De infância difícil e originário do atletismo, brasileiro começa sonho do título da MLB hoje

Gustavo Faldon, do ESPN.com.br
'É um momento inexplicável na minha carreira', diz brasileiro dos Royals

Há seis meses, Paulo Orlando era apenas um veterano jogador de um esporte pouco popular no Brasil que buscava uma improvável vaga na Major League Baseball aos 29 anos de idade. Pois ele conseguiu superar não só os obstáculos da modalidade como também da vida e chegou à MLB em 2015.

Logo em seu ano de estreia, Paulo Orlando já atingiu marcas históricas para o seu país. O paulista está na final da MLB, a World Series, que começa nesta terça-feira, às 21h30 (Brasília), com transmissão ao vivo da ESPN e do WatchESPN. Orlando defende o Kansas City Royals, vice-campeão de 2014 e vencedor da final pela última vez em 1985, que enfrenta o New York Mets na decisão melhor de sete jogos.

Orlando é o primeiro brasileiro da história a participar da decisão da MLB. E logo de cara pode ser campeão.

"É um momento inexplicável na minha carreira. Primeiro ano já fazendo parte do Kansas City, que está trabalhando há alguns anos para chegar onde está. Só agradeço a Deus pela oportunidade de estar aqui e de estar compartilhando com eles esse momento. Melhor coisa que poderia acontecer pra um jogador é estar jogando numa World Series", disse Orlando, ao ESPN.com.br.

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Paulo Orlando, brasileiro dos Royals
Paulo Orlando, brasileiro dos Royals

Orlando hoje tem a filha e a esposa ao lado nos Estados Unidos, algo que não acontecia no começo do ano. O brasileiro não teve também uma infância privilegiada, dependendo do esforço da mãe, que era empregada doméstica.

"Minha mãe era faxineira em um hospital particular onde tinha um médico que presidia o Santo Amaro. Ele me chamou e fui jogar. E meu pai era metalúrgico. Tive uma infância boa na maneira do possível", afirmou o brasileiro, em conversa com o ESPN.com.br em abril.

Logo em seu primeiro ano na Major League Baseball, Paulo Orlando foi bem, mesmo sendo reserva dos Royals. O brasileiro terminou com média de 24,9% no bastão, sete home runs e 27 corridas impulsionadas, mostrando também sua velocidade correndo - algo que vem dos tempos em que ele praticava atletismo e sonhava em ser velocista.

A MLB tem olhado com bons olhos para o mercado brasileiro e já até admitiu que pensa em ter um jogo de pré-temporada em terras tupiniquins na próxima década. Um jogador do país campeão da Liga certamente ajudaria a causa.

"Com a oportunidade que a MLB tá dando pro Brasil, vem crescendo. Estão colhendo frutos, estão saindo muitos jogadores pras ligas menores. Ter um título brasileiro é muito importante porque pode criar expectativa para os jovens", afirmou Orlando.

Trotes de calouro e cerveja liberada

Por ser novato, Orlando sofreu com os tradicionais trotes aplicados aos calouros na MLB.

"Vestiram a gente de prisioneiro, aí a gente tinha que fazer o que o xerife mandava, andar em fila. No começo eu estava aqui sozinho, o trabalho de novato também é levar a cerveja quando vai viajar. Termina o jogo tem que levar umas duas sacolas de cerveja pro ônibus porque os jogadores gostam de beber bastante, principalmente os arremessadores", revelou, ressaltando que a tradição da bebida alcoólica não é problema na MLB.

"Todo mundo já é grande. Não tem essas coisas de concentração. Cada um cuida do seu corpo da maneira que acha que tem que cuidar. Umas cinco ou seis não fazem diferença, ainda mais porque são sem alcoól. Eles tomam bastante vinho, uísque, depende de cada um", completou.

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