'Grávido', Zé Love explica 'teste' no Milan e deixa pegação: 'Quem não viu, não vê mais'

Francisco De Laurentiis e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
Douglas Aby Saber/FotoArena/Getty Images
Ze Love Treino Santos 09/08/2010
Zé Love durante os tempos de Santos, em 2010

José Eduardo Bischofe de Almeida, 27 anos, está "aposentado" da pegação.

Sim, acredite se quiser: Zé Love, um dos maiores galãs do futebol brasileiro, agora é homem de uma mulher só. Sem clube desde que rescindiu com Shanghai Shenxin, da China, no último dia 13, ele aproveita o tempo para curtir sua noiva, Luciana, que está grávida do primeiro filho do casal.

Enquanto isso, aguarda também o interesse de times brasileiros - um retorno ao Santos, equipe que o jogador defendeu entre 2010 e 2011, vem sendo especulado.

"Eu sou galã desde sempre, desde quando nasci... Mas só galã, mesmo, porque sucesso com a mulherada eu nunca fiz, infelizmente. Fazer o que (risos)? Mas agora estou noivo e minha mulher está gravida de quatro meses do meu primeiro filho. Acabou a pegação. Quem não viu, não verá mais Zé Love", brincou o atacante, em entrevista ao ESPN.com.br.

No ano passado, o matador defendeu o Coritiba no Brasileirão, e fez gols importantes para salvar o clube paranaense de um rebaixamento que parecia certo. Depois disso, recebeu uma bela proposta e acertou com o Shanghai Shenxin.

A passagem pela Ásia, porém, não foi das melhores. Escalado fora de posição, Zé pouco rendeu em campo. Além disso, viu sua mulher grávida passar dificuldades com médicos, e optou por encerrar seu contrato com o clube do Oriente.

"Fiquei seis meses na China. Pelo financeiro foi muito bom, mas no resto não era legal. Eu estava jogando quase de segundo volante, cara... Além disso, minha esposa grávida teve que trocar cinco vezes de médico lá! O clube não queria me liberar de jeito nenhum, porque tinha investido alto em mim, mas acertei minha saída sem problemas", contou.

Outras coisas da vida na China chocaram Zé Love. Primeiro de tudo, o trânsito infernal de Xangai, o pior que o atleta já testemunhou. Os hábitos alimentares pouco ortodoxos dos chineses também deixaram o brasileiro com a pulga atrás da orelha. 

Divulgação
Ze Love Shanghai Shenxin China
Zé Love ganhou camisa 10 na China

"Todo jogo fora de casa a gente viajava e, quando chegávamos no hotel, sempre tarde, tipo meia noite, o pessoal do clube comprava lanche do McDonald's pros jogadores, com sanduíche, bata frita, Coca-Cola de garrafa... Só tinha aquilo pra gente comer, e aí manter o peso era difícil, né (risos)?", divertiu-se.

"Tinha que treinar no clube e depois em casa para manter a forma, porque todo dia, se pudesse, eles comiam McDonald's! Não tinha preocupação com nutrição que nem no Brasil nem nada", completa.

Os tempos de Santos

Revelado pelo Palmeiras, Zé Love, que era conhecido como Zé Eduardo no início de carreira, passou por muitos times até deslanchar de vez. 12, para ser exato, incluindo Cruzeiro e Grêmio. Um dia, chegou ao ABC de Natal e arrebentou, ganhando a chance de vestir na sequência a camisa de uma das equipes mais tradicionais do futebol brasileiro.

"No ABC, teve uma época que fiz quatro gols em sete partidas, estava jogando bem. Tinha um diretor do Santos me vendo na Série B e ele me chamou para um período de testes de seis meses, isso em janeiro de 2010. Agradei e acabei ficando", lembrou.

Quando chegou à Vila Belmiro, porém, Zé Love jogava de meia. Foi o técnico Dorival Júnior que o trocou de posição e o fez jogar pela primeira vez como atacante.

"O Dorival me ajudou demais. Ele me redescobriu, mudou meu jeito de jogar, de hoje eu devo tudo que sou a ele. Ele fez isso também com o Wesley, que começou como atacante, depois jogou de lateral, mas descobriu que era volante", ressaltou.

Eduardo Anizelli/LatinContent/Getty Images
Ze Love Neymar Arouca Comemoram Gol Santos Corinthians Final Campeonato Paulista 15/05/2011
Zé, Neymar e Arouca no Santos: só alegrias

No "Peixe", o atacante conquistou os torcedores e os colegas de time com seu jeito irreverente e suas Twitcams, que eram bate-papos virtuais usando webcam no Twitter. Neymar, hoje astro do Barcelona e um dos melhores jogadores do mundo, sempre o acompanhava.

