Cinco anos depois, obra de CT do Flu começa, e Peter confia: 'Em 2016, treinaremos aqui'

Caio Blois, do Rio de Janeiro (RJ), para o ESPN.com.br
Presidente do Flu comemora início da construção do CT do clube: 'Nova fase'

Ao assumir a presidência do Fluminense nos últimos dias de 2010, Peter Siemsen tinha um grande objetivo: a construção do tão sonhado Centro de Treinamentos para o futebol tricolor. Após uma enorme espera, as obras começaram e segundo Siemsen, 114 anos depois, o time tricolor deve "se mudar" para a Barra da Tijuca no próximo ano. Mas com mais de cinco anos de atraso.

"O CT irá sair do papel esse ano. Dentro de um ano e meio, ele deverá ficar pronto. Estamos vendo um terreno na Estrada dos Bandeirantes. Já o presidente eleito está analisando outros lugares. Ter estrutura física é uma prioridade", afirmou Alcides Antunes, então vice de futebol tricolor, em dezembro de 2010.

O primeiro terreno dado como certo pela diretoria para a construção do CT foi o Banana Golf, ainda em 2011. Uma parceria com fundos de investimento e com o governo estadual trariam o dinheiro necessário para o aluguel do local, que geraria menor custo de obras. Os R$ 20 milhões pedidos não saíram, e o torcedor tricolor teve que esperar pela melhora na estrutura.

Divulgação/Banana Golf
Banana Golf foi o primeiro terreno 'dado como certo' para construção de CT do Flu
Banana Golf foi o primeiro terreno 'dado como certo' para construção de CT do Flu

No início do mesmo ano, o técnico Muricy Ramalho, comandante da equipe que conquistou o terceiro título brasileiro da história do clube em 2010, foi embora declarando que haviam ratos na sede do clube, em Laranjeiras. O Flu ia mal das pernas no Brasileiro e passou três meses esperando pela chegada do técnico Abel Braga. Peter, em coletiva, garantiu que o terreno havia sido encontrado e seria anunciado no fim do ano.

"Estão surgindo boatos e ainda não há qualquer acerto sobre o centro de treinamento. Estamos discutindo com os nosso parceiros e a tendência e anunciar o novo local de treinos do time no fim do ano. A negociação avançou muito, mas há algumas questões burocráticas. Não quero estipular prazo porque não depende apenas do Fluminense", disse Peter Siemsen, no aniversário do clube, em 21 de julho de 2011.

Divulgação/Fluminense
Peter Siemsen, em 2011, anunciava CT no máximo para o ano seguinte
Peter Siemsen, em 2011, anunciava CT no máximo para o ano seguinte

Com a chegada de Abelão e de jogadores como Lanzini e Rafael Sobis, o Fluminense que havia começado mal das pernas, terminou o Brasileirão voando e chegou novamente à Libertadores. No fim da temporada, o então vice de futebol Sandro Lima negou que o dinheiro da venda de Conca seria usado para o CT.

"Este valor não será usado na aquisição de um futuro centro de treinamento, muito menos na quitação de dívidas. A gestão do clube já tem todo o planejamento para tudo isso acontecer. O dinheiro referente à venda de Conca será reinvestido para o futuro do Fluminense", declarou, em dezembro de 2011.

O discurso, entretanto, era dissonante com o de Peter.

"O CT tem que sair em 2012. Tenho certeza de que a prefeitura vai estar junto da gente nisso. É algo que exige um amadurecimento da área pública para ver que não é um benefício para a cidade, não apenas para o Fluminense. Esperamos andar rapidamente com isso. Espero que o tempo de uso seja antes de 2013", disse Peter Siemsen.

O ano de 2012 começou e com ele, muito sucesso dentro de campo. Campeão carioca após sete anos e tetracampeão brasileiro, o Fluminense de Abel Braga não dava chance para os adversários e nem para que percebessem o atraso na construção do CT. E dessa vez sem promessas ou declarações na imprensa, Peter se acertou com a prefetiura do Rio e conseguiu o tão sonhado terreno, na Barra da Tijuca.

Divulgação / Fluminense
CT Flu 3
Área que abrigará o CT do Fluminense, na Barra da Tijuca

O acordo foi publicado no Diário Oficial do Município do Rio de Janeiro e 2013 parecia o ano da entrega. A previsão, em março, era de que as obras começassem em 40 dias. Mas as mudanças no terreno não andaram como o esperado, e ainda aumentou de preço: os R$ 13 milhões anunciados pela diretoria mais do que triplicariam, chegando a R$ 45 milhões. À época atacante do clube, Rafael Sóbis brincou com a imprensa.

"Esperamos que o CT saia logo e que eu esteja aqui, porque é agora que vai ficar bom", declarou Sobis, que ao deixar o clube no fim de 2014, não concretizou seu desejo.

