Ele bateu em Neymar e disse 'Deus te abençoe'. Quando viu, era tema do Jô Soares

Francisco De Laurentiis e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
Gazeta Press
Junior Lopes Bragantino Neymar Santos Campeonato Paulista 25/03/2012
Júnior Lopes marca Neymar durante Santos x Bragantino, em 2012: 'Deus te abençoe'

Não é fácil ser assunto do "Programa do Jô", atração comandada pelo apresentador Jô Soares na TV Globo, mas o zagueiro Lourival Júnior de Araújo Lopes, mais conhecido como Júnior Lopes, foi tema de conversa por lá em 2012, quando se envolveu em uma confusão com o atacante Neymar, então principal jogador do futebol brasileiro.

À época, o defensor estava atuando pelo Bragantino. Durante um jogo contra o Santos, pelo Paulistão, ele se destacou pela marcação firme em cima do hoje jogador do Barcelona. No intervalo, irritado com as pancadas que havia levado do beque, Neymar reclamou ao ser questionado pelos repórteres sobre os lances ríspidos.

"Quem é Junior Lopes, o negão? Ele bate, e em seguida diz 'Deus te abençoe'", disparou.

A declaração da Joia santista ganhou enorme repercussão e acabou virando motivo de piada na Vila Belmiro. Depois, tornou-se até tema de pergunta de Jô Soares para Neymar, quando o craque esteve no programa global alguns meses após o episódio.

Mais de três anos se passaram desde então, mas o causo segue acompanhando Júnior Lopes pela carreira. Hoje jogando no Oeste de Itápolis, equipe que milita na Série B do Brasileirão, o atleta, que é bastante religioso, dá sua versão dos fatos.

"No Bragantino, nós éramos três zagueiros negros, carecas e altos, ganhamos o apelido de torres gêmeas (risos). Tinha até uma polêmica de que a gente se revezava para bater nos atacantes, mas não era assim, a gente só chegava firme, sem ser desleal", garante o defensor, em entrevista ao ESPN.com.br.

Sobre o entrevero com Neymar, Lopes encara na brincadeira.

"Teve dois lances que eu cheguei mais forte no Neymar e ele falou: 'Ô negão, vai ficar me batendo toda hora?' Eu respondi: 'Pode ficar tranquilo, vou jogar firme, mas não sou desleal'. Depois disso, eu ainda consegui tirar mais umas duas dele", lembra.

"No final do primeiro tempo, ele falou para mim: 'Valeu por ter me aliviado'. E eu respondi, na maior educação, mandei: 'Valeu, Deus te abençoe'", conta.

Só que Neymar não entrou na onda de Júnior, e deu resposta atravessada sobre a "benção" que ganhou do adversário. Depois, ainda ironizou, rindo de maneira sarcástica: "Que Deus abençoe a todos que estão no estádio, sigam em paz".

TV Globo/Zé Paulo Cardeal
Neymar Programa do Jô Soares
Neymar riu da história no 'Programa do Jô'

Por algumas horas, Júnior Lopes foi um dos temas mais comentados das mesas redondas.

"Rapaz, saiu isso tanto na mídia, até no Jô Soares (risos)! Lá no programa, o Neymar disse que eu ficava batendo nele e falando 'Deus de abençoe' toda hora, mas foi só uma vez, no final do primeiro tempo (risos). Ficou um tempo um responde daqui e ali, mas foi engraçada a repercussão", relata.

O fato é que a boa atuação contra o "Peixe", que acabou ganhando aquele jogo por 2 a 0, rendeu ao zagueirão uma transferência para o futebol português. Ao final do ano, ele fez as malas e embarcou para uma aventura no futebol europeu.

Faíscas com Diego Costa

Nascido em Porto Velho, Rondônia, Júnior Lopes saiu de casa aos 13 anos para tentar a sorte na bola. Passou pelas bases de Paraná Clube e Atlético-MG até chegar ao Vitória, clube no qual jogou ao lado de atletas como Hulk, Marcelo Moreno e David Luiz.

Depois, passou por Ponte Preta e Ituano até embarcar em sua primeira grande aventura na carreira: jogar no NK Celik, da Bósnia e Herzegovina. No país europeu, passou por poucas e boas, principalmente com um empresário "picareta".

Getty Images
Junior Lopes Academica Atletico de Madri Liga Europa
Júnior Lopes em ação contra o Atlético de Madri

"Lá era -7ºC, neve na canela, não tinha ninguém que falava meu idioma e fui roubado por um empresário. Tinha assinado contrato e não tinha como voltar, durante oito meses fiquei sem ver minha família, e como o empresário tinha tomado meu salário, eu passei um aperto danado. Só escapei porque fui ajudado por um jogador colombiano", recorda.

Além disso, encarou problemas por conta de sua religião.

"Lá tem muitos muçulmanos, e eu era perseguido por ser cristão. Coloquei no idioma deles em cada uma da minha chuteira as frases 'Glória a Deus' e 'Jesus te ama'. Por isso, o roupeiro não queria limpar minhas chuteiras! Mas aprendi demais nesse período a valorizar o ser humano, porque o país teve guerra que destruiu tudo e estava se reestruturando. O futebol é uma das poucas alegrias pra eles", afirma.

Quando a saudade da família apertou de vez, o brasileiro rescindiu com a equipe bósnia e assimou com o Horizonte, do Ceará. Em seguida, foi ao Bragantino, clube que defendeu por dois anos, até receber e aceitar a proposta da Academica de Coimbra.

Em terras lusas, teve a oportunidade de jogar a Liga Europa e disputar uma partida contra o Atlético de Madri. Mais uma vez, o beque se destacou e ganhou as manchetes, desta vez marcando Diego Costa, que estava começando a ficar famoso.

"Perdemos de 2 a 1, só que eu me destaquei. No dia seguinte, um jornal da Espanha colocou uma foto minha em destaque e me chamou de 'El Duro', ou seja, o marcador forte. Tive uma dividida dentro da área pelo alto com o Daniel Díaz, argentino que hoje é capitão do Boca Juniors. Ele é reconhecido por chegar muito firme e ser forte. Batemos cabeça e eu fiquei ileso, mas ele saiu com a cabeça sangrando do jogo", narra.

"Naquela partida, roubei muitas bolas e o Diego Costa não teve espaço. Ele ainda não era tão famoso. Depois do jogo, por ser brasileiro, conversamos bastante, e todo mundo ficou apreensivo, porque eu tive várias jogadas firmes com ele, só faltava sair faísca nas divididas (risos). O pessoal devia estar pensando que a gente estava discutindo ou brigando, mas que nada, era só resenha (risos)", assegura.

Após o jogo, Júnior ganhou do centroavante a camisa do Atlético de Madri.

"Ele elogiou, falou que eu chegava firme nas jogadas, no estilo de jogo que ele gosta (risos). É um cara humilde demais. Tenho guardada e enquadrada até hoje essa camisa 19 dele!", finaliza, antes de se despedir da entrevista.

"E que Deus te abençoe!"

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