Djokovic é mais um líder do ranking a sofrer com a 'maldição' de Roland Garros

Guilherme Nagamine, do ESPN.com.br
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Djokovic: três finais, três derrotas. Quando vai acabar a maldição?
Djokovic: três finais, três derrotas. Quando vai acabar a maldição?

No último domingo, Novak Djokovic entrou na Philippe Chatrier para a final de Roland Garros respaldado por uma temporada brilhante. Título no Australian Open, campeão nos quatro Masters que disputou (Indian Wells, Miami, Monte Carlo e Roma), duas derrotas em 43 jogos, série de vitórias no saibro, liderança do ranking assegurada...

No caminho até a decisão, ele ainda eliminou Rafael Nadal nas quartas de final e Andy Murray na semi - dois dos integrantes do chamado Big Four e que, teoricamente, poderiam atrapalhá-lo de maneira considerável no torneio.

Basicamente, o sérvio entrou no estádio para a decisão após cumprir um roteiro quase perfeito em sua temporada. Favorito nas casas de aposta, ainda poderia entrar para o seleto grupo dos tenistas que já venceram os quatro Grand Slams. Tudo conspirava a favor para a partida contra Stan Wawrinka.

Mas "Nole" perdeu pela terceira vez a decisão na França.

E segue, assim como outros 10 jogadores que já lideraram o ranking da ATP, sem levantar a taça em Paris. Ele é mais um a engrossar a fileira da "maldição de Roland Garros".

Um destes "perdedores" é justamente Boris Becker, que tem orientado o sérvio desde o ano passado. O alemão, assim como seu pupilo, venceu os três dos quatro Majors e sempre fracassou na França. Na carreira, ele alcançou três semifinais por lá, em 1987, 1989 e 1991.

"Saibro era difícil porque era contra a minha personalidade. No saibro você ganha cometendo menos erros, enquanto nos outros pisos você vence fazendo mais winners. Eu nunca fui um cara que esperava o adversário errar. Então psicologicamente era sempre difícil para mim jogar no saibro", declarou Becker em entrevista à CNN há dois anos.

"Eu tentei de tudo para vencer. Eu cheguei à final, semifinais de grandes torneios de saibro e nas semis de Roland Garros, mas eu nunca fui bom o suficiente. Perdi para Mats Wilander, que era melhor do que eu no saibro, eu perdi para Andre Agassi, que era melhor do que no saibro. Era apenas uma questão de qualidade de jogo, e minha qualidade de jogo não era boa o suficiente para vencer um Major no saibro", definiu.

E não só ele. Pete Sampras, por exemplo, venceu apenas três de seus 64 títulos no saibro. Heptacampeão em Wimbledon, penta no US Open e bi do Australian Open, a semifinal foi o mais longe que ele conseguiu chegar em Roland Garros.

Stefan Edberg, outro produto da era de jogadores adeptos do saque e voleio, foi mais um a ter triunfado nos EUA, Inglaterra e Austrália, mas jamais em solo francês. Sua única chance veio em 1989, quando foi derrotado em cinco sets para Michael Chang, então com apenas 17 anos. "Na época eu achei que teria outra chance. Mas essa chance realmente nunca apareceu de novo", declarou ele, também à CNN.

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Becker é um e-xnúmjero 1 que nunca ganhou em Paris
Becker é um e-xnúmjero 1 que nunca ganhou em Paris

Andy Roddick, Jimmy Connors, John McEnroe, John Newcombe, Marat Safin, Marcelo Ríos e Patrick Rafter foram os outros líderes do ranking na Era aberta (era profissional do esporte, que começou em 1968) que não conseguiram levantar o troféu.

Mas Edberg, Sampras, Becker e, por enquanto Djokovic, têm em comum o fato do Slam francês ter impedido a conquista do Career Slam, quando o tenista vence todos os Majors.

"Parece que eu sou o único jogador que quer conquistar este troféu e que ninguém quer ganhar tanto quanto eu. Isso é completamente falso. Acho que é algo que precisamos ter em mente. Eu não estou tentando aliviar a pressão em cima de mim. Pressão é parte do que eu faço. Eu acostumado a isso. Eu tive várias partidas difíceis na minha carreira", afirmou Djokovic na coletiva após o vice-campeonato em Paris.

"Hoje saí de quadra sabendo que estou perto [de conquistar Roland Garros], mas do outro lado da rede tinha também um jogador que queria ganhar e poderia perder o jogo. Ele mereceu vencer. Isso é tudo o que posso dizer."

O que falta para o sérvio enfim levantar o troféu?

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