"Qualquer coisinha que a gente fazia dava uma repercussão enorme (risos)! Aquela Twitcam era uma febre, a gente fazia toda concentração, era muito bacana, vai ficar para a história. A gente também usava os treinos para bolar coreografias nas comemorações, mas teve jogo que fizemos 10 gols, era até difícil ensaiar", recordou, saudoso das danças com os companheiros da época.

Dos tempos de Santos, Zé tem amizade até hoje com Neymar, Giovanni, Robinho e Edu Dracena, com quem fala diariamente. Além disso, diz ter uma dívida de gratidão com o técnico Muricy Ramalho, que o apoiou e o bancou como titular mesmo com seu jejum de gols em meio à campanha da Copa Libertadores de 2011.

No final, deu certo, e o "artilheiro do amor" deslanchou na hora em que a equipe praiana mais precisou, ajudando a conquistar o sonhado tri da América - o atacante também faturou a Copa do Brasil de 2010 e os Paulistas de 2010 e 2011 pelo clube.

"A tática era que o time todo jogasse em função do Neymar, que era nosso craque e resolvia as partidas. Às vezes, eu tinha mais função de marcar os outros e abrir espaços para ele, porque eu nunca fui centroavante de área. O Muricy me abraçou mesmo, me puxava de canto e falava assim: 'Do meu time você não sai, não adianta falarem que você não está fazendo gol, porque nosso time está ganhando, e time que está ganhando eu não mexo. Na hora certa, você fará o gol mais importante para nós'", narrou.

NORBERTO DUARTE/AFP/GETTY IMAGES
Ze Love Neymar Comemoram Gol Santos Cerro Porteno Libertadores 01/06/2011
Zé Love abraça Neymar e comemora seu gol contra o Cerro, pela semi da Libertadores

"Não deu outra: fiz no Cerro Porteño, no Paraguai, pelas semifinais, que foi um jogo mais complicado do que a final contra o Peñarol. Aquele meu gol aos três minutos tornou o duelo um pouco mais fácil pra gente", completou.

A final da Libertadores marcou o adeus de Zé Love da Vila Belmiro. Comprado por R$ 13 milhões, ele foi vendido ao Genoa, da Itália, e partiu para o futebol europeu.

O famoso "teste" no Milan

O brasileiro chegou com muita moral em Gênova. Recebeu a camisa 9 do tradicional clube italiano e foi colocado para jogar logo de cara em um jogo contra o Milan, pela Serie A. No entanto, as coisas não deram tão certo como nos tempos de "Peixe", e Zé teve que encarar uma espécie de inferno astral na "Velha Bota".

Ramiro Furquim/Agif/Gazeta Press
Ze Love Comemora Gol Coritiba Gremio Campeonato Brasileiro 27/07/2014
Zé Love comemora gol pelo Coritiba, no ano passado

"O treinador me dizia que queria me usar de titular, mas tive uma lesão por stress com 15 dias de clube. Fiquei um ano parado, cara... Nunca tinha me lesionado antes, e depois ainda tive que operar da apendicite. Dos três anos na Europa, eu fiquei quase dois parado, foi horrível", lamentou.

Em um dos poucos momentos em que conseguiu jogar seguidamente pelo Genoa, aconteceu uma situação que ficou mal explicada. Em agosto de 2012, Love vinha bem na pré-temporada pela equipe genovesa, fazendo muitos gols e chamando atenção, e recebeu uma proposta de empréstimo do Milan. Fez as malas e partiu para Milão, mas acabou não acertando com os rubro-negros.

À época, a imprensa italiana publicou que Zé teria se recusado a passar por testes em Milanello, dizendo que, como era campeão da Libertadores, não precisava ser testado. O atacante, porém, nega tudo isso, e conta sua versão dos fatos.

"Um diretor do Milan fez uma proposta de empréstimo e fui para Milão num hotel, fiz exames, mas não assinei. Só que, no outro dia, eles me disseram que queriam o Tevez ou o Balotelli, e falaram para eu esperar 10 dias lá no hotel enquanto eles tentavam fechar, porque eu era o plano B. Falei: 'Tudo bem, eu volto para o Genoa, se caso vocês não acertarem com os caras e ainda me quiserem, eu volto'", relatou.

