Atacante foi de cabo eleitoral a desenganado por médicos na Tailândia; agora, tenta acesso

Leonardo Ferreira e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
Gazeta Press
Bruno Lopes é atacante do Vila Nova na Série C do Brasileiro
Bruno Lopes é atacante do Vila Nova na Série C do Brasileiro

O jogo era decisivo. O maior clássico do futebol da Tailândia, entre Ratchaburi e Suphamburi pelo campeonato local, era a partida mais esperada da temporada. E aquele dia 4 de julho de 2015 ficará marcado para sempre na vida de um brasileiro.

Mas não foi por um gol, por um passe, ou por qualquer outra ação que tenha dado a vitória a seu time. No caso, Bruno Lopes, atacante da equipe da casa e o brasileiro em questão, pode dizer que "nasceu de novo".

"Com dois minutos de jogo e na primeira bola que peguei, eu senti um estalo forte nas costas e, na hora, perdi a as forças nas pernas. Cai no chão, começou um drama na minha vida, não gosto nem de lembrar. Na hora, eu saí de bruços na maca porque não conseguia nem virar. Fui de ambulância para o hospital e fizeram uma bateria de exames lá, fui transferido a um hospital maior", contou o jogador de 29 anos, revelado pelo Figueirense e com passagens por Mineiros-GO, América-MG, Uberaba-MG, Anapolina-GO, Albirex Niigata-JAP e Estoril Praia-POR, em entrevista ao ESPN.com.br.

O diagnóstico dos médicos tailandeses não era bom. Ele teve uma espondilolistese nas vértebras L4, L5 e S1 que são conhecidas como microfraturas por stress.

"No primeiro dia em que saí do hospital eu pensei em tudo, até que não voltaria mais andar, porque não conseguia ficar em nenhuma posição, tudo doía. Só na segunda de manhã foram falar comigo e o médico me disse que não tinha uma notícia muito boa, que eu precisaria operar para colocar pinos nas costas. Com isso, nunca mais voltaria a jogar futebol. Aquilo foi um baque para mim", lamentou.

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Bruno Lopes na maca após contusão
Bruno Lopes na maca após contusão

Mas Bruno não se conformou. Ele arranjou forças e foi pedir nova opinião de doutores, desta vez no Brasil. As notícias, por sorte, foram as melhores possíveis.

"Me falaram que não precisaria parar nem nada. Acabei ficando por aqui e rescindindo meu contrato, e o pessoal do Brasil me disse que teria que fazer um tratamento mais conservador, muito forte, mas que não me impossibilitaria de voltar ao campo", relembrou.

"Fiquei no Brasil me tratando e, em 40 dias, me recuperaram. A gente não sabia se dava para voltar a jogar futebol", completou.

Mas eis que o Vila Nova, equipe 15 vezes campeã do Campeonato Goiano, abriu mais uma vez as portas para o atacante - ele já havia vestido vermelho e branco em 2010.

"Recebi um convite do Vila Nova e aceitei voltar. Nos últimos três jogos, consegui voltar a jogar, dei uma assistência e fiz um gol. Cada dia é uma vitória para mim. Meu gol foi bonito e foi uma alegria tremenda, mistura de sentimentos na hora. Eu agradeço aos fisioterapeutas, aos companheiros de time e a todos que me ajudaram. O time teve paciência comigo e confiaram na minha volta, mesmo com o elenco fechado e classificado [na Série C do Brasileiro]", contou, orgulhoso.

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Atacante sendo apresentado no Vila Nova
Atacante sendo apresentado no Vila Nova

Nesta quarta-feira, com Bruno Lopes em campo, o Vila recebe a Portuguesa no Serra Dourada pelas quartas de final da terceira divisão nacional. Os quatro classificados na semi têm vaga garantida na Série B. O atacante confia que o conronto será um grande jogo.

"As coisas acontecem muito rápido, agora temos um desafio enorme contra a Portuguesa. Estamos ansiosos e otimistas para este duelo porque é um time muito tradicional e vamos com tudo para conseguir esse acesso, estamos fechados e sabemos nosso potencial e uma campanha muito sólida. Vai ser um jogão", disse.

Trabalhos como cabo eleitoral, carvoeiro...

Bem antes de se tornar atacante do Figueirense, Bruno foi um verdadeiro "faz-tudo". Um de seus trabalhos foi como cabo eleitoral de um deputado em Curitiba.

"Eu trabalhei antes de ser jogador com campanha de político, eu distribuía santinhos no semáforo, organizava comícios e fazia churrascos nas casas dos eleitores. O mais complicado era comprar marmita para galera, sempre dava número errado, às vezes tinha que atravessar a cidade para isso (risos)", disse, bem-humorado.

"Difícil também era organizar os eventos dele, tinha que arrumar linguiça, carne, tudo mais. Pelo menos ele se elegeu deputado (risos)", continuou.

Depois, o dia a dia teria que ser sujando as mãos de carvão.

"Eu também trabalhei como carvoeiro, depois da escola ia pesar carvão, um serviço muito pesado quando chegava um caminhão com duas toneladas lotado. Na época eu ganhava mais com isso do que jogando bola nos amadores de Curitiba (risos). Tudo isso que eu fiz foi bom e necessário para conseguir valorizar ainda mais minhas conquistas", concluiu.

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