Líder na Espanha, atacante jogou em time em que 'colhões' valiam mais que vitória

Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
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Baptistão fez o gol da vitória do Villareal
Léo Baptistão fez quatro gols até aqui nesta temporada pelo Villareal

O Villareal é o líder do Campeonato Espanhol mesmo com muito menos dinheiro do que os poderosos Barcelona e Real Madrid. Um dos destaques da equipe é um garoto de 23 anos, nascido em Santos com passagens pela Vila Belmiro e Portuguesa Santista. Mas não se trata de Neymar, e sim de um velho conhecido do camisa 10 da seleção brasileira: Léo Baptistão.

Os jogadores foram companheiros de "Briosa" na infância. Com quatro gols na temporada, o brasileiro emprestado pelo Atlético de Madrid ao "Submarino Amarelo" está surpreso com o desempenho do time, que perdeu apenas uma partida até aqui. 

"A gente não esperava esse começo de temporada tão bom. Estamos na liderança, jogando um futebol bonito para cima e fazendo a torcida gostar de ver nosso time", disse o jogador, em entrevista ao ESPN.com.br.

Baptistão nunca jogou profissionalmente no Brasil, pois com 16 anos foi tentar a sorte no Getafe, da Espanha, através de um amigo de seu pai. Ele acabou não permanecendo no time que não tinha alojamento para estrangeiros. Logo em seguida, foi ao Rayo Vallecano aonde permaneceu até a equipe principal.

"Eu estreei no profissional contra o Bétis no dia do meu aniversário de 19 anos, fiz um gol e deu muita repercussão", recordou.

Com uma estratégia ousada do treinador Paco Jémez, o Rayo surpreendeu os advserários pela ofensividade. "O time era 8 ou 80, não tinha empate, ou ganhava ou perdia. O time sempre jogava para cima do adversário com tudo. O pessoal gostava da atitude porque sempre saem muitos gols e é muito bonito de ver, mesmo sendo um time pequeno", afirmou. 

'Colhões' são mais importantes do que vitória

No time do bairro de Vallecas, em Madrid, conseguiu grande destaque e viveu situações inusitadas no futebol. "É um clube que abraça muitas causas e tem uma guerra contra o preconceito, de qualquer parte, desde racismo, fascismo e até homofobia", afirmou.

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Léo Baptistão quer que clube foque no real Madrid
Léo Baptistão com a camisa do Rayo

"É um lugar operário de gente pobre e sofrida, por isso gostam de mostrar esta atitude para os jogadores. Para eles, é meio que igual perder ou ganhar, mas eles querem que a gente sofra e dê sempre o sangue em todas as partidas. Se nós dermos tudo pelo time eles estarão sempre com a gente. Tem até um cântico muito legal, mais ou menos assim em português: ‘Não somos os melhores, nem seremos campeões, só te peço: Rayo, jogue com colhões (risos)", disse.

O clube é tão integrado ao local de sua fundação que chegou a ajudar moradores em dificuldades no ano passado. Dona Carmen, uma senhora de 85 anos foi despejada de sua casa por não conseguir pagar a hipoteca. Através de Jémez, foi feita uma campanha que arrecadou dinheiro e quitou as dívididas da idosa.

"Por incrível que pareça os jogadores são tratados de forma igualitária. O time é bem humilde e os jogadores são como membros da comunidade, quando nos viam na rua tiravam fotos e tal, mas fora isso, éramos iguais", relatou.

No final da temporada passada, a equipe conseguiu se sustentar na primeira divisão espanhola , o que motivou uma festa para os fanáticos torcedores. "No último jogo, o ônibus parou antes do estádio para irmos andando até a entrada. A torcida fez um corredor para nos ovacionar, tudo com respeito e cuidado, foi incrível", disse.

Amizade com Neymar nos tempos de Baixada Santista

O jogador começou logo cedo no futebol de salão em clubes de Santos. Nos torneios organizados na região sempre enfrentava Neymar. "Ele quase sempre levava a melhor, mas jogamos juntos na seleção santista e depois na Portuguesa Santista. A gente sempre via que ele era um craque desde menino, todo mundo sabia que ia dar certo. Era incrível vê-lo com apenas 10 anos jogando daquele jeito", recordou.

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Léo Baptistão em encontro com Neymar em agosto de 2013
Léo Baptistão em encontro com Neymar 

Dos tempos de "Briosa" ele guarda a melhor recordação ao lado do jogador do Barcelona." Quando atuávamos juntos no salão da Lusa, nós tomamos duas porradas do Inter de Regatas. Na primeira fase foi 7 a 0, depois no primeiro jogo do mata-mata meteram 6 a 2. No jogo da volta o Neymar estava demais e fez 10 gols e eu fiz nove, ganhamos no tempo normal e na prorrogação, nunca mais esqueci", disse.

No final da infância, as vidas dos colegas tomaram rumos bem diferentes. Neymar foi para o Santos, onde ficou até ser vendido ao poderoso Barcelona, já como titular da seleção e um astro mundial. Baptistão chegou como um desconhecido na Europa, ralou por clube pequenos até chegar ao Atlético de Madrid por oito milhões de euros.

Depois de muito tempo sem se verem, os dois se reencontraram na final da Supercopa da Espanha, em 2013. "Foi demais, porque os dois realizaram o sonho de jogar em um campeonato tão importante. Conversamos antes e depois da partida, foi um momento bem legal, porque fazia muitos anos que não nos víamos. A única coisa que não falamos foi de futebol (risos)", recordou.

"Eu não imaginava chegar aonde estou e que iria jogar contra um craque que eu enfrentava desde criança. Os nossos pais sempre conversavam e tinham uma relação muito boa. No ano passado fui para Barcelona e as duas famílias jantaram juntas", relembrou.

Se depender da vontade de Baptistão, os amigos podem se reencontrar em jogos da seleção brasileira, só não sabe se como companheiros ou adversários. " Eu tenho sonho de jogar numa seleção, só não sei em qual vou servir porque aguardo um convite", disse o jogador, que tem passaporte italiano e pode defender a "Azzurra". 

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