Palmeiras se reúne com 300 sócios por taxas e promete apuração em contrato com WTorre

Camila Mattoso e Diego Garcia, do ESPN.com.br
Diego Garcia/ESPN.com.br
Reunião do Conselho do Palmeiras
Reunião do Conselho do Palmeiras, em São Paulo

A cúpula do Palmeiras se reuniu com cerca de 300 associados nas noites de segunda e quarta para discutir as taxas de melhoria impostas pelo clube, de R$ 55 para o sócio de plano individual e R$ 88 para o familiar. Os palmeirenses acreditam que o que foi passado a eles em 2008, época da aprovação do projeto dos novos prédios sociais, é diferente do que foi entregue pela WTorre. Por isso, cobraram apuração da diretoria.

Ocorre que, no acordo com a WTorre para a construção do Allianz Parque, a construtora teria se comprometido a dar dois prédios novos onde funcionariam os diversos departamentos que anteriormente estavam localizados sob as arquibancadas do antigo Palestra Italia, além do salão de festas do departamento social do Palmeiras.

Só que o clube considera que os edifícios foram entregues sem as devidas condições de uso, com equipamentos subdimensionados em relação à carga elétrica demandada pelos departamentos e com acabamento precário, o que obrigará a agremiação a gastar mais de R$ 20 milhões em obras de infraestrutura, de acabamento e de instalação dos departamentos. A questão, no entanto, é mais uma polêmica entre as duas partes, já que há um entedimento diferente do lado da construtora.

Para efetuar o pagamento da obra, a agremiação decidiu cobrar uma taxa extraordinária, aprovada pelo Conselho de Orientação e Fiscalização (COF) - a quantia vai para uma conta especial e não pode ser utilizada para outros fins. O associado alviverde pensava que com os novos prédios teria um novo clube social, principalmente por ter recebido revistas e folders com o projeto em 2008, mas não foi o que aconteceu com o decorrer do tempo.

Sentindo-se enganados, os palmeirenses solicitaram a reunião com a diretoria na última segunda, onde alguns pediram a palavra e, em altos brados e discursos inflamados, cobraram a apuração e a responsabilização de quem seriam os autores do memorial descritivo dos novos prédios com a WTorre, apresentado como anexo da escritura de cessão da superfície. O documento foi assinado pelo ex-presidente Luiz Gonzaga Belluzzo dois anos depois, em julho de 2010.

Um novo encontro entre sócios e diretores aconteceu nesta quarta, onde o clube mostrou slides demonstrando a diferença entre os contratos assinados pelo ex-presidente Afonso Della Monica e pela gestão seguinte, de Belluzo. Porém, quem fez parte do fechamento desse acordo não concorda com a postura da atual diretoria alviverde.

"O prédio que foi feito não foi terminado internamente porque o Palmeiras não tem dinheiro para terminar. O contrato falava que o ginásio de esportes ia ser em determinado momento e o outro prédio em outro, não falava em acabamentos. Isso poderia ter sido negociado com a WTorre e não foi, deixou para depois, não sei. O contrato foi um benefício. Realmente tem coisas que foram malfeitas ou mal terminadas, mas que foi problema de gerenciamento de obras, que era por conta do Palmeiras", explicou José Ciryllo, que era diretor do Palmeiras na época da assinatura do documento com a WTorre, em contato com a ESPN.

Na semana passada, cerca de 30 associados ingressaram na Justiça contra o clube com uma ação declaratória de nulidade e inexigibilidade de cobrança de taxas, com pedido de antecipação de tutela. Mas a juíza Gabriela Fragoso Calasso Costa já indeferiu o pedido, "haja vista que os motivos que levaram ao aumento das mensalidades e a sua ilegalidade demandam melhor apuração".

"Se as taxas que estão cobrando serão para terminar internamente o prédio eu acho válido. Em grande parte acho que é política essa reunião com os sócios. É complicado. Essa gestão da arena, que começou muito antes do contrato da WTorre, eu digo que faltou um pouco de contatos com a WTorre, de diplomacia. Faltou conversa. Mas querem tomar uma questão política para resolver uma coisa que eu acho que o contrato não dizia para fazer, mas com um bom tratamento com a WTorre acho que dava para ter resolvido", continuou José Cirilo.

Os associados que entraram na Justiça contra o clube por conta das taxas, e que são conselheiros da oposição em quase sua totalidade, são: Ademar Baeta, Alfredo Mantellatto, Almir Gomes, Antônio Blanes, Antônio Carvalho, Antônio Pereira, Antônio José Joiozo, Carlos Degon, César Augusto Lemos - o ex-atacante César Maluco -, David Menani, Diego Zupo, Francisco Busico Jr, João Ferro, João Astorino, José de Divitis, José Christianini, Juan Berrospi, Lennon Pescarmona, Luis Peredo, Marcos Gama, Nilton Gatti, Nobuyuki Yokoyama, Patrícia Morandini, Paulo Estevão, Renato Hennel, Ricardo Bessa, Sylvio Mukai, Tito Maule, Valter Pinto, Wladimir Tomanik e Wlademir Pescarmona, este último candidato derrotado à presidência na eleição passada e diretor administrativo do clube na época da assinatura da escritura.

Procurados pela reportagem, o Palmeiras e a WTorre, por meio de suas assessorias, disseram que não iriam comentar o assunto.

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