Ex-Corinthians estava aposentado, voltou e hoje é 'Capitão Nascimento' do 'Bope' de Argel

Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
Gazeta Press
Marquinhos é titular desde o ano passado no Figueirense
Marquinhos é titular desde o ano passado no Figueirense

Marquinhos é hoje capitão e ídolo da torcida do Figueirense, porém, com apenas 29 anos, tinha resolvido se aposentar. Depois de passar quatro anos na Turquia, o jogador precisou voltar, mesmo contra a vontade, ao Brasil, após a morte dos pais. Como se não bastasse isso, um problema físico o impedia de atuar. Parecia o fim de carreira de um zagueiro de início promissor.

"Quando voltei fiquei quatro meses desempregado e estava com isso na cabeça de parar com o futebol", contou o defensor, hoje com 32 anos, ao ESPN.com.br

Cria das categorias de base do Corinthians e campeão mundial sub-17 com a seleção brasileira, o atleta foi convencido a não largar os campos. "Amigos e familiares conversaram comigo e diziam que era cedo para parar de jogar", disse.

Ele resolveu buscar forças e recomeçar, mesmo com uma hérnia de disco que o impedia atuar com regularidade. Até que um amigo que estava no Botafogo de Ribeirão Preto resolveu estender a mão.

"O Lori Sandri tinha sido meu treinador e pessoas em comum falaram de mim. Ele ligou e me chamou para treinar e comecei bem antes do campeonato", disse o zagueiro, que acertou com o clube do interior para o Paulistão de 2012. 

Apesar de ter superado a contusão, o caminho não foi nada fácil, principalmente após a troca de Sandri por Vagner Benazzi durante a competição. O zagueiro foi demitido após a goleada sofrida contra o Palmeiras, por 6 a 2, em que foi expulso.

Depois, acertou com o Paraná, mas logo em seguida desistiu de assinar contrato. Acabou no modesto Guaratinguetá, que estava na Série B do Brasileiro.

"É uma outra realidade. Faltava alguma coisa no almoço, jantar, às vezes até faltava água. Não estava acostumado com isso, porque tinha jogado em clubes grandes e fora do Brasil", recorda.

Mesmo assim, foi a oportunidade que precisava para em dois anos mostrar seu futebol. "Sou muito grato ao clube, porque o Brasil voltou a me ver jogar, porque ninguém vê o Campeonato Turco e você some. Às vezes, o jogador precisa ter humildade e dar esse passo para trás. Precisava subir degrau por degrau. Vejo companheiros que não aceitam isso e ficam desempregados", analisou.

Mesmo com o rebaixamento para a Série C, o jogador se destacou e foi para o Comercial. Não atuou pela outra equipe de Ribeirão Preto, acertando logo em seguida com o Figueirense. O calvário estava chegando ao fim.

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Marquinhos é zagueiro e capitão do Figueirense
Marquinhos é zagueiro e capitão do Figueirense

Antes disso, teve que ficar um tempo no banco de reservas do time catarinense. "Cheguei numa equipe formada e precisei esperar meu momento, tive algumas chances no Estadual e fomos campeões", lembrou.

Aos poucos foi ganhando a posição e passou a titular e homem de confiança do técnico Argel Fucks, inclusive com a braçadeira de capitão. "Acho normal por ser o cara mais experiente do grupo, tinha esse sonho de voltar a um time da elite", disse.

É possível dizer, então, que o defensor é hoje o Capitão Nascimento do "Bope de Argel", já que o treinador costuma usar discursos motivacionais do Batalhão de Operações Especiais do Rio de Janeiro, como revelou ao ESPN.com.br no ano passado.

Marcado pela briga com Tévez e apuros na Turquia

Marquinhos foi revelado no começo década passada no Corinthians, em um a equipe que havia acabado de vencer o Mundial de Clubes de 2000. Após alternar momentos entre os profissionais e a base, foi integrado em definitivo no clube de Parque São Jorge.

Em 2005, no elenco montado pelo fundo de investimentos MSI, aconteceu um episódio que o zagueiro já precisou falar por diversas vezes ao longo da carreira: a briga com Carlitos Tevez, atualmente na Juventus, em um treinamento.

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Amoroso, Betão e Marquinhos
Amoroso, Betão e Marquinhos no Corinthians

"O Corinthians tive muitos aprendizados, não guardo qualquer mágoa do clube, ao contrário. Tive minhas oportunidades, não soube aproveitar, mas não tenho o que reclamar. Eu que pedi para sair, achei que era minha hora", disse.

Ele foi tentar uma oportunidade no Atlético-MG. "Foi um ano muito difícil para mim, saí do Corinthians que acabou campeão, e fui para o Atlético que foi rebaixado", lamentou o zagueiro, que retornou ao Timão em 2006, mas, como não tinha espaço, passou rapidamente pelo Náutico até chegar à Turquia.

Em uma equipe pequena do país, sofreu sem tradutores no começo. "Foi uma experiência muito boa como pessoal e atleta foi importante. Era uma língua que não conhecia, no começo era engraçado porque parecia que era mudo. Eu só falava por gestos, não tinha noção de nada. Ficava imaginando o que eles estavam falando (risos)", divertiu-se.

Depois de mudar para o Istanbul BB, a barreira da língua foi superada. A culinária do país, porém, faz o zagueiro se contorcer só de lembrar. "A comida deles é muito forte, uma vez numa festa do clube tinha um doce que eu detestava, mas você precisa comer porque eles consideram uma grande desfeita, quando oferecem e você recusa. Tive que fazer um esforço, mas sempre levava mala do Brasil só de alimentos, porque a culinária deles não dá (risos)", recordou.

O zagueiro gostava tanto do país que não pretendia retornar ao Brasil tão cedo, até que o destino mudou seus planos. Uma possível aposentadoria precoce, peregrinação em vários times até a posição de hoje, Marquinhos não poderia estar mais feliz.

"De quando eu voltei pensando em parar de jogar e depois atundo em equipes menores, e hoje estar numa equipe de série A é uma reviravolta muito grande. Tive que trabalhar firme para ter a oportunidade", comemorou.

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