Demitido, Luxemburgo detona diretoria do Fla: 'Saíram no NY Times, mas não entendem nada de futebol'

Tiago Leme, do Rio de Janeiro (RJ), para o ESPN.com.br
Luxemburgo diz que personalidade ocasionou sua demissão e detona: 'Grupo gestor não sabe de futebol'

Demitido do Flamengo na noite desta segunda-feira, o técnico Vanderlei Luxemburgo concedeu entrevista coletiva nesta terça pela manhã, em um hotel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e detonou a atitude da atual diretoria do clube. Entre críticas e ironias, o treinador se disse supreso com a decisão dos dirigentes rubro-negros, que mandaram ele embora depois de um início ruim do time no Campeonato Brasileiro.

Luxemburgo atacou a postura do Conselho Gestor rubro-negro, afirmou que quem toma as decisões na Gávea "não entende nada de futebol", rebateu os pontos de insatisfação com seu trabalho, fez elogios aos jogadores e também voltou a falar sobre a necessidade de reforços para disputar títulos.

"O relacionamento com o grupo era tranquilo, são jogadores maravilhosos, profissionais, um grupo que há muto tempo eu não pegava. Com a diretoria, houve uma dificuldade muito grande, mas não de relacionamento no dia a dia, são pessoas sérias, mas em relação ao futebol é um pouco complicada. Porque o Flamengo trabalha com um grupo gestor, e nós profissionais contratados, eu e Rodrigo Caetano (diretor executivo), que é um dos melhores profissionais com quem já trabalhei, nós simpelsmente não somos ouvidos. Quem define tudo é o grupo gestor, que não entende nada de futebol. Pode entender nas suas empresas, nos seus negócios, nos seus bancos. Um profissional como o Rodrigo Caetano está de mãos atadas, não pode fazer nada, porque não é ouvido", disparou Luxa, que cutucou o fato de a atual gestão ter sido elogiada em uma reportagem de prestigiado jornal dos Estados Unidos.

"Administrativamente eles estão lá fazendo o trabalho deles, saíram até no New York Times, ganharam prêmio, mas quero saber é de futebol, tem que ganhar títulos no futebol também".

Nesta quarta passagem de Luxemburgo no Rubro-Negro, que durou dez meses, ele ele comandou o time por 59 jogos, obtendo 34 vitórias, 11 empates e 14 derrotas. A demissão aconteceu após a derrota para o Avaí, por 2 a 1, no último domingo, resultado que deixou a equipe com apenas um ponto em três rodadas disputadas e na 17ª colocação do Campeonato Brasileiro, dentro da zona de rebaixamento.

"Fiquei supreso porque há 20 ou 25 dias atrás, quando eu tive uma sondagem oficial do São Paulo, uma ligação do presidente do São Paulo, o presidente do Flamengo disse que eu ficaria e que eu era fundamental no projeto  do Flamengo. Eu queria saber como isso mudou 20 dias depois, eu passei a não ser mais fundamental? Isso me causa uma surpresa muito grande, onde você entende o Flamengo, que se diz muito de projeto, de gestão administrativa, e como fica a situação do profissional que é solicitado, que passa por momentos difíceis? O presidente do clube falou que eu era uma peça fundamental no projeto, talvez para um projeto de 20 dias, não até o final do ano", acrescentou o treinador.

Luxa revela surpresa com demissão e questiona mudança rápida: 'Há 20 dias eu era fundamental'

Durante os 40 minutos em que respondeu a diversas perguntas dos jornalistas, Luxemburgo abordou vários temas e confirmou que foi demitido por telefone na segunda à noite, já que preferiu não comparecer a uma reunião na Gávea. Entre as situações que irritaram a diretoria, estavam as cobranças do técnico por reforços e melhorias no centro de treinamento do Ninho do Urubu. 

"Venho reinvindicando desde o ano passado que esse grupo é muito bom, mas faltam dois jogadores para chamar a responsabilidade, porque se não se torna um grupo comum, precisa de dois jogadores de referência. Além disso, eu entendo que o Flamengo não pode jogar tanto fora da sua casa, eram seis jogos fora e nós conseguimos cair para quatro. Acho que incomodei. E quando eu falo que o CT do Flamengo é o melhor do Rio, mas é acanhado, não é para denegrir a imagem do Flamengo, é para melhorar", afirmou Luxa, que demonstrou irritação em determinados momentos da entrevista.

