7 a 1 foi pouco? Encontro de ex-treinadores na CBF mantém dúvidas no ar

Caio Blois, do Rio de Janeiro (RJ), para o ESPN.com.br
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A primeira reunião do Conselho de Desenvolvimento Estratégico da CBF trouxe poucas respostas ao futebol brasileiro. Por algumas horas, sete ex-treinadores da seleção estiveram juntos nesta segunda-feira na sede da entidade, no Rio de Janeiro, discutindo os problemas e procurando alternativas para os "erros de percurso" na evolução do velho esporte bretão no país. Perguntados sobre os temas abordados e as conclusões, os envolvidos se mostraram lacônicos. No fim, pareceu que 7 a 1 foi pouco.

"Precisamos resgatar a escola brasileira", disse Parreira, para completar: "Como? Não sabemos. A resposta sairá dessas reuniões. Uma só é pouca coisa para chegarmos até respostas importantes sobre esses assuntos".

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"A CBF tem a iniciativa de processar várias reuniões analisando todos os segmentos do futebol pra tentar encontrar um caminho valorizando a escola brasileira, preservando e lutando pelo jogador e treinador brasileiro, e a gente externando tudo que já vivemos", afirmou Lazaroni, sem dar muitas conclusões.

O técnico atual da seleção, Dunga, e o coordenador-geral de seleções, Gilmar Rinaldi também falaram no resgate das "raízes" do futebol brasileiro, sem, entretanto, mostrar nenhum esboço do planejamento para que isso saia do campo das ideias.

"Você conhece uma pirâmide? A seleção brasileira é a ponta da pirâmide. Não podemos recuperar o edificio de cima para baixo. Logicamente, a seleção será a referência, temos que buscar nossa forma de jogar, vencer e de nos aprimorarmos. Também buscaremos soliução na Europa, mas principalmente no nosso país", disse Dunga.

"Nós temos que voltar às raízes. Nossa seleção tem uma história e precisamos recuperá-la", corroborou Gilmar.

Comandante da seleção brasileira na conturbada Copa do Mundo de 1990, quando o Brasil caiu diante da Argentina, nas quartas-de-final, o técnico Sebastião Lazaroni foi o único a dar mais detalhes da reunião.

Segundo Lazaroni, o caminho passa pelo fortalecimento dos clubes. Ainda assim, ele não sabe como que isso será feito.

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"A nossa grande preocupação é de preservar e lutar para que os clubes brasileiros sejam fortalecidos e auxiliados em suas estruturas, precisamos de um estudo mais profundo até pela parte econômica, mudar um pouco o calendário para nos adequarmos, mas basicamente a gestão, lutando por um fortalecimento na captação de jogadores na base dos clubes e como os presidentes devem estar envolvidos nesses processos. Aí, cabe ao presidente da CBF se reunir com federações e clubes que são os formadores de jogadores. Vivendo esse momento atual dos processos que a seleção vai ter, a Copa América, Eliminatorias, teremos muitas dificuldades, principalmente em envolver os atletas em um comprometimento da melhoria técnica, de atitude, qualidade de jogo... Nós todos, inclusive a imprensa, devemos auxiliar para melhorar, dar sugestões para preservar e lutar por caminhos que possam dar segurança na trajetória do futebol brasileiro", disse.

Por fim, Carlos Alberto Parreira, tetracampeão pela seleção em 1994, também falou sobre fortalecer os clubes. De acordo com ele, o problema está no poderio financeiro dos europeus, que fazem com que os jovens brasileiros saiam cedo do país.

O ex-treinador, entretanto, declarou que apesar do assunto ter sido abordado, a solução não foi encontrada e ficará para reuniões futuras, algo que sintetiza o sentimento dos presentes: as respostas ficarão para depois.

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"Em 58 e 62, tinhamos uma base: Santos, Botafogo e Vasco. A Alemanha, em 74 e 2014 era o Bayern. É importante ter clube forte, em bom nível, com bons jogadores. Quando digo clubes, digo no Brasil todo. É um assunto que foi colocado para posteriores reuniões: criar mecanismos para frear a saída desses jogadores. Aí que tem que ser discutido, ainda não sabemos a resposta. O Falcão só foi para a Roma com 28 anos. Zico também. Hoje, saem com 14, 15 anos. Precisamos interromper de certo modo. Eles não terminam a formação técnica, social e maturidade psicologica no Brasil. É importante sair formado. Nós precisamos criar mecanismos para frear ou proibir que esses jogadores saiam cedo, que eles saiam mais tarde, com vinte e poucos, quando completar a formação deles. Como? Eu não sei. Porque o futebol internacional não permite a manutenção desses jogadores aqui", declarou Parreira.

A reunião desta segunda-feira para discutir o futuro do futebol no país contou com a presença de Dunga, Carlos Alberto Parreira, Mário Jorge Lobo Zagallo, Paulo Roberto Falcão, Carlos Alberto Silva, Sebastião Lazaroni, Candinho e Ernesto Paulo. Outros cinco técnicos convidados não puderam comparecer: Mano Menezes, Luiz Felipe Scolari, Vanderlei Luxemburgo, Emerson Leão e Edu.

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O técnico Dunga participou do encontro na sede da CBF
O técnico Dunga participou do encontro na sede da CBF
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