice-campeão. Depois de três finais (2011 e 2012 pelo Coritiba e 2014 pelo Cruzeiro), enfim, Marcelo Oliveira vence a Copa do Brasil. O carma do fracasso no momento de decisão ficou no passado, e logo no momento em que o treinador mais sofreu fora dos gramados.

"Uma hora vai ganhar, é difícil chegar, sempre acredito, por mais que pessoas fora achavam que o Santos ia nos humilhar, não foi isso que aconteceu. Aqui tem trabalho, honestidade....esse momento é só comemorar. Não foi por acaso que ganhamos, poderíamos ter vencido no tempo normal", disse Marcelo Oliveira após a conquista nos pênaltis.

A reta final do Campeonato Brasileiro decepcionou. Da briga pelo G-4, o Palmeiras se tornou um mero coadjuvante. A falta de resultados gerou vaias, e o nome de Marcelo Oliveira deixou de se tornar unânime. No momento mais difícil, mais complicado, o técnico respondeu com o troféu e, de quebra, a vaga na Libertadores 2016, sonho distante na Série A.

O sorriso do treinador combinava com o do presidente Paulo Nobre. Depois de invadir o gramado para comemorar o título, o mandatário 'interrompeu' a entrevista concedida por Marcelo Oliveira para colocá-lo de fato na história alviverde. "Só tínhamos dois técnicos campeões no Palmeiras, ele é o terceiro", disse, em referência a Vanderlei Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari.

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Desde a Era Parmalat, somente Luxa e Felipão ganharam títulos expressivos pelo clube. Luxemburgo levantou a taça de dois Campeonatos Brasileiros (1993 e 1994), quatro Paulistas (1993, 1994, 1996 e 2008) e um Rio-São Paulo (1993). Por outro lado, Scolari levantou duas Copas do Brasil (1998 e 2012), Copa Mercosul (1998), um Torneio Rio-São Paulo (2000) e a tão sonhada Libertadores (1999).

O título acaba com os fracassos recentes de Marcelo Oliveira em finais. No ano de 2011, quando surgiu nacionalmente ao alcançar o recorde de 24 vitórias seguidas pelo Coritiba, o treinador perdeu a decisão para o Vasco, em pleno Couto Pereira. O triunfo por 3 a 2 não foi suficiente, e o clube paranaense desperdiçou a chance de levantar um troféu nacional pela segunda vez.

Gazeta Press
Marcelo Oliveira é jogado para cima em vitória do Palmeiras
Marcelo Oliveira, em vitória do Palmeiras

O campeão brasileiro de 1986 manteve a parceria com Marcelo Oliveira e retornou à final da Copa do Brasil em 2012. Desta vez, o adversário foi quem justamente quebrou o retrospecto ruim do treinador, o Palmeiras. Uma vitória por 2 a 0 e um empate decisivo por 1 a 1, gol do iluminado Betinho, deram o título ao clube de Palestra Itália. Mal sabia Marcelo que o destino os uniria.

Antes de quebrar a máxima do fracasso na final, Marcelo ainda passou por uma provação ainda maior. No ano passado, já consagrado pelo bicampeonato nacional em um Cruzeiro que encantou, o treinador falhou diante do maior rival. O Atlético-MG de Levir Culpi superou o adversário celeste nos dois embates (2 a 0 e 1 a 0) e ergueu de maneira inédita o troféu.

Agora a história foi outra. Considerado um dos principais técnicos brasileiros, Marcelo Oliveira, enfim, se consagrou na Copa do Brasil. De quebra, o comandante ainda registrou o nome na história da competição - agora de maneira mais do que positiva - em dois pontos.

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O Palmeiras se tornou o primeiro clube a vencer por duas vezes o torneio depois de perder o jogo de ida da decisão. A segunda taça em um espaço de três anos também faz o clube de Palestra Itália se igualar ao Cruzeiro (1993-1996 e 2000-2003) e ao Grêmio (1994-1997), os únicos a conseguirem o feito. Marcelo Oliveira, queira ou não queiram, fez história nesta quarta-feira.

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