Ex-companheiros de Tevez no Corinthians confidenciam: 'Era um bicho-preguiça'

Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br
Gazeta Press
Carlitos Tevez fez 78 e 46 gols com a camisa do Corinthians
Carlitos Tevez fez 78 partidas e 46 gols com a camisa do Corinthians

Uma década antes de se consagrar com a Juventus, Carlitos Tevez foi ídolo de um outro time alvinegro: o Corinthians. O atacante conquistou em pouco mais de um ano o coração da torcida com o título brasileiro de 2005, muitos gols, algumas confusões e uma entrega dentro de campo fora do comum. 

O que poucas pessoas sabem é que toda raça demonstrada nos gramados pelo argentino não se refletia durante os treinamentos.

"Ele não corria, parecia que não gostava muito de treinar. A gente ficava conversando meio admirado no começo sobre isso, porque no jogo ele virava o ‘bicho', mas em treino estava mais para bicho preguiça (risos)", contou o meia Ronny, hoje no Hertha Berlim-ALE, que à época estava subindo para o time principal, em entrevista ao ESPN.com.br .

Um dia, porém, ele perdeu a paciência em um treinamento. Após ter alguns entreveros com o zagueiro Marquinhos, trocou socos como um boxeador com o defensor.

"Foi coisa de treino, nada demais. Às vezes tem uma chegada mais dura e um não gosta e deixa o braço, isso acontece. Naquele dia eles já tinham se estranhado em um lance anterior, foi aquela confusão", disse o zagueiro Betão, também em contato com a reportagem.

Segundo o jogador que está no Dynamo de Kiev, tudo acabou no mesmo dia. "Depois no vestiário foi tudo tranquilo, um pediu desculpa ao outro, disseram que estavam de cabeça quente, morreu a história ali mesmo, não foi nada de grave", ponderou.

Mesmo com a 'preguiça' e algumas desavenças, quando a bola rolava para valer, a história era outra. "No jogo ele resolvia, era quem mais corria, brigava e dava o sangue. Era f...", disse Ronny.

O artilheiro da Velha Senhora na temporada fez 46 gols em 78 partidas no Brasil. "Ele botava tudo em campo, era 50% da equipe, por isso, foi tão reconhecido no Brasil", reconheceu Betão

O comportamento do atacante de 31 anos antes das partidas era bem mais contido." Em dia de jogo falava pouco, ficava na dele e muito concentrado. A gente ouvia música, cantava, enquanto isso, ele não queria saber de brincadeira. Depois que a gente ganhava era só alegria, só brincadeiras", lembrou Ronny.

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Marquinhos e Tevez brigaram em um treinamento em 2005
Marquinhos e Tevez brigaram em um treino

Tevez era o líder dentro de campo de uma equipe montada pelo fundo de investimentos MSI, que tinha Mascherano, Nilmar, Carlos Alberto, Roger, entre outros 'medalhões'. Fora dele, o atacante lutava pelos direitos dos companheiros menos famosos.

"Ele tinha tudo para ser o cara mais mascarado do clube, ser metido, era o camisa 10, tinha prestígio e salário mais alto, mas ele contrariou tudo isso. O que pouca gente sabe é que, como tinha muita intimidade com o Kia, brigava para que a premiação de todos os jogadores fossem iguais, para que todo mundo pudesse ter a mesma importância ", lembrou o zagueiro.

Betão era amigo e companheiro de quarto de Tevez e acabou sendo fundamental na rápida adaptação do argentino ao time alvinegro.

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No jogaço de 2005, Tevez fez o dele e o Corinthians venceu o Cruzeiro em jogo de 7 gols
 Da esquerda para direita: Macherano, Jô e Tevez

"Eu estudava espanhol por conta própria e sabia falar. Me aproximei dele e do Sebá Domingues porque os recebi da forma como gostaria de ser recebido em qualquer clube. O Carlitos realmente é muito tímido e fechado, mas sabíamos a qualidade dele e fiz o máximo para ele se sentir à vontade", resumiu . 

Após a eliminação para o River Plate da Argentina na Copa Libertadores da América de 2006, o clube entrou em crise. Tevez foi transferido para o West Ham-ING e ficou pouco tempo. Passou por Manchester United, Manchester City até chegar à Juventus, onde finalmente reencontrou o status de ídolo.

Betão torce para que o camisa 10 da Velha Senhora conquiste a Uefa Champions League neste sábado. Seria a consagração do menino pobre vindo do Forte Apache na Argentina que deixou saudades no Brasil.

"É um cara muito de grupo, tiro o chapéu para ele. Desde aqueles tempos dava para ver dava para ver que ele chegaria muito longe", concluiu.

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