Ex-borracheiro, artilheiro da Série B já empurrou ônibus e levou cheque 'voador'

Francisco De Laurentiis e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
Gazeta Press
Jobinho, do Bragantino, é o artilheiro da érie B com seis gols marcados
Jobinho, do Bragantino, é o artilheiro da Série B com seis gols marcados

O atual artilheiro da Série B, com seis gols marcados, já andou muito por esse Brasil. Antes de se consagrar atuando pelo Bragantino, o atacante Jobinho ajudava os outros a rodarem país afora, já que trabalhava como frentista e borracheiro em um posto de gasolina de Manoel Vitorino, na Bahia, sua cidade natal. 

"Como venho de uma família humilde, sempre precisei ajudar em casa, então tive algumas profissões antes de me firmar de vez no mundo da bola. Era muito complicado conciliar tudo", contou o atacante, em entrevista ao ESPN.com.br.

O dono da borracharia em que ele trabalhava vibrava quando chegava o período de férias. "O movimento aumentava demais, porque vinham muitos turistas visitar a Bahia. A gente ganhava uma graninha a mais e dava para engordar o peru de Natal (risos)", brincou. 

Cercado de pôsteres de musas pouco trajadas (ou, às vezes, da forma que vieram aos mundo), típicos do estabeleicimento, o jogador mostrava sua habilidade com os pneus.

"Fazia de tudo lá: trocava, recauchutava, ia pra a estrada às vezes com um caminhão de socorro para quando o pneu furava...", relembrou. 

Aos 18 anos, Jobinho virou jogador profissional do Poções e finalmente deixou os postos de gasolina e as borracharias para trás. Mas as histórias com os veículos motorizados nunca o deixaram em paz.

Em 2005, a equipe do interior baiano vivia grave crise financeira, e o presidente do clube fez uma ação no mínimo inusitada para cortar os gastos.

"O time estava sem dinheiro na época, então, para não pagar almoço pra gente, o presidente fez o motorista do ônibus se perder para chegar em cima da hora do jogo contra o Camaçari e a gente não ter que comer", narrou.

Outra vez, Jobinho quase precisou colocar suas habilidades de borracheiro a prova quando estava no Rio Claro, em 2013. 

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Jobinho e Chico, jogadores do Bragantino em ação pela Série B
Jobinho  atua ao lado do meia Chico 

"Estávamos concentrados para o jogo contra o Atlético Sorocaba, e começou uma chuva forte, que deixou um monte de lama. Indo para o jogo, entramos no 'busão' e ele não pegava de jeito nenhum...", recordou.

"Daí, tivemos que descer todos, aquela lama danada, uma baita chuva, todo mundo ensopado, para empurrar o ônibus... Aquele dia foi dureza!", lamentou o atleta.

Como se não bastasse, quando atuou pelo Rio Branco, em 2010, o jogador viu um dirigente enganar mais do que gasolina batizada e pneu recauchutado vendido como novo. 

"A gente estava há três meses sem receber, e o presidente só nos enrolando. Estávamos mal no Paulistão e íamos jogar em São Caetano. O presidente falou: 'Podem viajar que lá a gente leva os cheques e pagamos vocês'", contou o atacante.

"No vestiário, ele deu os cheques, e ganhamos o jogo por 2 a 1. No dia seguinte, fomos descontar e todos os cheques estavam sem fundo! Era tudo voador (risos)!", completou.

Artilheiro da Série B no primeiro Brasileiro

Jocenando Rocha Rodrigues virou Jobinho na infância, já que a maioria das pessoas não conseguia falar seu nome. "Até hoje todo mundo só me chama de Jobinho, Joceandro é só no RG, mesmo (risos)", riu.

ALE VIANNA/Agência Eleven/Gazeta Press
Jobinho, de pênalti, fez o gol da vitória do Bragantino
Jobinho tem seis gols em sete partidas

Aos 30 anos, o matador passou por times do interior paulista como União Barbarense, Ferroviária, América e Monte Azul. Apesar da grande experiência, nunca havia disputado qualquer divisão de Campeonato Brasileiro.

"Faltou uma oportunidade na carreira, mas esse ano tive como mostrar meu trabalho. É um torneio muito importante que dá visibilidade, ainda mais em um time como o Bragantino, que todo mundo quer jogar aqui em São Paulo" analisou.

Se engana quem pensa que o jogador surgiu do nada e agora. Ele brigou pela artilharia da Copa Paulista ano passado e goleador da Série A2 do Paulista de 2015 pelo Rio Branco. "É tudo fruto de muito trabalho mesmo. Estou conseguindo fazer meus golzinhos e espero ajudar meus companheiros", discursou.

Apesar de ter recebido outras propostas, como mora em Americana, preferiu ficar mais perto da família. Hoje empatado ao lado do centroavante Robert, ex-Sampaio Corrêa, hoje no Vitória, com seis gols marcados, ele esbanja confiança.

"Claro que vou brigar pela artilharia do Campeonato, mas em primeiro lugar, quero o acesso para a Série A do Brasileiro".

O atacante já prepara o herdeiro para seguir seus passos e garantir o futuro. "Falo para o meu filho que ele tem que ser atacante, pra poder sustentar os pais quando ficarmos mais velhos, porque outras posições é mais complicado ganhar dinheiro (risos)", concluiu.

Jobinho pode não ser um pneu novo, mas ainda vai rodar muito pelas estradas do Brasil atrás de uma bola.

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