Das polêmicas à Tríplice Coroa: veja como foi a melhor temporada da história do Barcelona

André Donke, do ESPN.com.br
Getty
Barcelona faz a festa após conquistar a Champions League
Barcelona faz a festa após conquistar a Champions League

O Barcelona ganhou sua primeira Uefa Champions League em 1992 com uma equipe que ficou rotulada por 'Dream Team' (O time dos sonhos, em inglês). Depois, voltaria a faturar a taça em 2006 com Ronaldinho Gaúcho no auge. Três anos mais tarde veio a terceira graças ao tiki-taka de Guardiola, e Lionel Messi fazendo a vez de gênio do elenco. História que se repetiu em 2011.

Em 2015, o clube leva para a Catalunha o quinto troféu da competição em sua história, mas, dessa vez, graças a um elenco que talvez não tenha a mesma pompa do que os outros três já citados, apesar das atuações e números incontestáveis.

Isso porque, o início de 2014-15 foi turbulento, e o time esteve longe de ser unanimidade, principalmente o técnico Luis Enrique. Os meses se passaram, e algumas polêmicas e a desconfiança sobre o treinador seguiam.

Apesar dos episódios negativos ao longo da campanha, os torcedores do Barça, aos poucos, viram que estavam presenciando a maior temporada da história do clube - ao menos quanto aos números.

Os blaugranas conseguiram a Tríplice Coroa (conquista da Champions, Campeonato Espanhol e Copa do Rei na mesma campanha) pela segunda vez na história. A diferença é que o aproveitamento em 2014-15 foi superior ao de 2008-09, quando o Barcelona conseguiu o feito de forma inédita.

Há seis anos, o saldo da temporada foi de 42 vitórias, 13 empates e sete derrotas sob o comando de Guardiola, o que equivale à conquista de 74,73% dos pontos disputados, Naquele ano, o time terminou o Espanhol com 87 pontos e 105 gols marcados.

Já na atual campanha, os comandados de Luis Enrique encerram com 50 triunfos, quatro igualdades e seis reveses (aproveitamento de 87%), O título da Copa do Rei se deu com vitória em todos os jogos. Já em La Liga, a equipe fechou com 94 pontos e 110 gols feitos.

Mauro Cezar e Paulo Calçace fazem 'balanço final' da temporada 2014/2015 do Barcelona

Veja cronologicamente como foi a temporada para o Barcelona:

Julho/agosto: Quase saída de Xavi, Suárez punido e disputa pelo gol

Antes de a temporada começar, o Barcelona já teve a possível perda de um ídolo. Com propostas para sair, Xavi era ausência praticamente certa (mesmo com contrato até 2016), tanto que os jornais já noticiavam sua saída. Porém, houve uma reviravolta depois de uma conversa com o técnico Luis Enrique. Sem mais condições de ser titular absoluto, o veterano atleta passou a entrar em situações específicas, o que, de fato, acabou ocorrendo.

Reserva, Xavi deu lugar ao reforço Ivan Rakitic, que veio credenciado pelo papel de protagonista no Sevilla campeão da Liga Europa. O croata se estabeleceu rapidamente entre os titulares e alcançaria o ponto alto no jogo final da temporada ao marcar o primeiro gol contra a Juventus.

Se um ídolo ficou, outro foi embora. Como já estava determinado desde a temporada anterior, Victor Valdés deixou o clube e foi substiuído por nada menos do que dois goleiros. O promissor alemão Marc-André ter Stegen, ex-Borussia Monchengladbach, ficou encarregado de jogar as partidas da Champions e Copa do Rei. Enquanto isso, o experiente chileno Claudio Bravo atuou no Campeonato Espanhol.

O reforço mais badalado, porém, seria Luis Suárez. Punido pela Fifa com oito jogos de suspensão e quatro meses afastado do futebol, o atacante sequer podia treinar com o elenco. Somente depois de uma apelação à Corte Arbitral do Esporte (CAS) no meio de agosto é que ele pôde passar a trabalhar com os novos companheiros. No entanto, seguia afastado dos confrontos oficiais.

A tão aguarda estreia ocorreria justamente em um clássico com o Real Madrid, que marcaria o início da turbulência. 

Setembro/outubro/novembro: Do bom início às críticas e a queda da liderança

Até Suárez fazer seu primeiro jogo oficial, o Barça, coincidentemente, caminhava muito bem. Foram nove triunfos (cinco logo de cara), um empate e uma derrota (para o PSG, na França, pela Champions) nos 11 primeiros confrontos. 

Porém, viria o Real Madrid em 25 de outubro de 2014. Os visitantes até abriram o placar no Santiago Bernabéu com Neymar após assistência de Suárez com poucos minutos, mas levaram a virada e caíram por 3 a 1. Na rodada  seguinte, novo revés - 1 a 0 para o Celta de Vigo -, resultado que tirou a equipe da liderança.

Janeiro: Luis Enrique x Messi, questionamentos e nada de reforços

Na virada de ano, a única coisa nova no Barcelona foi um problema, já que estava punido pela Fifa com a impossibilidade de contratar jogadores até janeiro de 2016. O clube apelou para a CAS, mas não teve sucesso

Getty
Luis Enrique foi questionado no começo, mas calou os críticos
Antes questionado, Luis Enrique calou os críticos

Tentando recuperar a primeira posição, o clube azul e grená teve um suposto problema entre o treinador e seu principal astro. Luis Enrique, que nunca teve a melhor das relações com nenhum de seus principais astros, não acreditou na justificativa do argentino Lionel Messi para faltar a um treino no começo do ano e quis punir o camisa 10 segundo o jornal Sport

O episódio ocorreu logo após a derrota para a Real Sociedad por 1 a 0, jogo no qual Messi e Neymar começaram no banco após voltarem mais tarde da folga de fim de ano. A partir de então, as entrevistas coletivas passaram a ser algumas vezes pautadas pelo extracampo, e a continuidade do treinador passou a ser algo incerto. A situação só mudaria quando a equipe alcançou o auge.