Livre no mercado, Vanderlei Luxemburgo também deixou claro que agora está disposto a ouvir nova proposta do São Paulo, caso o clube paulista ainda tenha interesse em contratá-lo. Enquanto isso, o Flamengo vai em busca de um novo treinador. Por enquanto, o auxiliar Jayme de Almeida vai comandar a equipe na partida desta quarta-feira contra o Náutico, no Maracanã, pelo jogo de ida da terceira fase da Copa do Brasil.

Confira outras partes da entrevista de Vanderlei Luxemburgo:

DEMISSÃO

Surpreso, porque alguns problemas você passa no futebol, a derrota também pertence ao jogo, mas importante é você saber o que você está fazendo. Dentro do que aconteceu nesse momento do Flamengo, outras equipes também estão começando o campeonato de maneira instável, o que é natural. Tivemos vários problemas no Carioca, não conseguimos manter uma equipe jogando, com elenco à disposição, e agora no Brasileiro também, teve a lesão do Everton.

ATITUDE DA DIRETORIA

Fiquei supreso porque há 20 ou 25 dias atrás, quando eu tive uma sondagem oficial do São Paulo, uma ligação do presidente do São Paulo, o presidente do Flamengo disse que eu ficaria e que eu era fundamental no projeto do Flamengo. Eu queria saber como isso mudou 20 dias depois, eu passei a não ser mais fundamental? Isso me causa uma surpresa muito grande, onde você entende o Flamengo, que se diz muito de projeto, de gestão administrativa, e como fica a situação do profissional que é solicitado, que passa por momentos difíceis? O presidente do clube falou que eu era uma peça fundamental no projeto, talvez para um projeto de 20 dias, não até o final do ano.

RELACIONAMENTO COM ELENCO E DIRIGENTES

O relacionamento com o grupo era tranquilo, são jogadores maravilhosos, profissionais, um grupo que há muto tempo eu não pegava. Com a diretoria, houve uma dificuldade muito grande, mas não de relacionamento no dia a dia, são pessoas sérias, mas em relação ao futebol é um pouco complicada. Porque o Flamengo trabalha com um grupo gestor, e nós profissionais contratados, eu e Rodrigo Caetano (diretor executivo), que é um dos melhores profissionais com quem já trabalhei, nós simpelsmente não somos ouvidos. Quem define tudo é o grupo gestor, que nao entende nada de futebol. Pode entender nas suas empresas, nos seus negócios, nos seus bancos. Um profissional como o Rodrigo Caetano está de mãos atadas, não pode fazer nada, porque não é ouvido.

Administrativamente eles estão lá fazendo o trabalho deles, saíram até no New York Times, ganharam prêmio, mas quero saber é de futebol, tem que ganhar títulos no futebol também.

REFORÇOS

Venho reinvindicando desde o ano passado que esse grupo é muito bom, mas faltam dois jogadores para chamar a responsabilidade, porque se não se torna um grupo comum. Precisa de dois jogadores de referência para que esse outros possam acompanhá-los. Acho que eu incomodei, porque vi uma declaração do Bap (Luiz Eduardo Baptista, ex-vice de marketing) falando que eu tinha falado muito. E talvez eu não estivesse alinhado, porque eu entendo que o Flanengo não pode jogar fora da sua casa, eu tenho meu ponto de vista como profissional. Eram seis jogos fora, nós conseguimos cair para quatro, porque o Rodrigo Caetano brigou muito. Entendo a parte financeira, mas se o Flamengo tiver dois jogadores de nível, brigando por título, vai esquecer rapidinho esse negócio de jogar fora, porque no Maracanã vai dar receita.

CENTRO DE TREINAMENTO

Quando eu falo que o Flamengo tem o melhor CT do Rio, mas é acanhado, não é para denegrir a imagem do Flamengo, é para melhorar. O CT é exatamente o mesmo desde a época da Patrícia Amorim (ex-presidente). Esse Conselho Gestor deveria ir lá um pouco no CT e ver como nós trabalhamos todos os dias. Para comprar um alfinete lá tem que passar por várias coisas, os jogadores agora até se mobilizaram para comprar um borracha para o vestiário.

