Antes de Pato, Milan ofereceu R$ 6 milhões por brasileiro do Prêmio Puskas e não levou

Francisco De Laurentiis e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
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Wendell Lira (ao centro) foi campeão da Copa Sendai em 2006
Wendell Lira (ao centro) foi campeão da Copa Sendai em 2006 pela seleção brasileira

Desempregado até pouco tempo e hoje conhecido pelo golaço que marcou pelo Goianésia, que lhe rendeu uma indicação ao Prêmio Puskas da Fifa de 2015, o atacante Wendell Lira poderia ter um destino completamente diferente em sua vida. Mais precisamente, em Milão, na Itália, onde por muito pouco não foi morar.

O jogador, que acertou há alguns dias com o Vila Nova após três meses sem clube, surgiu como uma das grandes promessas das categorias de base do Goiás e chegou até mesmo a servir a seleção brasileira sub-20. Com apenas 17 anos, ele era da equipe que tinha nomes como Willian (Chelsea) e Alexandre Pato (São Paulo) e venceu a Copa Sendai, no Japão, em 2006. 

Wendell marcou um dos gols na campanha e, ao retornar no Goiás, fez um excelente Campeonato Brasileiro sub-20, sendo eleito a revelação e terminando como artilheiro da competição, com sete gols. Com isso, chamou atenção de clubes do Brasil, como o Santos, e até mesmo de um poderoso gigante da Itália.

Segundo conta o atleta, o Milan ofereceu R$ 6 milhões por ele, que à época era empresariado pelo espanhol Gerardo Santiago -  mesmo agente que levou Denílson, do São Paulo, ao Arsenal, da Inglaterra, em 2006.

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"Eu tinha ido muito bem e despertei interesse. Até o Milan chegou a fazer uma proposta oficial, mas o Goiás na época não quis me vender, porque eu tinha acabado de assinar contrato profissional por cinco anos. Eles esperavam lucrar mais", recordou Wendell, em entrevista ao ESPN.com.br.

Sem chegar a um acordo, o clube italiano contratou Alexandre Pato, então jovem revelação do Internacional, meses depois.

"Eu fiquei muito triste na época, porque era um sonho jogar lá, mas como sou muito tranquilo sempre acreditei que um dias as coisas poderiam dar certo. Demorou, mas aconteceu", analisou.

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Desde muito cedo, Wendell chamava a atenção dos colegas de equipe. "Ele é um ano mais velho do que eu, mas atuamos juntos na base. Quando eu cheguei, ainda criança, mas lembro de ter visto um jogo dele pelo Goiás contra o Vila Nova em que vencemos por 5 a 4 e ele fez quatro gols. Ele sempre foi de muita qualidade técnica mesmo, foi na seleção de base e ele estava muito bem", recordou o zagueiro Rafael Tolói, ex-defensor do time esmeraldino e atualmente na Atalanta, da Itália, ao ESPN.com.br.

No ano seguinte, a carreira promissora, porém, foi atapalhada por duas graves lesões no ligamento cruzado no joelho, o que fez o atacante não chegar ao nível esperado e quase desistir do futebol. "Aí depois disso machuquei e acabou que eu não voltei mais tão bem", lamentou Lira, hoje recuperado após as cirurgias.

Enquanto os colegas Douglas e Rafael Tolói foram para o São Paulo e hoje atuam na Europa, Wendel era emprestado para outros clubes e brigava contra as lesões. Até que seu contrato com o Goiás se encerrou, no final de 2012, com uma série de incertezas.

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Mesmo pensando em abandonar a carreira, ele persistiu e rodou por equipes como Anapolina, URT, Novo Horizonte e Goianésia. Na equipe goiana, fez o gol que tornou famoso no mundo todo, ganhando o direito de participar do Puskas.

Depois, foi para o Tombense-MG, para a disputa da Série D, mas não obteve sucesso e ficou desempregado por três meses após o fim de seu contrato.

A notícia de que estava indicado ao prêmio de gol mais bonito do ano, no entanto, mudou a vida do jogador. Wendell recebeu várias ofertas e assinou com o Vila Nova, que irá disputar a Série B no ano que vem, após ter se sagrado campeão da C.

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Wendell Lira faz campanha pelo gol Puskas
Wendell durante seus tempos de seleção de base

Agora, para fechar o ano, ele quer ficar entre os três finalistas do Pêmio Puskas. A lista final será divulgado na próxima segunda, 30 de novembro.

"Eu não estava preocupado, mas agora estou ansioso. Recebo mensagens diárias de muitas pessoas do Brasil todo e acabei entrando na pilha da galera (risos)", brincou.

Para conseguir uma vaga no prêmio, contou até mesmo com o apoio dos ex-companheiros: "Já votei no gol dele e estou na torcida para que ganhe o prêmio. Ele está concorrendo com os melhores jogadores do mundo", enalteceu Tolói.

"Infelizmente, aquela época não deu certo, mas a coisas tem o tempo certo. Agora, estou aproveitando essa fase. Deus sabe o que é melhor", finalizou Lira.

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