Time da 3ª do Gaúcho tem Arena Fifa com naming rights, dívida zero e 'Luxa dos Pampas'

Vladimir Bianchini, do ESPN.com.br

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Julio Cesar Nunes, técnico do Passo Fundo
Julio Cesar Nunes, técnico do Gaúcho de Passo Fundo

Imagine que em 2010 uma pequena equipe do interior do Rio Grande Sul tinha mais de 300 ações trabalhistas na Justiça, uma dívida de R$ 14 milhões, um patrimônio que estava em leilão e vários anos afastadas das competições oficiais, sem sequer um time para entrar em campo. 

Cinco anos depois, a mesma agremiação agora está sem dívidas, problemas judiciais e tem uma Arena padrão Fifa prestes a ser entregue com naming rights já vendido. E detalhe: na liderança da terceira divisão gáucha, com um treinador de apenas 30 anos apelidado de "Luxa dos Pampas".

Um dos grandes responsáveis por esta reviravolta é chamado de 'louco' pelos amigos: Gilmar Rosso, presidente do Sport Clube Gaúcho de Passo Fundo, que encontrou o clube em situação de penúria.

"Nosso patrimômio tinha sido arrrematado em um leilão judicial, então resolvemos colocar o time para jogar mesmo sem muitas condições e sensibilizar quem tinha comprado, afinal de contas, éramos uma instituição de 95 anos", diz o comandante do time alviverde, em entrevista ao ESPN.com.br.

Rosso se cercou de pessoas da cidade para renegociar as pendências, fez acordos com todos credores e quitou tudo por R$ 5 milhões. Depois, conseguiu vender o patrimônio do clube e ficou com CNPJ limpo. "Depois de todas estas ações, nós ganhamos uma área da prefeitura para a construção do estádio". O time, que antes precisava jogar fora da cidade, está finalizando uma Arena para 5 mil lugares por R$ 6 milhões. Em um segundo momento, caberão 25 mil torcedores no local. "Nós seguimos todos os encargos da Fifa, será muito moderna e auto sustentável".

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Gerson Rosso, presidente do Gaúcho
Gerson Rosso, presidente do Gaúcho

Após procurar empresários, vendeu os naming rights para a BSBios, uma empresa de combustíveis, por três anos. Os valores envolvidos, porém, ele não revela. "Apenas a companhia pode falar, mas para nós são as 'mil maravilhas'", comemora. 

O estádio está 90% pronto, de acordo com Gilmar Rosso. "Nós não devemos nada para ninguém, banco ou construtora, está tudo pago. Os melhores camarotes nós reservamos para quem pagou os naming rights, eles têm que ser tratados como VIP mesmo".

"Nós conseguinos a concessão do ginásio Teixeirinha, sexto maior do Brasil e que fica ao lado da Arena, para a empresa colocar o nome dela. A gente resgatou essa patrimônio da cidade e a ideia é ser uma fonte de renda para o clube também", diz. 

Com tantas melhorias, alguns torcedores chegaram até mesmo a querer mudar o mascote do time. "Nós temos as cores do Palmeiras e o pessoal brinca que precisa trocar de periquito para a fênix, porque o clube renasceu das cinzas. Eu não quero trocar, mas é bem por aí mesmo a nossa situação", analisa.

Os problemas, tão recorrentes na Justiça, sumiram. "Eu administro aqui como empresa, sou torcedor apenas dentro de campo. Só negocio com jogadores, com empresário não falo de jeito nenhum, para mim, eles são um câncer no futebol", reclama. 

Gilmar acredita que o clube é uma mistura de emoções. "Dizem que o Corinthians tem um bando de loucos, o Fluminense é time de guerreiros e o Grêmio é o Imortal. Quer viver essas três situações juntas, fique uma semana comigo aqui no Gaúcho (risos)", conclui.

"Luxa dos Pampas" comanda líder da terceirona

O Gaúcho, que lidera o grupo A da terceira divisão estadual com 13 pontos ganhos, tem como treinador Julio Cesar Nunes, o "Luxa dos Pampas", alcunha que ganhou de um diretor do Veranópolis. "Foi coisa dos meus amigos, os mais próximos brincam comigo, mas não é apelido (risos)" diz o treinador, que não gosta de usar ternos à beira do campo como o ex-comandante do Real Madrid.

Julio desistiu de ser jogador aos 18 anos e foi estudar Educação Física. Trabalhou nas categorias de base de clubes e ajudou a revelar Ramiro (Grêmio), Bressan (Flamengo), Fernando, (Shakhtar) e Alex Telles (Galatasaray). Foi auxiliar técnico de Luis Carlos Winck no Esportivo de Bento Gonçalves, fazendo boa campanha no estadual.

No ano passado, foi chamado para comandar o Gaúcho e mudou de vez de função. "Aos 29 anos me tornei o treinador mais jovem da história do clube", se orgulha.

O técnico, que tem idade para ser jogador, acredita no trabalho para conquistar o tão sonhado acesso e recolocar em pouco tempo o time na elite do futebol gaúcho. "A gente é de uma safra jovem que não foi jogador profissional e precisa estudar mais, porque não temos nome, e aí saímos atrás", diz.

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