"Não teve nada de teste, essas coisas que falaram. O que aconteceu foi que o Milan queria que ficasse lá sem assinar, só esperando, sendo que eu era titular no Genoa. Ou seja, eu poderia, ao mesmo tempo, correr o risco de perder minha posição de titular e também ficar sem o Milan, caso eles acertassem com o Tevez ou o Balotelli", salientou.

Valerio Pennicino/Getty Images
Ze Love Genoa Lucio Inter de Milão Campeonato Italiano 13/12/2011
Zé Love, no Genoa, é marcado por Lúcio

O atacante, então, deixou o hotel e voltou para Gênova. Só que ele não contava com uma coisa: a amizade entre os presidentes do Genoa, Enrico Preziosi, e do Milan, que era então comandado por Silvio Berlusconi.

"O pessoal do Milan não gostou que eu fui embora, então o presidente do Genoa acabou me afastando do time. No final das contas, fiquei sem os dois, mesmo. Foram cinco meses sem jogar, só treinava e não fazia nada. Esse tempo foi bem complicado", afirmou.

Entre 2012 e 2013, Zé Love ainda foi emprestado ao Siena, também da Itália, mas não se firmou. Depois, foi repassado ao Coritiba, time pelo qual conseguiu jogar com regularidade e chamar a atenção do futebol da China, para onde foi em fevereiro deste ano, recebendo até a camisa 10. Após rescindir, ele agora procura clube.

Mas por que Zé Love?

Nascido em Promissão, no interior de São Paulo, o pequeno Zé Eduardo foi um garoto de infância simples e pacata. Vez ou outra, rodava com seu pai de Kombi para ajudar a entregar queijos. Ruivo, era conhecido por um apelido na cidade de 35 mil habitantes.

"O pessoal lá sempre brincava comigo, me chamavam de 'Cabelo de Fogo (risos)'. Rodei muito com meu pai entregando queijo, viajamos bastante. Hoje, ele é vereador por lá, e minha mãe segue como dona de casa", contou.

FERNANDO PILATOS/Gazeta Press
Ze Love Treino Palmeiras 18/11/2004
Zé Love em treino do Palmeiras, em 2004

Como todo bom brasileiro, porém, Zé sonhava em ser jogador de futebol. Ganhou o apoio dos pais e, aos 12 anos, deixou Promissão para fazer testes em São Paulo. Aprovado no Palmeiras, foi integrado à base em um tempo difícil para os alviverdes, já que a equipe palestrina havia sido recentemente rebaixada para a Série B pela primeira vez na história.

No entanto, o atacante só tem boas lembranças do Palestra Itália.

"Fiquei até os 16 anos no Palmeiras. O David Braz [hoje no Santos] e o Maurício Nascimento [Lazio] eram meu grandes companheiros na base. O pessoal sempre pegava no meu pé no alojamento porque era o menorzinho e o mais novinho", relatou.

"Naquela época, o futebol era muito diferente. Quando você chegava num clube, precisava respeitar os mais velhos. Tínhamos que comprar pão às 6h da manhã pra eles (risos)! O Vagner Love, Alceu, Diego Souza e o Deola eram terríveis comigo lá, mas foi um período maravilho, todo dia tinha alguma história engraçada (risos). Hoje, se você falar alguma coisa pra molecada, já te mandam praquele lugar", reclamou.

Precoce, Zé subiu para a equipe profissional com apenas 16 anos, mas pouco jogou. A primeira vez no banco de reservas foi no histórico jogo contra o Cruzeiro em 2004, no antigo Parque Antarctica, quando o Palmeiras comemorou 90 anos.

Foi nessa época, também, que ele ganhou a alcunha que o acompanha até hoje.

"O apelido de Zé Love surgiu porque o Vagner Love tinha saído para a Rússia e quando eu subi ao profissional, o pessoal falou: 'Fica de olho aí que está vindo um atacante novo, um tal de Zé Eduardo'. Aí alguém falou: 'Ah, o Zé Love?', e pegou. Só porque eu morava com ele no alojamento acabei herdando o apelido!", assegura.

Mas só por isso mesmo, Zé? Ou teve mulher na concentração também?

"Não, não (risos). Infelizmente, não consegui a façanha dele (risos)".

Reprodução/Instagram
Ze Love Esposa Gravida Instagram
Zé Love em breve será papai
Comentários

'Grávido', Zé Love explica 'teste' no Milan e deixa pegação: 'Quem não viu, não vê mais'

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.