Vice da CBF, sobre prisão de Marin: 'Os Estados Unidos têm interesse na Fifa'

Marcus Alves, do ESPN.com.br
Divulgação/Federação catarinense
Delfim Peixoto saiu em defesa do ex-presidente da CBF, José Maria Marin
Delfim Peixoto saiu em defesa do ex-presidente da CBF, José Maria Marin

Um dos vice-presidentes da CBF, Delfim Peixoto Filho, que cuida da região Sul, estranhou a prisão de José Maria Marin na madrugada desta quarta-feira (horário de Brasília), em operação comandada pela FBI, na semana das eleições da Fifa e assegurou apenas que ele não tem "nada a ver com isso" e estranho supostos interesses na ação realizada exatamente na semana da Fifa.

"Um negócio é bem claro. Não sei se é verdade, até onde vai, mas eu estou fora. A única coisa que posso dizer é que não tenho nada a ver com isso. Não faço parte de Comitê da Fifa nem tenho empresa de marketing esportivo nem sou ligado a nenhuma", afirmou Delfim Peixoto em contato com o ESPN.com.br.

"Até que provem o contrário, como se diz, não tenho nada que possa ser dito em relação ao Marin", prosseguiu.

Marin assumiu a CBF em 2012 em substituição a Ricardo Teixeira, que renunciou após escândalos públicos, e se despediu no último mês de abril do cargo. Ele ocupa atualmente a vice-presidência na região Sudeste.

O cartola teve o seu pedido de extradição para os Estados Unidos pedido pelo FBI.

"Esse é um assunto de dez anos atrás. Outros brasileiros tiveram envolvidos seus nomes no passado e até hoje não vi nada que comprovasse. Eu faço parte desse grupo de renovação (na nova gestão, ao lado de Marco Polo Del Nero). O que estranho, companheiro, é isso acontecer exatamente na eleição da Fifa. Existem interesses muito grandes. Os Estados Unidos vindo têm interesse nessa eleição. Acho que não se pode ainda - e não se deve - tomar posição nenhuma de apontar culpados. Eu conheço o Marin há mais de 40 anos e não tem nada debaixo do tapete", concluiu.

Na Suíça, Del Nero colocou toda a culpa sobre os "contratos suspeitos" na gestão de seu antecessor Ricardo Teixeira.

A CBF deve se pronunciar ainda hoje através de comunicado em seu site oficial.

AFP
Os sete dirigentes do comitê executivo da Fifa presos na Suíça
Os sete dirigentes do comitê executivo da Fifa presos na Suíça

Entenda o caso

A dois dias da eleição para a presidência, um terremoto sacode a Fifa. Na madrugada desta quarta-feira, horário brasileiro, uma operação especial das autoridades suíças, sob liderança do FBI, prendeu sete executivos importantes da entidade sob a acusação de corrupção, entre eles José Maria Marin, ex-presidente da CBF. O grupo dos detidos será extraditado para os Estados Unidos a fim de uma maior investigação sobre o assunto na federação mais importante do futebol mundial.

Segundo nota oficial do Departamento de Justiça norte-americano, 14 réus são acusados de extorsão, fraude e conspiração para lavagem de dinheiro, entre outros delitos, em um "esquema de 24 anos para enriquecer através da corrupção no futebol". Sete deles foram presos na Suíça. Além de Marin, Jeffrey Webb, Eduardo Li, Julio Rocha, Costas Takkas, Eugenio Figueredo e Rafael Esquivel. Um mandado de busca também será executado na sede da Concacaf, em Miami, nos EUA.

O brasileiro J.Hawilla, dono da Traffic, conhecida empresa de marketing esportivo, é um dos réus que se declararam culpados, assim como duas empresas de seu grupo, a Traffic Sports International Inc. and Traffic Sports USA Inc. Em dezembro de 2014, segundo a justiça dos EUA, ele concordou em pagar mais de 151 milhões de dólares, sendo que US$ 25 mi foram pagos na ocasião. As acusações são de extorsão, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça.

Além de Hawilla, também se declararam culpados o norte-americano Charles Blazer, ex-secretário-geral da Concacaf e ex-representante dos EUA no Comitê Executivo da Fifa; Daryan e Daryll Warner, filhos do ex-presidente da Fifa Jack Warner.

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