AJUDA NAS CONTRATAÇÕES

Participei e participo sempre, ajudando, eu e o Rodrigo Caetano, tentando fazer com que a coisa fique melhor. Desde que cheguei aqui, eu liguei para o Robinho uma dez vezes, porque sei que posso ajudar. Agora eles não querem que faça isso. Uma coisa é vocêajudar a negociar, a outra coisa é você participar da negociação com empresários. Minha história é ajudar, eu sempre fiz isso. Rodrigo Caetano, Fred Luz (diretor geral), Alexandre Wrobel (vice de futebol) também estavam do meu lado, todos participando. Eu era autorizado por eles a participar, nunca falei com ninguém sem autorização.

RECUSA DE IR À REUNIÃO DE SEGUNDA

Não tinha porquê, eu cheguei de viagem ontem com febre, cansado, reunir às 10h da noite para ser demitido, não tem lógica isso.

CHEGADA EM 2014

Eu vim para o Flamengo no ano passado em um momento que o Flamengo estava morrendo afogado, e eu nem queria trabalhar no ano passado. Mas vim porque achei que minha chegada no Flamengo seria importante. Deu no que deu, conseguimos sair da confusão. E não me arrependo de nada, um dos grandes orgulhos da minha carreira foi contribuir para que o Flamengo nao caísse para a Segunda Divisão. Para mim foi como um título importante para a minha galeria, importante para mim e para o clube.

DEMITIDO POR RESULTADOS OU PERSONALIDADE?

Fui demitido pela personalidade, com certeza abslotula. Eles querem pessoas alinhadas com eles, que digam 'amém para eles'. Eles não entendem nada de futebol e querem pessoas que concordem com eles, que aceitem jogar no Rio, essa coisas. Fui demitido pelo grupo de gestores, o único que seria contra, pelo que falaram, seria o presidente. Saí como saíram o Jayme, o Ney Franco e outras pessoas, quando a situação aperta no futebol, alguém tem que falar que está no caminho certo. Mas toda vez que a situação apertou no Flamengo, com críticas externas muito fortes, que poderiam cair na parte administrativa, eles cortam a parte mais fácil. Se tivesse um diretor firme para dizer que estamos no caminho certo, seria diferente.

PROJETO

Quando a gente estava em Atibaia, me perguntaram se eu estava insatisfeito, e eu disse que sim por causa de algumas coisas, CT, jogar fora do Rio. Mas se eu estou sendo solciitado por outros clubes, gostaria que o Flamengo reconhecesse meu trabalho aqui. Falaram que 2016 vai ser o ano do Flamengo, então por que não renovam meu contrato? Falei que não queria aumento de salário, só queria participar, esse era meu projeto, fazer o Flamengo conquistar em 2016, mas eles nao aceitaram.

Não pode subestimar a inteligência. Esse pessoal que está no Flamengo hoje é fundamental em suas empresas fora do futebol. Eu votei na (ex-presidente) Patricia Amorim, e eles nunca se opuseram à minha vinda, porque era para ajudá-los. Agiram corretamente. Queriam alguém para resolver o problema deles, mas continuei sendo da Patricia para eles. Saí da confusão, mas voltei pelo Flamengo, não pela Chapa Azul. Em muitas das reuniões este ano eu continuava sempre da Patricia. Fui mandado embora e continuo da Patricia.

FUTURO: SÃO PAULO? PALMEIRAS?

Eu só não me arrependo de não ter ido para o São Paulo por causa do Flamengo. Mas hoje, pensando friamente, o São Paulo tem o melhor elenco do Brasil, ninguém tem cinco ou seis jogadores como o São Paulo. Agora estou livre no mercado, não estou me oferecendo, mas posso ouvir propostas. Já falei que dois clubes que eu gostaria de trabalhar e nunca tive a oportunidade são São Paulo e Inter. Se o São Paulo entender que deve fazer outro convite, eu estou aqui para analisar.

O Palmeiras tem técnico. Eu estou livre no mercado, saí do Flamengo, mas não estou me ofercendo a ninguém, principalmente onde tem técnico.

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