Vale lembrar que, em meio a isso, o diretor esportivo Andoni Zubizarreta foi demitido do cargo no qual estava havia quatro anos. O ex-capitão Carles Puyol, que vinha trabalhando também na diretoria, foi outro a deixar o clube.

Fevereiro/março/abril: A retomada e o mal-estar de Neymar com o técnico

Depois do revés para a Real Sociedad, o Barcelona só perderia outras duas vezes na temporada (para o Málaga, no Espanhol, e contra o Bayern de Munique, na semi da Champions). Boa parte disso se daria por conta de seu trio de ataque, o MSN.

Neymar, Suárez e Messi, individual e coletivamente, apresenteram um desempenho muito superior na segunda metade da temporada. Não à toa, 82 (ou 67,21%) dos 122 gols que marcaram ocorreram em 2015. Suárez fez 22 dos 25 gols depois da virada do ano. Neymar (25 de 39) e Messi (35 de 58) não tiveram uma mudança tão grande quanto a do uruguaio, mas também melhoraram a média.

Com os três 'voando', o Barça retomou a liderança - para não largar mais - depois de mais de quatro meses ao golear o Rayo Vallecano por 6 a 1, em 8 de março. Três rodadas depois, a equipe se isolou ainda mais na ponta com um triunfo para cima do Real Madrid por 2 a 1.

Aquele jogo ainda mostrou que o Barcelona não é mais o time do 'tiki taka', de Pep Guardiola, algo que já vinha sendo modificado com Tata Martino (que comandou os blaugranas em 2013-14).

Mais do que retornar à boa fase e ver seu treinador ganhar popularidade, o time catalão encontrou seu melhor momento em 2014-15, considerando que ia avançando na Copa do Rei e havia deixado o Manchester City para trás nas oitavas de final da Champions.

Porém, a polêmica não poderia faltar. Após ser substituído - pela 14ª vez em 34 confrontos até então - durante o empate por 2 a 2 com o Sevilla, Neymar deu chilique e gerou mais repercussão quanto ao relacionamento de Luis Enrique com suas estrelas. Posteriormente, o técnico evitou o assunto, dizendo que não se interessava por bobagens.

Apesar disso, as ótimas atuações fizeram esse episódio rapidamente virar passado, já que o presente era vitorioso demais. E quanto ao futuro? Este reservava as taças.

Maio/junho: A Tríplice Coroa

Nos últimos 13 jogos da temporada, o  Barcelona venceu 11 e tropeçou duas vezes, resultados que não fizeram diferença. Afinal, empatou com o Deportivo La Coruña por 2 a 2 na última rodada do Espanhol, quando já havia garantido o título, e perdeu por 3 a 2 para o Bayern após ter vencido o duelo de ida da semi da Champions por 3 a 0.

REUTERS
Trio MSN foi decisivo em 2014-15
Trio MSN foi decisivo em 2014-15

Com seu trio de ataque inspirado, a equipe catalã só colecionou vitórias e lances memoráveis, como as 'canetas' de Suárez para cima de David Luiz no 3 a 1 sobre o Paris Saint-Germain, pelas quartas da Champions. 

Os gols e vitórias logo desencadeariam em título. O primeiro, o do Espanhol, veio em 17 de maio de 2015, quando venceu por 1 a 0 o Atlético de Madri - justamente de quem perdeu o título na última rodada de La Liga em 2013-14.

Exatos 13 dias depois, era a vez de faturar a Copa do Rei. Ocasião perfeita para um novo lance memorável. Messi correu mais de 50m para anotar um golaço e ajudar o Barça a bater o Athletic Bilbao por 3 a 1.

Só faltava uma taça para a Tríplice Coroa. Mas não por muito tempo. No último sábado, 6 de junho, o Barça faturou a Champions pela quinta vez em sua história ao fazer 3 a 1 sobre a Juventus. O lance memorável, dessa vez, viria com Neymar, o gol que decretou o fim do jogo, literalmente.

Assista aos melhores momentos da vitória do Barcelona sobre a Juventus

Um fim simbólico e outro duvidoso

Uma temporada perfeita foi o encerramento perfeito para a passagem de Xavi, que deixa o clube que o revelou e pelo qual atua como profissional desde 1998, sendo o atleta que mais vezes defendeu as cores azul e grená. Foram 767 jogos e 25 títulos.

Uma homenagem após o jogo da última rodada do Espanhol e outra organizada pelo clube no começo de junho tiraram lágrimas do volante de 35 anos e reforçaram ainda mais o tamanho da importância que ele teve para o clube.

Enquanto Xavi teve um adeus dos sonhos e carregado de emoção, o mesmo pode não ocorrer com Daniel Alves, que tem contrato até o fim da temporada, não acertou a renovação e nunca deixou de mostrar mágoa com o clube, por sua posição na negociação. "O clube não me valorizou", afirmou o atleta em uma entrevista coletiva surreal no fim de maio.

Emoções, especulações, polêmicas e turbulências não faltaram ao Barcelona em 2014-15. Porém, estiveram longe do protagonismo, já que o seu futebol não deixou.

Xavi dá adeus ao Barcelona com mais uma Champions no currículo
Da taça gigante ao grito de 'é campeão': veja as imagens mais bonitas da final da Champions
Comentários

Das polêmicas à Tríplice Coroa: veja como foi a melhor temporada da história do Barcelona

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.