As 1001 histórias de Digão: ex-Flu vira rei da Arábia, ganha bolo e 'manda' até na polícia

Francisco De Laurentiis e Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
MEHDI ZARE/AFP/GETTY IMAGES
Digão Al-Hilal Foolad AFC Champions 17/03/2015
Digão (26) em ação pelo Al-Hilal na Liga dos Campeões da Ásia

Enquanto concede entrevista ao ESPN.com.br, Rodrigo Júnior Paula Silva é parado pela polícia durante passeio de carro pelas ruas de Riyadh, a capital da Arábia Saudita. Abordado, fala em árabe com o guarda de trânsito, que imediatamente reconhece e libera o astro do Al-Hilal, um dos mais populares times de futebol do país (e propriedade da família real saudita), pedindo desculpas pelo inconveniente.

Isso mostra quem é Digão, ex-zagueiro do Fluminense que se tornou um verdadeiro sultão das Arábias.

Revelado em Xerém, o defensor que era conhecido como "Anderson Silva", por causa da voz fina, defende o Al-Hilal desde 2014, tendo participado da campanha do vice na AFC Champions, a Liga dos Campeões da Ásia, em 2014, e do título da Copa dos Campeões da Arábia Saudita, vencida na última sexta-feira em cima do rival Al Nasr.

Xodó dos torcedores, ele já foi até perseguido por um maluco nas avenidas da capital saudita que queria um contato com o ídolo de todo jeito.

"O cara parecia um maluco, me deu várias fechadas e não parava de me seguir, fiquei até com medo. Uma hora ele conseguiu me alcançar, emparelhou, abriu a janela e gritou que era um torcedor e só queria um autógrafo. Foi um alívio (risos)", conta Digão, de 27 anos.

Morando há um ano e meio no país islâmico, o zagueiro diz já ter mais de 1001 histórias para contar, tanto de sua vida em Riyadh quanto da convivência com os colegas muçulmanos. A primeira vez que viu um jogo interrompido para a reza lhe deixou com a pulga atrás da orelha.

"Faltavam cinco minutos para o final do primeiro tempo quando o árbitro do nada parou o jogo. Todo mundo parou, entrou nos vestiários, rezou e voltou para o campo. Eu fiquei lá esperando, né? (risos). Aí eles voltaram, jogaram esses cinco minutos, acabou o primeiro tempo e descemos de novo. Faz parte da religião dele, temos que respeitar", lembrou.

Morando com a filha e a esposa na Arábia Saudita, Digão garante já estar totalmente adaptado à vida no Oriente Médio, muito graças à ajuda do compatriota Thiago Neves, outro ídolo do Al-Hilal. No entanto, o defensor demorou para entender como funcionam os hábitos locais, ainda mais para quem, em sua Duque de Caxias natal, estava acostumado a só andar de bermuda e chinelo.

"Se for sozinho de bermuda no shopping, não pode entrar de jeito nenhum. Uma vez consegui, mas só porque o segurança era torcedor do meu time e eu dei migué, falei que não sabia, que era a primeira vez que eu estava indo (risos). Ele disse que na próxima eu não entraria, mas me liberou e dei uma voltinha lá (risos)", diverte-se.

Instagram, Rolex e camisa do Corinthians

Ídolo dos torcedores do Al-Hilal, o ex-atleta do Flu tem uma verdadeira legião de seguidores no Instagram. Qualquer foto que o defensor posta imediatamente vira um hit na rede social, com diversos comentários em árabe e mensagens carinhosas.

"Recebo muitas mensagens, eles comentam tudo, é legal pra caramba. A torcida é muito apaixonada e eles respeitam muito os jogadores, ao contrário do Brasil, que muitas vezes nao tem isso", observa.

Os fãs, porém, acabam aprontando algumas confusões de vez em quando.

"Teve um dia engraçado. Um árabe chegou até mim vestindo uma camisa do Corinthians com meu nome nas costas. Eu pensei: 'Como é que eu vou explicar pra ele que não joguei lá?'. Mas não era isso! O lance era que ele torcia pro Al-Hilal e era meu fã, mas curtia o Timão no Brasil. Aí eu autografei a camisa do Corinthians mesmo e dei uma camisa do Al-Hilal pra ele", recordou, às gargalhadas.

Arquivo Pessoal
Digão Bolo Restaurante Al-Hilal Arabia Saudita
Digão e seu bolo personalizado

Uma grande vantagem de jogar no Al-Hilal, contudo, é que, como o time pertence à família real saudita, os presentes costumam ser bastante gerenerosos.

"Eles dão muitos presentes, como carros, celulares, até dinheiro vivo. Isso anima a galera, né (risos)? Eu mesmo ganhei um Rolex bem bonito. E quando viajamos para fora do país, podemos usar o avião da família real!", revela, antes de contar mais sobre a torcida.

"Todo jogo aqui em casa é estádio cheio, com uns mosaicos geniais, igual se fosse Corinthians ou Flamengo, é impressionante. Vira e mexe eu ganho jantar também, porque tem donos de restaurantes que são torcedores do Al-Hilal e nos deixam comer na faixa! Teve uma vez que cheguei em um restaurante e o cara tinha feito um bolo com uma foto enorme minha jogando pelo time, foi muito legal", relata.

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