Em campo, o Fluminense perdeu Fred no meio da competição, com séria lesão muscular no derrota contra o Santos. A insistência do craque em se manter em campo custou o resto do Brasileiro. No fim, o Flu acabou entre os quatro piores, mas, graças a falha jurídica da Portuguesa denunciada pela procuradoria do STJD, seguiu na Série A.

Gazeta Press
Peter Siemsen, presidente do Flu, concedeu entrevista nesta quinta, nas Laranjeiras
Peter Siemsen, presidente do Fluminense, em coletiva no fim de 2013

Diferente dos outros anos, 2014 não começou com promessas de que o CT saíria do papel. Em março, em cerimônia no clube, um novo projeto foi apresentado, já em meio à grandes atrasos. Após grande dificuldade para a obra era o aterramento do terreno cedido pela prefeitura. Sem fundos após a saída da Unimed, o Fluminense não tinha como arcar com os R$ 22 milhões e pediu que rochas e areia das escavações do metrô fossem cedidas ao clube.

Fluminense FC
O então
Pedro Antonio apresenta projeto do CT, em março de 2014, no salão nobre das Laranjeiras

A previsão, mais consciente, era de maio de 2016, para que a estrutura tivesse condições de uso durante as Olimpíadas de 2016. Esse prazo ainda pode ser alcançado, ainda que Peter prefira "meados de julho", como em declaração no canteiro de obras.

"As obras avançaram rapidamente e se a gente continuar nesse ritmo é possível que em meados de julho (de 2016) possamos estar fazendo nosso primeiro treino aqui, utilizando um dos campos, ainda sem o prédio principal, pois esse é um investimento maior. Estou bem otimista e feliz", declarou.

Fluminense FC
Prédio que abrigaria a parte administrativa do clube no novo CT
Prédio que abrigaria a parte administrativa do clube no novo CT

Antes batizado com o nome de Celso Barros,  o Centro de Treinamentos tem outro "mecenas" por trás. O vice-presidente de projetos especiais do Fluminense, Pedro Antônio, vem arcando, sozinho, com a construção do centro de treinamentos do clube. E assim que tiver dinheiro, com venda de atletas e outros fundos, o Tricolor pagará ao dirigente.

"Ainda não sei se o nome será mantido (de Celso Barros). Vou deixar isso para o futuro. Talvez passe uma pesquisa para o torcedor para um nome que o agrade mais", disse Siemsen.

"A gente poderia estar iniciando as obras, mas num ritmo bem menor, pois dividimos o valor em alguns anos, esperando algumas vendas em atletas para fazer investimento. O Pedro é o responsável por tudo que está acontecendo aqui. Conversando sobre essa situação, poderíamos fazer a mesma coisa, invertendo o processo. O Pedro faz esse investimento inicial e o Fluminense, ao invés de esperar vender jogador para investir, vamos separra uma parte do valor para o Pedro e ele continua investindo. É um grande tricolor e só tenho a homenageá-lo", afirmou Peter aos microfones da ESPN.

Divulgação/Fluminense
Pedro Antonio apresenta projeto do CT, em março de 2014
Pedro Antonio apresenta projeto do CT, em março de 2014

Se a primeira promessa era de entrega ainda no primeiro triênio de sua gestão, Peter Siemsen agora adota cautela e se mostra "empolgado" com a entrega no fim do seu mandato.

"Estou muito otimista, é um sonho de muitos anos do clube, que tentou ter um CT no início da década de 70, na área do shopping Via Parque, mas não conseguimos. Agora estamos aqui pertinho e, finalmente, com uma área nossa, nova, onde o trabalho está se iniciando. É um projeto que conheço bem, espetacular, numa área muito boa, de acesso, próximo a vários condomínios onde jogadores já residem. Será muito conveniente para os atletas, comissão técnica, dirigentes e dará uma privacidade importante, conforto e um nível de tecnologia muito alto para que a gente tenha resultado dentro de campo. Quero fazer um agradecimento especial ao vice de projetos especiais, Pedro Antonio, uma pessoa que tenho total confiança e tenho certeza que entregaremos o projeto, se não todo pronto, até o fim do mandato", pontuou Peter.

Fluminense FC
As obras do CT do Fluminense, enfim, se iniciaram
As obras do CT do Fluminense, enfim, se iniciaram

A construção, estimada em um ano, avançou na parte burocrática, mas só em junho de 2015, seis meses após a previsão do clube em 2014, as obras se iniciam. O projeto do Flu prevê a construção de três campos, sendo dois deles com medidas oficiais, além de caixa de areia, duas quadras de vôlei de praia, uma piscina de 25 metros, academia, departamento médico, um alojamento com 68 quartos (alguns para dois jogadores e outros individuais e para a comissão técnica), sala de imprensa, área de lazer para os jogadores, três estacionamentos e ainda uma área destinada à administração do local. A expectativa é que dessa vez, a versão saia efetivamente do papel.

Divulgação / Fluminense
CT Flu
Projeto de CT do Fluminense, que deve ficar pronto em 'meados de 2016'
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