Em 2015, Flamengo gastou 41% do orçamento para pagar dívidas

Pedro Henrique Torre, do Rio de Janeiro (RJ), para o ESPN.com.br
Pedro Martins/Agif/Gazeta Press
Eduardo Bandeira de Mello prioriza a redução de dívidas do clube
Eduardo Bandeira de Mello prioriza a redução de dívidas do clube

As buscas da diretoria do Flamengo por empréstimos para manter as contas em dia têm, também, o objetivo macro de continuar girando a engrenagem da redução de dívida. Se o Flamengo atualmente arrecada muito, os gastos com o que ainda deve também são muito grandes: foram R$ 150 milhões neste ano. Para se ter uma ideia, o orçamento previsto pelo clube para 2015 contemplava R$ 365 milhões. Neste universo, 41% do valor foi destinado ao pagamento de dívidas.

Após contratação de auditoria no início de 2013, a gestão de Eduardo Bandeira de Mello apresentou o valor da dívida rubro-negra: R$ 750 milhões. Com a torneira fechada, o clube caminhou na redução do valor e apontava ter chegado a um total de aproximados R$ 560 milhões no fim de 2014. A quantia exata da dívida rubro-negra atualmente ainda é incerta, embora estimado em cerca de R$ 500 milhões. Por mais que tenha pago R$ 150 milhões, o clube também contraiu empréstimos, como o mais recente, de R$ 10 milhões, para equilibrar o caixa e seguir a política de austeridade. Com mudanças de valores de juros, o novo valor só deverá ser conhecido no fim do ano.

"Tínhamos uma previsão de empréstimos de R$ 52 milhões neste ano. Vamos ficar com R$ 62 milhões. É uma questão temporária de fluxo de caixa. A gente pagou 150 milhões de dívidas, inclusive públicas. Só em bancos, por exemplo, pagamos R$ 70 milhões", disse o vice de finanças do clube, Cláudio Pracownik.

No balanço do segundo trimestre de 2015 divulgado pelo clube, o Flamengo ainda devia R$ 144,7 milhões apenas em empréstimos contraídos de diferentes maneiras. R$ 56 milhões deveriam ser pagos a curto prazo, enquanto R$ 88,8 milhões a longo prazo. Ao banco BMG, responsável pelo empréstimo de R$ 10 milhões que deverá ser adquirido nos próximos dias, o valor total chegava a R$ 40 milhões, com prazo de amortização de dois anos e garantias dos contratos de tv com a Rede Globo e com a Adidas.

O Fundo Polo Capital, responsável por adiantamento dos contratos de cotas de tv aos clubes, é o grande credor, com R$ 60 milhões. O acordo foi assinado em dezembro de 2012, com prazo de até três anos para ser amortizado a partir de dezembro de 2013, com juros de 1,60 % ao mês. Há na lista, também, empréstimos do Consórcio Maracanã, no valor de R$ 26 milhões, CBF, com R$ 6,3 milhões, e até a Ferj, desafeta da diretoria, com R$ 1,3 milhão.

Romário, André Santos e Ibson também na lista

Na relação de valores a serem quitados pelo Flamengo em 2015 também estão os acordos trabalhistas com jogadores que já passaram pelo clube nos últimos anos ou até mesmo nas últimas décadas. Romário, por exemplo, deveria receber R$ cerca de 1,9 milhão. André Santos, R$ 2 milhões. Ibson, R$ 2,1 milhões. Liedson, R$ 505 mil. Carlos Eduardo, R$ 485 mil. Elano, R$ 434 mil. E a Brazil Soccer, do empresário Eduardo Uram, R$ 1,2 milhão.

No grande bolo rubro-negro de 2015, as mordidas são altas também em penhoras das receitas recebidas. A estimativa era de que o processo do Consórcio Plaza, ainda da gestão de Kleber Leite, em 1995, abocanhasse R$ 14,5 milhões do clube. A Segil, empresa de segurança, chegaria a R$ 4,4 milhões. E as penhoras do Acordo Trabalhista totalizariam R$ 20,8 milhões dos cofres rubro-negros. 

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