Toronto também tem lixo na água, mas zero esgoto: 'Dá até pra beber', diz chefe da vela do Brasil

Tiago Leme e Gustavo Faldon, de Toronto (CAN), ESPN.com.br
William Lucas/Inovafoto
O brasileiro Robert Scheidt ficou em sétimo lugar na primeira regata do Pan de Toronto
O brasileiro Robert Scheidt ficou em sétimo lugar na primeira regata do Pan de Toronto

Lixo flutante na água no meio do caminho dos velejadores não é um problema apenas do Rio de Janeiro. Depois do primeiro dia de regatas no Pan-Americano de 2015, neste domingo, o chefe da delegação de vela do Brasil, Ricardo de Queiroz Lobato, relatou ao ESPN.com.br que as condições de disputa do Lago Ontário também apresentam falhas. Por outro lado, há uma grande diferença: a água de Toronto está livre do esgoto.

"Nos treinamentos e nas regatas de hoje nós pudemos ver que também tem bastante lixo flutuante na água aqui em Toronto. Tem galhos, algas, plásticos, e algumas coisas ficaram presas nos barcos. Mas isso, assim como no Rio, acontece em quase todos os lugares que têm um rio desembocando. Quando chove a situação fica ainda pior, é difícil controlar isso", contou Ricardo, que no entanto, deixou claro que a situação em Toronto é bem melhor do que no Rio por um motivo.

"Aqui tem zero esgoto, a água é cristalina. Dá até pra beber a água. Existem leis bem rígidas no Canadá, eles não deixam nem sequer lavar o barco com sabão para não sujar a água. Há um controle com produtos químicos, e a preocupação deles para evitar a poluição é grande".

A sujeira da Baía de Guanabara, com lixo flutuante e esgoto desembocando diretamente no mar, é uma das grandes polêmicas antes dos Jogos Olímpicos dos Rio de Janeiro de 2016. A promessa de tratar a água e despoluir 80$ do local não deve ser cumprida até o ano que vem, e vários atletas já reclamaram das condições das raias. Em entrevista coletiva neste sábado em Toronto, o Secretário de Esportes do Rio de Janeiro, Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, garantiu que não está preocupado com a situação.

"O Governo do Estado tem se preocupado com a Baía de Guanabara. Temos 50% da Baía saneada. Está aquém do que queremos. Os esforços estão sendo feitos. Para a Olimpíada não haverá nenhum problema", disse Cabral.

Questionado pelo ESPN.com.br neste domingo, Ricardo de Queiroz Lobato deu a sua opinião sobre a Baía de Guanabara: "A condições no Rio melhoraram, acho que não teremos problema para a competição de vela na Olimpíada. As medidas paliativas que estão sendo feitas para conter o lixo flutuante estão ajudando. Também não penso que exista risco para a saúde na água, no máximo uma micose ou leve doença de pele. Mas claro que, como carioca, nós queríamos que a Baía tivesse uma condição muito melhor, que fosse limpa de fato, queríamos que isso ficasse como legado, mas infelizmente não vai acontecer".

Estreia com ventos fracos
A abertura das competições de Vela do Pan de 2015, prevista para a manhã deste domingo, teve o seu início atrasado por causa da falta de ventos. Com isso, teve o seu local alterado da raia principal em frente à praia de Sugar Beach para outro ponto mais afastado da margem do lago. À tarde, os barcos foram para a água, mas apenas uma regata de três previstas para o dia em algumas classses foi disputada.

Entre os brasileiros, o bicampeão olímpico Robert Scheidt, da classe Laser, não teve um começo tão bom e ficou em sétimo lugar. Melhor desempenho teve Roberto Winicki, o Bimba, que busca o tetracampeonato pan-americano e terminou na primeira posição na RS:X. Na mesma classe, Patrícia Freitas também lidera o feminino. Já as campeãs mundiais Martine Grael e Kahena Kunze, da classe 49erFX, iniciaram a disputa na quarta colocação após a primeira regata.

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